terça-feira, 15 de agosto de 2017

Lição 09: Profetas Menores – Sofonias


Autor: Sofonias
Data: 624 a.C
Alvo: Anunciar o dia da ira do Senhor ao povo de Judá e a Sua justiça as outras nações.
Contemporâneos: Naum, Jeremias e Habacuque


"O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo." (Sofonias, 3:17)


1 - Introdução

O livro é uma advertência sóbria a respeito do dia do castigo divino contra o pecado. Embora percebesse um castigo vindouro em escala mundial, (1.2; 3.8), Sofonias focalizava especialmente o julgamento que viria contra Judá (1.4-18; 3.1-7). Ele faz um apelo à nação para que se arrependa e busque o Senhor em humildade antes que o decreto entre em vigor (2.1-3). O arrependimento nacional ocorreu parcialmente durante o reavivamento de Josias (623 - 609 a.C.). Sofonias também profetizou o juízo vindouro contra cinco nações estrangeiras: Filístia, Amom, Moabe, Etiópia e Assíria (2.4-15). Depois de dirigir sua atenção aos pecados de Jerusalém (3.1-7), o profeta prediz um tempo em que Deus reuniria, redimiria e restauraria o seu povo. Os fiéis gritariam de alegria como verdadeiros adoradores do Senhor Deus, que estaria no meio deles como um guerreiro vitorioso (3.9-20).


2 – Sofonias e seu Contexto Histórico

No reinado de Josias, Judá estava sujeito à Assíria havia quase um século, quando Acaz pediu ajuda a Tiglath Pileser III contra Damasco e a Samaria, em 730 a.C.. Durante o longo reinado de Manassés (697-642), o jugo assírio pesou sobre Judá e as influências estrangeiras penetraram em todo o lado, tanto nos costumes como nas práticas religiosas. Em 2 Rs 21,3-9 é narrada a introdução de cultos estrangeiros: reconstrução dos lugares altos, altares a Baal, prática de adivinhação e magia e outros cultos idolátricos.Quando o rei Josias subiu ao trono, Judá necessitava de uma série de reformas, tanto no plano social e político como no plano religioso.

Sofonias, cujo nome significa “o Senhor esconde”, era um tataraneto do rei Ezequias. Ele profetizou durante o reinado de Josias (640-609 a.C.), o último governante piedoso de Judá. Sua referência a Jerusalém como “este lugar” (1.4), bem como a descrição minuciosa de sua topografia e de seus pecados, indicam que residia na cidade. Como parente do rei Josias (primo), tinha imediato acesso ao palácio real. Conforme era de se esperar, suas profecias focalizavam a palavra do Senhor endereçadas a Judá e às nações. O pecado dos quais Sofonias acusava Jerusalém e Judá (1.4-13; 3.1-7) indicam que ele profetizou antes do reavivamento e reformas promovidas por Josias. Período este marcado pela iniqüidade dos reis que antecederam a Josias (Manassés e Amom). Foi somente no décimo segundo ano do reinado de Josias (628 a.C.) que o rei empreendeu a purificação do povo com o banimento da idolatria e a restauração do verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, ordenaria o conserto e a purificação do templo. Nesta ocasião, foi descoberta uma cópia da Lei do Senhor (2 Rs 22.1-10). A descrição que Sofonias faz das lamentáveis condições espirituais e morais de Judá deve ter sido escrita por volta de 630 a.C. É provável que a pregação de Sofonias tenha tido influência direta sobre o rei, inspirando-o em suas reformas.

Jerusalém foi destruída em 586 a.C, quase 40 anos depois de Sofonias ter predito isto


3 – Estrutura e Conteúdo do Livro

O conteúdo do livro se divide conforme os capítulos:
  • Capítulo 1 prediz a destruição de Jerusalém devido à sua rebeldia, especialmente a idolatria.
  • Capítulo 2 olha para os povos ao redor e fala do castigo que Deus traria contra os filisteus, os moabitas, os amonitas os etíopes e os assírios.
  • Capítulo 3 reforça a profecia contra Jerusalém, mas encerra com uma mensagem de esperança e restauração de um povo espiritual que andaria em comunhão com Deus.

Há várias mensagens importantes em Sofonias. Entre elas:

1 ) A realidade da justiça divina. Mesmo tratando do seu povo escolhido, Deus usa linguagem forte para falar de um castigo terrível. A justiça de Deus é vista como assunto desagradável e incoerente quando falamos sobre o amor e misericórdia do Senhor. Mas a Bíblia - tanto no Antigo como no Novo Testamento - claramente ensina que Deus castiga e destrói as pessoas e as nações que persistem na rebeldia contra ele. É no Novo Testamento que encontramos estas afirmações fortes: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado” (Romanos 11:22)
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários...Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:26,27,31).

2 ) A realidade da clemência divina. Sofonias não negligencia a mensagem da graça. O mesmo Deus que traria tamanho castigo contra seu povo lhes estenderia a sua misericórdia. O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17). Estes dois aspectos do trabalho divino ilustram bem o conceito bíblico do Dia do Senhor. Seja o castigo de uma cidade, uma nação ou do mundo inteiro, é um dia no qual Deus rejeita e castiga os rebeldes, mas salva e protege os fieis.

3 ) O que Deus deseja do homem. No contexto das ameaças contra os gentios da Filístia, Deus disse: “Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do SENHOR” (Sofonias 2:3). As pessoas que aceitam este convite divino são as mesmas que recebem sua graça salvadora: “Mas deixarei, no meio de ti, um povo modesto e humilde, que confia em o nome do SENHOR” (Sofonias 3:12).
Sofonias nos ajuda a entender o conceito do Dia do Senhor, uma expressão que identifica um dia no qual Deus acerta as contas, salvando os obedientes e humildes e castigando os rebeldes e orgulhosos.


3.1 - O JULGAMENTO DIVINO (2.4 – 3.8)

O profeta acrescenta detalhes a respeito do julgamento que brevemente virá ao nomear nações específicas.
O profeta retorna uma descrição de como Deus julgaria por meio dos babilônios. Esses oráculos de julgamento são semelhantes aos encontrados em outros profetas (Is 13-30; Ez 25-32; Am 1.3-2.3).
Sofonias especifica seis nações (incluindo Judá; 3.1-5) em cinco oráculos que terminam num pronunciamento resumido da destruição mundial (3.6-8).
Palavras de salvação para o remanescente de Judá (2.7,9), assim como uma palavra de esperança a respeito das nações (2.11), encontram-se espalhadas ao longo desses oráculos.
O texto segue um padrão presente nos livros dos profetas, como Jeremias e Ezequiel: uma palavra de advertência a Israel, um julgamento das nações e uma promessa futura de restauração.


A. Contra a Filístia (2.4-7)

Os filisteus haviam atormentado Israel desde o tempo de Sansão (Jz 13.1; 15.20).
O “ai” que introduz o verso 5 é a mesma palavra de maldição pronunciada posteriormente sobre Jerusalém (3.1). É uma fórmula literária usada para introduzir uma terrível ameaça.
Eles seriam completamente aniquilados e suas terras passariam a pertencer aos restantes da casa de Judá. Os judaítas (descendentes dos filhos de Judá: Farés, Hesron, Carmi, Hur e Sobal) que sobrevivessem ao julgamento e voltassem para a terra possuiriam as terras da Filístia. Outras referências ao remanescente em Sofonias podem ser encontradas em 2.9; 3.9-13.
Os fracassos daqueles que retornaram do exílio causou um atraso no cumprimento dessa promessa; ela não começou a ser cumprida até a primeira vinda de Cristo (Ef 1.19-23), e não será completamente cumprida até que Cristo volte e conceda domínio ao seu povo na nova terra (2 Tm 2.11; 21.1-22.5).
Isso haveria de acontecer porque Deus os visitaria e os faria retornar do cativeiro, ou atentaria para eles e lhes mudaria a sorte. Essa frase amplamente empregada refere-se à futura salvação de Israel além do julgamento (Dt 30.3; SI 14.7; Jr 30.3,18; 32.44; Am 9.14), o que às vezes se aplica ao retorno do povo do exílio. Veja 3.20, onde a mesma frase descreve o destino futuro de Israel após o exílio.

B. Contra Moabe e Amom (5.8-11)

Essas nações são tratadas em conjunto em razão de seus ancestrais comuns (Gn 19.4-5, 36-38).
No juízo de Deus sobre elas, as mesmas tornar-se-iam como Sodoma e como Gomorra, cidades que representam o pecado e servem como tipos do julgamento final de Deus sobre os pecadores (Is 1.9; Am 4.11; 2Pe 2.6).
A comparação é pertinente à luz da estreita associação de Sodoma com o ancestral de Moabe e Amom (Gn 19.4-5,36-38).
Depois do juízo, eles serão saqueados e o restante do povo de Deus, o remanescente que possuirá a Filístia, também aqui os possuirá. Deus mesmo iria destruir todos os seus deuses que não são deuses e cada um, desde o seu lugar, de todas as ilhas dos gentios, viriam para adorar ao Senhor – (Sf 3.9-10; SI 72.8-11; Is 56.6-7)

C. Contra a Etiópia (2.12)

O remoto povo do alto Nilo não escaparia. A espada do SENHOR – vs. 12 – os mataria, provavelmente pelas mãos dos assírios (Is 10.5)
Deus usa em seu juízo quem ele quer e o que ele quer. Muitas vezes usa a própria natureza, mas aqui no caso, outro povo que não teria piedade.

D. Contra a Assíria (2.13-15)

Os assírios conquistaram o Reino do Norte em 722 a.C. e afligiram Judá, o Reino do Sul.
Os babilônios conquistaram Nínive em 612 a.C. o que sugere que a profecia de Sofonias é anterior a essa data.
Eles eram tão arrogantes que ousavam dizer que eram únicos e que além deles não haveria outra semelhante. Essa arrogância é expressa numa linguagem semelhante àquela usada apenas pelo Soberano Senhor (Dt 4.39; Is 45.5-6; 47.10).

E. Contra Jerusalém (3.1-5)

Agora a palavra profética de Sofonias é contra Jerusalém que logo é chamada de rebelde e contaminada, cidade opressora. Nesse caso, as referências a profetas, sacerdotes, ao santuário e à lei indicam que o profeta se dirigia a Jerusalém.
Esse oráculo pressupõe o crime mais hediondo, uma vez que os crimes de Jerusalém eram cometidos contra o Senhor que havia falado de maneira especial aos seus habitantes e os havia escolhido entre todos os povos (Am 2.4-5,10-16; 3.2).
O povo e os líderes eram acusados de infidelidade (3.1-4) em contraste com a fidelidade do Senhor (vs. 5). A acusação geral de 1.17 agora se torna específica.

No versículo 4, existem verbos interessantes falando da maneira como Deus age conosco.

1.      Obedecer à sua voz – Deus nos fala quer por sua palavra, quer por outros meios, mas Ele fala e nos mostra a sua vontade para obedecermos.

2.      Não aceitar o castigo. As conseqüências de não obedecer a voz do Senhor podem trazer para nós problemas e situações difíceis, mas resistimos a elas achando que são por puro acaso e nada tem a ver com Deus. (vs. 7.) É tão importante aceitar a correção que a incapacidade de ser receptivo a ela conduz à morte (Pv 5.23; Jr 2.30; 5.3; 7.28; 32.33), e a sua aceitação leva à vida. (Pv 6.23).

3.      Não confiar no Senhor. Além de não obedecer, nem aceitar a sua correção, não confiamos no Senhor que se importa e cuida de nós.

4.      Não se aproximar do Senhor. Por fim, o que fazemos é piorar a nossa situação porque não nos aproximaremos Dele, antes buscaremos outra coisa para ocupar o lugar do Senhor e isso é um terrível engano. A frase "aproximar-se do seu Deus' significa "aproximar-se de Deus de maneira própria em adoração" (Lv 9:5-8; 10.4-5; 16.1.). O culto deve vir do coração e não apenas da boca (Is 29.13; Jo 4.24).
Os versos 3 e 4 (Mq 3.9-11) fazem acusações graves contra os príncipes, juízes, profetas e sacerdotes que estavam em benefício próprio pervertendo o direito, a justiça e o juízo.
Eles eram como leões rugidores. As imagens dos leões e dos lobos imundos descrevem aqui a natureza predatória, feroz e gananciosa dos oficiais do governo cujo ofício era proteger a sociedade e dar estabilidade a ela.
Os seus profetas e os seus sacerdotes (Is 28.7; Jr 4.9; 5.31; 6.13; 8.10; Os 43-6) eram levianos, homens hipócritas (Mq 2.6-11; 3.5-8), mas no meio dela, o Senhor era o sol da justiça. Sofonias contrasta a presença do Senhor justo, dentro de Jerusalém, com a presença dos líderes corruptos e injustos, também presentes ali.
A essência da promessa do Deus da aliança é a sua presença no meio do seu povo (Êx 33.14-15; Nm 14.14; Is 43.2). O fato de Deus estar no meio (ou dentro) de Jerusalém é aqui considerado como uma ameaça de julgamento, mas o mesmo termo hebraico no vs. 17 (onde é traduzido por "no meio de ti.) significa salvação.
O Senhor, nos versos 6-8, proclama que seria contra todas as nações. Os inimigos de Deus, inclusive os ímpios em Judá seriam convocados a se apresentar e seriam submetidos à ira e à indignação de Deus (Ap 16.1).
Ele promete exterminar as nações (Is 24.11) derramando sobre elas a sua indignação e todo o ardor de Sua ira fazendo com que toda a terra seja consumida pelo fogo de Seu zelo. Isso porque não obedeceram à Sua voz, não aceitaram a Sua disciplina, não confiaram no Senhor e não O buscaram, nem Dele se aproximaram – vs. 6-8.


4 – Sofonias no Novo Testamento

Jesus pode ter aludido a Sofonias duas vezes (Mt 13.40-42; 1; Mt 24.29). Ambas as referências acham-se associadas à sua segunda vinda. Os escritores do NT entendiam a mensagem de Sofonias a respeito do “dia do SENHOR” como uma descrição dos eventos escatológicos que terão início na grande tribulação e culminarão quando Jesus voltar para julgar os vivos e os mortos (1.14 com Ap 6.17; 3.8 com Ap 16.1). Freqüentemente, o NT refere-se à segunda vinda de Cristo e ao dia do juízo como “o Dia” (1 Co 3.13; 2 Tm 1.12,18; 4.8).


5 - Conclusão

Grande parte das bênçãos finais sobre Sião (pronunciadas nos versículos 14-20) ainda está para ser cumprido, o que nos leva a concluir que são profecias messiânicas que aguardam a segunda vinda de Cristo para serem finalmente concretizadas. O Senhor removeu o nosso castigo somente através de Cristo, o qual veio para morrer pelos pecados de Seu povo (Sofonias 3: 15; João 3: 16).
Entretanto, Israel ainda não reconheceu o seu verdadeiro Salvador. Isso ainda está para acontecer (Romanos 11: 25-27). A promessa de paz e segurança para Israel, numa altura em que o seu Rei está no seu meio, será cumprida quando Cristo voltar para julgar o mundo e resgatá-lo para Si próprio. Assim como Ele subiu ao céu depois da Sua ressurreição, assim Ele regressará e criará uma nova Jerusalém na terra (Apocalipse 21).
Nessa ocasião, todas as promessas de Deus para Israel serão cumpridas.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Lição 08: Profetas menores - Habacuque

Autor: Habacuque
Data: 606 a.C (Bíblia em ordem cronológica)
Escreveu para: Reino Sul (Judá)
Contemporâneos: Naum, Sofonias e Jeremias.


“A mensagem é esta: Os maus não terão segurança, mas as pessoas corretas viverão por serem fiéis a Deus.” (Habacuque, 2:4)


1 – Introdução:

Habacuque foi contemporâneo de Naum, Sofonias e de Jeremias durante os reinados de Josias e de Jeoaquim.
Habacuque viveu durante os últimos dias de Judá. O tempo é provavelmente pouco antes da primeira deportação.
A maior parte dos estudiosos situa o seu ministério antes de 605 a.C, quando a Babilônia, sob o governo de Nabucodonosor, tornou-se uma potência mundial (1.5). As palavras de Habacuque contra a Babilônia (2.6-20) deixam implícitas que ela já havia se transformado em uma nação forte. O império Assírio havia saído de cena, e a Babilônia (“os caldeus”) estavam no poder. Nabucodonosor havia derrotado o Egito em 605 a.C. e estava prestes a atacar Judá. Jeremias havia anunciado que a Babilônia invadiria Judá, destruiria Jerusalém e o templo, e enviaria a nação para o exílio. Isso ocorreu em 606-586 a.C.
Enquanto os outros profetas falavam ao povo sobre aquilo que Deus transmitia, Habacuque falava com Deus sobre o que acontecia com o povo.
O livro começa com uma interrogação a Deus, mas termina como uma intercessão a Deus. A preocupação é transformada em adoração. O medo se transforma em fé. O terror torna-se confiança.


2 - Quem foi Habacuque

Para grande parte dos estudiosos, o nome “Habacuque” vem do verbo hebraico ḥāḇaq, que significa “dobrar as mãos ou abraçar”. “Para Lutero o nome “Habacuque” significa “um abraçado”, ou ‘aquele que abraça outro ou toma-o em seus braços”. Para Jerônimo, o tradutor da Vulgata Latina, o nome “Habacuque” significa “abraço”, mas de luta. Seria assim “porque ele lutou com Deus”. Mais recentemente, a palavra “Habacuque” foi encontrada na literatura acádia em textos da Mesopotâmia, que indicam que era o nome de uma planta de jardim. Assim, alguns estudiosos afirmam que o nome do profeta mostra a influência da Assíria e da Babilônia sobre os israelitas. Além disso, tem sido sugerido pela tradição rabínica que Habacuque era o filho da mulher sunamita mencionado em 2 Reis 4, de quem Eliseu restaurou à vida. Tendo em vista o nome de Habacuque, “abraçar”, e as palavras de Eliseu para a sunamita, “Por este tempo, daqui a um ano, abraçarás um filho...” (2 Reis 4.16).
Por outro lado, acredita-se que Habacuque era um líder de adoração no Templo (cantor puxador ou cantor-mor)  “O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas”. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda - Hb. 3.19). Estes versos contem notificações musicais, que leva-nos a crer que ele pertencia à família levita (os levitas eram responsáveis pela liturgia do culto: músicos, cantores, porteiros, etc.).


3 - Habacuque no Novo Testamento

O apóstolo Paulo cita Habacuque 2:4 em duas ocasiões diferentes (Romanos 1:17, Gálatas 3:11) para reiterar a doutrina da justificação pela fé. A fé que é dom de Deus e disponível através de Cristo é ao mesmo tempo uma fé que salva (Efésios 2:8-9) e sustenta por toda a vida. Alcançamos a vida eterna pela fé e vivemos a vida cristã por essa mesma fé. Ao contrário dos "orgulhosos" no início do verso, a sua alma não está reta dentro dele e seus desejos não estão corretos. Entretanto, nós, os que somos feitos justos pela fé em Cristo, somos assim declarados porque Ele trocou a Sua justiça perfeita pelo nosso pecado (2 Coríntios 5:21) e tem nos capacitado a viver pela fé.


4 – Contexto Histórico

O profeta Habacuque viveu numa época de crescente deterioração moral e espiritual em Judá (o reino do sul). Ele sabia que o juízo de Deus se aproximava e viria por meio da invasão babilônica, ocorrida em 586 a.C. Ele não se conformava com a iniqüidade do seu povo nem com o avanço de Nabucodonosor.
É nesse contexto que aparece o famoso clamor de Habacuque: “Senhor, ouvi falar da tua fama; tremo diante dos teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo; em tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).
Lembrando-se dos atos admiráveis de Deus na história da nação, principalmente, quem sabe, do êxodo do povo de Israel do Egito, o profeta roga ao Senhor que faça novamente as mesmas obras realizadas no passado. É por essa razão que os cristãos hoje, costumam usar a oração de Habacuque para clamar a Deus por um avivamento na igreja.
O clamor de Habacuque é definido e preciso quanto ao que pede e quanto à ocasião para a qual pede: “Que o Senhor realize sua ação e a faça perceber no meio da história, sem adiá-la para um futuro indeterminado” (paráfrase de Luís Alonso Shökel).
Essa súplica, feita pessoal e comunitariamente, pode provocar saudáveis reviravoltas no povo de Deus, desde que saia mais do coração do que dos lábios.
O reino do norte (Israel) foi derrubado pela Assíria em 722 a.C. e o crescimento do império Caldeu (o segundo Império Babilônio) começa a surgir no horizonte. Nos dias de Habacuque, os governantes do reino do sul (Judá) eram conhecidos por “fazerem o mal aos olhos do Senhor”(veja II Reis 23:31-24:7). Eles rejeitaram Deus e oprimiram seu próprio povo.
Como agentes do julgamento nas mãos de Deus, os caldeus invadiram Judá em 605 a.C.. Nabucodonosor, rei da Babilônia, fez do rei Jeoaquim, de Judá, seu vassalo. Os babilônios invadiram Judá duas vezes (605 a.C e 597 a.C.) antes de finalmente destruí-los em 586 a.C. Era um período de medo, opressão, perseguição, sem lei e cheio de imoralidade. Os capítulos 1 e 2 de Habacuque estão enraizados historicamente nos eventos anteriores e posteriores à invasão de 605 a.C., sob o comando de Nabucodonosor.


5 – Estrutura do Livro
O livro de Habacuque possui apenas 3 capítulos e o texto traz, também, três grandes verdades para nós:
1.     A sua história revela que lutar com a dúvida pode ser parte constante da vida cristã;
2.     Deus nos dá abertura para que cheguemos a Ele e apresentemos as nossas dúvidas e questionamentos;
3.     A história em si é um exemplo de como os cristãos podem aprofundar a fé em momentos de dúvida.

O profeta Habacuque viveu, provavelmente, uns 600 anos antes de Cristo, na terra de Judá. O pequeno livro dele relata uma discussão entre o profeta e o próprio Deus. Habacuque pergunta e Deus responde. Habacuque se sente alarmado pela resposta de Deus e faz uma segunda pergunta. Deus responde de novo, e Habacuque aceita, humildemente, a réplica do Senhor, dando louvor a ele num cântico de adoração. Habacuque faz a pergunta que nós gostaríamos de fazer, e recebe a resposta com a atitude que devemos mostrar.

·         Habacuque: Até quando, Senhor? (1:1-4)
Habacuque começa seu livro com uma série de perguntas: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão?" (1:2-3). Habacuque viu a violência de Jerusalém e a injustiça de seus líderes, e não entendeu a tolerância do Senhor. Nós poderíamos fazer a mesma pergunta hoje, "porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida" (1:4). O profeta pediu justiça. Ele queria livramento divino para proteger os inocentes e castigar os malfeitores.

·         Deus: Trarei destruição (1:5-11)
Deus respondeu ao pedido de Habacuque, concordando plenamente com sua queixa. O povo violento e injusto merecia o castigo, e Deus o traria logo. Ele prometeu a justiça naquela geração. Mas, o instrumento da ira divina seria o povo caldeu, ou seja, os babilônios. Deus descreveu este povo forte e cruel. Disse que os caldeus faziam suas próprias leis (não respeitando a autoridade de ninguém), destruindo seus inimigos e adorando seu próprio poder como se fosse um deus.

·         Habacuque: Assim, não! (1:12-17)
Quando ele ouviu a resposta de Deus, Habacuque ficou apavorado. Podemos entender a reação dele, pensando em nossa circunstância atual. Imagine pedindo a justiça de Deus contra os malfeitores da sua cidade e ouvindo tal resposta assustadora. Deus chamaria um povo cruel e forte para destruir a cidade! Quando Habacuque pediu justiça, ele não imaginou medidas tão drásticas. Ele questionou este plano de Deus, utilizando uma série de argumentos.

·         Habacuque: Esperando a resposta de Deus (2:1)
Depois de fazer suas perguntas, Habacuque mostrou uma atitude admirável. Ele disse: "Por-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu teria à minha queixa." Habacuque questionou porque ele não compreendia os planos de Deus, mas ele mostrou reverência para com o Senhor. Ele não apontou o dedo de acusação para criticar as decisões de Deus. Aqui, aprendemos uma lição valiosa. Podemos perguntar, mas o homem jamais tem direito de contrariar a sabedoria de Deus. Habacuque não entendia e, por esse motivo, perguntou. Mas, ele não demonstrou a arrogância de algumas pessoas que se acham mais sábias que o próprio Deus. Ele não julgou a decisão de Deus. Habacuque simplesmente aguardou a resposta.

·         Deus: Motivos para castigar os caldeus (2:2-19)
Na primeira resposta, Deus prometeu trazer um povo cruel e violento contra Judá. Mesmo assim, ele conheceu os pecados dos caldeus e traria castigo sobre eles. Os motivos dados aqui servem de advertência para todas as nações, inclusive as modernas. Deus preparou o castigo da Babilônia por estas razões:

1. Acumular bens de outros (2:6-8). Pelas práticas desonestas e violentas, os caldeus acumularam bens que não pertenciam a eles. Tanto nações como indivíduos devem adquirir os seus bens por maneiras honestas. Deus castigará as pessoas e os povos que roubam e que não pagam as suas dívidas.

2. Confiar nas fortalezas humanas (2:9-11). Os caldeus usaram a riqueza conquistada em guerras para fortalecer sua própria nação. Colocaram seu "ninho" em lugar alto, achando que nenhum inimigo teria condições de invadi-lo. Até hoje, as nações se enganam da mesma maneira. Confiam nos seus sistemas de defesa e na força militar enquanto esquecem-se do princípio revelado por Deus há muitos séculos: "A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos" (Provérbios 14:34).

3. Edificar a cidade com sangue e iniqüidade (2:12-14). Os babilônios, como muitos outros impérios, construíram com violência e opressão. Deus nunca aprovou a maldade de homens que procuram levar vantagem sobre outros. Os mais fortes devem proteger os mais fracos, ao invés de abusar deles. Os mais ricos devem ajudar os mais pobres, e não explorá-los.

4. Envolver outros no pecado (2:15-17). A Babilônia induziu outros países a participar de seus pecados. A imagem que o profeta usa aqui é de uma tática bem conhecida. Quando as filhas de Ló queriam induzir o pai a deitar com elas, deram-lhe vinho (Gênesis 19:30-38). Quando Davi queria convencer Urias a voltar para a casa dele, ele lhe deu bebida forte (2 Samuel 11:13). Deus prometer inverter a situação. Ele mesmo daria para Babilônia o cálice da ira Dele.

5. Praticar idolatria. Nas sentenças contra povos na Bíblia, encontramos diversos pecados que merecem a punição. Nenhum desses pecados é mais abominável ao Senhor do que a idolatria. A idolatria envolve uma rejeição total e insensata do Criador. Rejeição total porque o único verdadeiro Deus é substituído por um ou mais falsos deuses. Deus, nesse segundo discurso a Habacuque, destaca a insensatez da idolatria. Deus zomba dos ídolos e de seus seguidores, mostrando que é absolutamente absurdo adorar uma imagem. Observe os argumentos Dele:
O ídolo é uma obra de mãos humanas que se torna maior do que seu criador. O homem faz uma imagem e confia nela!
O ídolo é totalmente impotente. Não fala, não se mexe, não ensina e nem respira. Paulo resumiu o argumento, alguns séculos depois, quando disse: "... sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus" (1 Coríntios 8:4).
Por todos esses motivos, Deus pretendia castigar os caldeus. Eles serviriam primeiro, de instrumento Dele para punir o povo de Judá. Mas, menos de 50 anos depois da destruição de Jerusalém por mãos babilônicas, o império da Babilônia caiu. Deus, na hora que Ele determinou, trouxe a justiça sobre esse povo ímpio.

·         Habacuque: O servo diante do Deus santo (2:20 - 3:19)
Em contraste com os falsos deuses feitos por mãos humanas, "O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra" (2:20). Habacuque ouviu a segunda resposta de Deus é se sentiu "alarmado" (3:2). Ele não questionou mais. O capítulo 3 é um cântico de louvor, no qual o profeta reconhece a sabedoria, a justiça e o poder de Deus e se mostra absolutamente submisso a ele.

Observe, na sua leitura do capítulo, os seguintes pontos: 

1. Habacuque pede misericórdia (3:2). Ele sabe que Deus age em justiça, mas ele também 
conta com a piedade do Senhor. 

2. O profeta louva a Deus, dando glória pelo poder e pela sabedoria Dele. 

3. Ele destaca o poder divino, reconhecendo que Deus usa Sua grande força para aplicar justiça. 

4. Habacuque vê Deus como muito maior do que o universo e, obviamente, muito superior aos inimigos humanos que ameaçam os justos. 

5. O profeta se sente fraco, suportando a grandeza da revelação com grande dificuldade. 

6. Habacuque deposita sua plena confiança no Senhor, dizendo que continuará louvando a Ele, mesmo se não sobrar nada para sua alimentação.

6 - Conclusão: 

A mensagem consoladora (3:18-19)
Habacuque começou o livro tentando entender o que Deus faz, e o terminou sem compreender, totalmente, a justiça e a sabedoria de Deus. Mas, ele aprendeu o mais importante, a mensagem que nos sustenta no meio de angústias: Não precisamos compreender tudo que Deus faz, mas precisamos saber que é Deus que faz!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lição 07: Profetas Menores – Naum

Autor: Naum
Data: 635 a.C
Escreveu para: Nínive e ao Reino Sul (Judá)
Contemporâneos: Jeremias e Sofonias

“O SENHOR é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.” (Naum 1:7)

1- Introdução:

A lição de hoje nos convida a uma reflexão dentro do assunto ensino dentro de nossos lares.
“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”. (Provérbios 22:6).
Os Ninivitas, do tempo de Jonas, se arrependeram de seus pecados e se converteram, mas não ensinaram seus filhos e netos o caminho do temor ao DEUS de Israel.
“Esta palavra chegou também ao rei de Nínive; e ele levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de saco, e sentou-se sobre a cinza. E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; Mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a DEUS, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos. Quem sabe se voltará DEUS, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? E DEUS viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e DEUS se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez”. (Jonas 3: 6-10)
Agora, no tempo do profeta Naum, aproximadamente 150 anos depois de Jonas por ali passar proclamando o juízo de DEUS sobre Nínive, eles estavam numa deplorável situação de idolatria, crueldade e opressão.
Naum escreve sobre os juízos de DEUS sobre Nínive e seus moradores. Não havia mais chance de arrependimento, DEUS não enviaria outro Jonas, seus pais não lhes ensinaram o caminho do arrependimento e a longanimidade de DEUS chegara ao fim para com eles.
A queda de Nínive ocorreu em 612 a.C, quando foi conquistada por uma coalizão (junção política com o mesmo interesse) dos babilônios, medos e citas (povo nômade da civilização antiga).
A história de Nínive é resumida por Naum na seguinte frase:  “Contra ti, porém, o SENHOR deu ordem que não haja mais linhagem do teu nome; da casa dos teus deuses exterminarei as imagens de escultura e de fundição; ali farei o teu sepulcro, porque és vil”. (Naum 1: 14)

2 – O Profeta e sua Geografia Histórica:

Nada se sabe a respeito de Naum, a não ser que era proveniente de Elcós (1.1), mas essa informação não ajuda muito, visto que a localização de Elcós é incerta. Jerônimo acreditava que esta cidade ficava perto de Ramá, na Galiléia. Sugere-se ainda a vizinhança de Cafarnaum, e também o sul da Judéia. Há quem afirme que esta cidade (Elcós) era Cafarnaum nos dias de Jesus, pelo o fato de Cafarnaum significar “Aldeia de Naum”, e isso possa ter relação com o nome do profeta. Mas é mera especulação.
O mais provável é que Naum fosse profeta de Judá, pois o Reino do Norte (Israel) já havia dissolvido quando este livro foi escrito. 
Embora este profeta falasse sobre Nínive, a mensagem trouxe certo conforto para o povo de Judá.
Depois de verem os irmãos de Israel sofrerem terrivelmente nas mãos dos cruéis assírios, e depois de ver algumas das cidades de Judá destruídas pelo mesmo império, a notícia do julgamento divino contra Nínive traria alívio para Judá: “Mas de sobre ti, Judá, quebrarei o jugo deles e romperei os teus laços... Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o homem vil já não passará por ti; ele é inteiramente exterminado” (Naum 1: 13,15).
A mensagem de Naum distingue-se dos profetas maiores em virtude de atacar apenas o inimigo de Judá em vez de inclui-lo em seus oráculos de julgamento. Isso pode criar um obstáculo teológico em razão da dificuldade na conciliação da compaixão e perdão de Deus. Possivelmente Naum não tenha dito nada contra Judá pelo fato de estar vivendo no período das reformas que abrangeu o reinado de Josias, portanto uma época de esperanças reavivadas.
Naum Foi profeta durante os reinados de Manassés, Amom e Josias.

3 – Estrutura do Livro

As profecias de Naum podem ser esboçadas da seguinte forma:

O juiz – Cap. 1
A queda – Cap. 2
O lamento – Cap. 3

·         A qualidade literária de Naum é surpreendente. Na primeira parte do livro, por meio de um Salmo, ele destaca as características que autorizam Deus a executar juízo contra Nínive. Naum apresenta, de forma vívida, uma espécie de corte onde Deus apresenta, alternadamente, discursos de livramento a Judá e oráculos de julgamento à Assíria. A mensagem, em grande parte direcionada a Nínive, transmitia a esperança de livramento a Judá (1:15), oprimida por muito tempo pela Assíria (1:12-13). Esta profecia se cumpriu nos dias do rei Josias, quando os israelitas puderam novamente celebrar a páscoa (2 Cr. 35).
·         A segunda parte do livro contém relatos de guerra. Tal qual um repórter dentro do front de guerra, Naum, de forma realista, relata o esforço inútil do exército de Nínive em deter o invasor medo-babilônio. Os assírios estavam experimentando o mesmo tratamento que dispensavam aos outros povos, expresso na figura da família dos leões, que ironicamente foi usada por Isaías para se referir à Assíria. Em contraposição à destruição da suntuosidade de Nínive, Naum faz novamente uma breve referência à restauração do esplendor de Judá.
·         A última parte dos oráculos de Naum alista as causas da destruição de Nínive tais como:

Grande violência (3:1)
Depravação espiritual e política (3:4)
Sua ruína é descrita em termos de vergonha pública (3:5-7). Naum destaca que Nínive cairia da mesma maneira com a qual havia conquistado e destruído Tebas, logo suas fortificações e muros seriam inúteis contra a ira do Senhor. Sua queda seria motivo de alegria para todos os povos (3:19).

Nota -> Alguns expositores têm visto em 2:4 uma alusão ao automóvel moderno, mas esta é uma interpretação fora de contexto.

4 – Propósito e Conteúdo do Livro

O livro de Naum trata sobre os seguintes temas:
·         Julgamento e queda de Nínive
·         Libertação de Judá

A. O julgamento de Nínive (1.9-11).

Deus declarou que os assírios não teriam mais vitórias sobre o seu povo; eles falhariam e seriam destruídos.
Por causa de seu poder e força, eles imaginavam que seria fácil subjugar Israel e Judá. No entanto, todas as estratégias assírias seriam fúteis. Suas lutas e seus planos seriam agora contra o Senhor, que havia determinado a destruição deles e o faria de uma vez por todas.
Na verdade a Assíria teve somente uma grande vitória sobre o povo de Deus: a destruição de Samaria em 722-721 a.C. (2 Rs 17). A tentativa de destruir Jerusalém em 701 a.C. falhou (2 Rs 18.13-19.37; Is 36-37).
Embora os assírios tivessem muito poder sobre Judá, eles nunca destruíram totalmente a capital, Jerusalém. O Império Assírio caiu perante a Babilônia em 612 a.C.
A trama de perversidades de que fala o verso 11, talvez se refira ao rei assírio Assurbanipal (668-627 a.C.). A palavra mal aqui sugere algo demoníaco, como os poderes do caos.

B. A salvação de Judá (1.12-13).

O profeta se dirigiu a Judá na segunda pessoa (vs. 12). Embora o julgamento contra a Assíria seja mencionado (vs. 11), o foco principal é a libertação de Judá. A profecia confortadora assegurou ao povo de Deus que a queda da Assíria finalmente acabaria com a humilhação deles.
A bem conhecida fórmula do mensageiro profético “Assim diz o Senhor” mostra que Naum falou em nome de Deus. Ele dizia que por mais poderosos e numerosos que fossem eles, acabariam sendo ceifados e destruídos e Judá, embora tivesse sido afligida, não mais seria atormentada.
Naum pronunciou essa profecia enquanto a Assíria ainda era extremamente poderosa, provavelmente durante o reinado de Assurbanipal (668-627 a.C.).
Judá seria o estado vassalo da Assíria por muitos anos, mas a ameaça de derrota total para Judá e Jerusalém havia sido eliminada, por isso que Deus dizia, usando imagens poéticas vívidas que descrevem a emancipação de Judá (SI 2.3; Jr 2.20), que quebraria o jugo deles e romperia os seus laços – vs. 13.

5 – Ensinamentos de Naum

O principal ensinamento do livro de Naum só é obtido quando lemos pela ótica dos judeus. Para Israel, o império Assírio era o seu opressor. Por todo o livro, a ira de Deus contra Nínive é acompanhada pelo cuidado ao seu povo. Segue um quadro comparativo da postura Simultânea de Deus diante de Israel e Nínive:

REFERÊNCIAS

ISRAEL
NÍNIVE

1.2
Deus é zeloso, tem ciúmes de seu povo

Deus é vingador e cheio de ira contra Seus inimigos.

1.7-8
Deus é fortaleza para os que se refugiam Nele.

Deus é, destruidor e perseguidor dos Seus inimigos.

1.13-14
Deus liberta o povo.
Deus extermina o povo inimigo.

1.15
O povo de Deus celebra a paz.
O inimigo vil foi exterminado.

2.1-2
Deus restaura a glória do povo.
Deus avança contra os inimigos.


3.19
Celebram a libertação da maldade opressora.
Sofre do seu mal incurável e de sua condenação definitiva.


Embora os filisteus sejam bastante citados nos embates com o povo israelita e a Babilônia tenha sido a responsável pela derrocada de Judá, os assírios são tomados como o inimigo mais vil no Antigo Testamento.
Suas práticas militares genocidas levaram o terror ao Oriente Médio por mais de dois séculos. Seus prisioneiros eram submetidos a torturas, amputações, esfolamentos e outras perversidades.
Naum foi o proclamador da justiça divina que não deixou a brutalidade assíria sem castigo. A mensagem de Naum é que Deus é soberano sobre todas as nações, mesmo que essas nações não invoquem seu nome.

6 - O Cumprimento da Profecia

A cidade de Nínive foi pesada na balança e achada em falta. Nos dias de hoje vemos esta cidade ainda
em ruínas. Este livro apresenta o quadro da ira de Deus, “O Senhor é zeloso e vingador e cheio de ira; O Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos”. Deus odeia o pecado e sobre ele faz cair o seu juízo.
A cidade de Nínive foi destruída em 607 AC, pelos medos e babilônios, no ápice de seu grande poder. Segundo as profecias de Naum, aconteceu realmente quando uma súbita enchente do Rio Tigre fez ruir uma grande parte da muralha, o que auxiliou o exercito atacante a destruir a cidade e parcialmente destruída também pelo fogo (Naum 2.6; 3.13, 15)
A cidade tinha contra si mais uma denúncia, apresentada anos mais tarde pelo Profeta Sofonias, Sf.2.13. Em 607 a.C, Nínive foi destruída completamente e tudo se cumpriu. Tão completa foi sua destruição que todos os traços do império Assírio desapareceram, e muitos até julgavam que os fatos narrados na Bíblia não passavam de mitos, mas em 1820 e 1845, os historiadores descobriram as ruínas da cidade, a seus majestosos palácios dos reis da Assíria juntamente com milhares de inscrições, descrevendo os acontecimentos escritos pelos próprios assírios.

7 – Conclusão

Paulo repete Naum 1: 15 em Romanos 10: 15 em relação ao Messias e Seu ministério, bem como aos apóstolos de Cristo no Seu tempo. Também pode ser aplicado a qualquer ministro do Evangelho cuja atividade é "pregar o Evangelho da paz".
Temos o dever de anunciar as boas-novas de salvação, e transmitir o evangelho a toda criatura, a começar da nossa casa.
Pois assim como a justiça do Senhor foi feita em Nínive por causa de sua maldade e pecados, Ele também o fará sobre toda terra, julgando-a de todos os seus atos e trazendo julgamento sobre cada nação.






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