sexta-feira, 13 de julho de 2018

Desmistificando Gênesis - Caim e Abel



“Cada um, dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação,
pois Deus ama quem dá com alegria”. (2 Coríntios 9:7)

1 – Introdução

Sempre que começamos ler Gênesis, surgem diversas perguntas, curiosidades e até mesmo dúvidas a respeito das histórias contadas.
É comum, procurando por respostas, acharmos as mais absurdas conclusões teológicas na especulação do que seja certo e verdadeiro. No entanto, é preciso observar algumas referências a fim de encontrarmos o propósito de Deus na história da criação, sabendo que tudo o que foi feito, criado e dito, teve um propósito preestabelecido por Deus antes mesmo da criação do mundo.

2 – A Oferta

Antes de começarmos a falar sobre Caim e Abel, vamos recordar os acontecimentos diretamente ligados ao primeiro homicídio entre irmãos. Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, o Jardim do Éden. Agora eles conhecem o bem e o mal, e reconhecem que estão nus, descobertos. E para que a nudez do homem e da mulher, isto é, para que o pecado deles fosse coberto, o sistema sacrificial é iniciado. O próprio Deus faz roupas de pele de animal para eles, derramando sangue pela primeira vez na história da humanidade. A “cobertura pelos pecados”, ou a remissão é estabelecida por meio do derramamento de sangue.
Deus havia prometido uma redenção por meio da mulher. De fato, quando o Eterno sentenciava a sorte da serpente, Ele prometeu: “Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o descendente dela; porquanto, este te ferirá a cabeça, e tu lhe picarás o calcanhar”. (Gn 3:15)
O plano da redenção contemplava um descendente da mulher, um filho, que estaria encarregado de derrotar a serpente e a sua descendência (sim a descendência da serpente, que aqui é símbolo de uma geração pecadora contumaz). Isto quer dizer que o inimigo também traria do homem uma descendência ímpia.
Só por curiosidade, no Novo Testamento, quando João Batista chama os Fariseus de “raça de víboras“, em Hebraico ele dizia זֶרַע צִפְעוֹנִים “descendência da serpente”.
E o capítulo quatro do Gênesis abre relatando o nascimento de Caim e Abel.
 “Então Adão teve relações sexuais com Eva, sua mulher; ela concebeu e deu à luz Caim, e declarou: Com a ajuda do Senhor, tive um filho homem. (Gn 4:1)
Caim foi o primeiro “homem nascido de humanos”.
O seu nome em Hebraico é  Qayin, que vem do verbo  qanah “adquirir” e significa “possessão”.
Com o nascimento de Caim, Eva imagina ou mesmo tem a “certeza”, de que a profecia se cumpriria nele. Ela esperava por isso, e certamente Caim cresceu ouvindo que ele era o fruto daquela promessa.
Mas passou o tempo, e nada aconteceu. Talvez eles esperassem que Deus os devolvesse ao Éden e que aquela vida dura pela qual agora viviam, fosse aliviada. Mas nada aconteceu.
Foi quando Caim teve uma idéia, oferecer a Deus uma oferta (Gn 4:3)
Quem sabe não era isso que estava faltando?!
E ele ofereceu alguns frutos da terra, e ao invés disso, Abel oferece uma ovelha. Mas não uma simples ovelha, ele oferece a melhor, um primogênito do seu rebanho, um animal perfeito. E isso agradou a Deus.

3 – O Primeiro Homicídio

A história de Caim não está demonstrada por acaso nas escrituras. Sua atitude para com seu irmão serve como um claro ilustrativo dos efeitos da queda sobre os seres humanos. Aquele ser criado para estar com Deus, criado para amar, prefere distância de seu Criador e dá lugar ao ódio, e os efeitos são completamente danosos. 
Gênesis prossegue a sua narrativa, e agora vemos a forma com que os filhos de Eva escolhem para servir a Deus. Caim se torna um lavrador da terra, e Abel pastor de ovelhas (Gn 4:2)
Esse verso traz um relato muito interessante. “Lavrador” em Hebraico significa “servo”. Veja que Caim era um “servo” da terra. Terra aqui é a palavra adamah, o mesmo material de que Adão foi feito. Adamah é a representação do próprio homem.
Caim era servo do homem, servia primeiramente a si mesmo. Era servo porque era dominado e servia à terra. Uma coisa é você trabalhar neste mundo para poder ter a sua sobrevivência com dignidade. Outra coisa é ser um servo do mundo.
O homem foi feito da terra, e o mandamento divino era para que o homem dominasse a terra, ou seja, que o homem tivesse domínio, controle próprio, e não que fosse dominado pelas coisas da terra (Gn 1:28)


O ofício escolhido por Abel reflete muito da sua humildade, do seu coração voltado para a obediência ao Senhor. Temos que compreender que os textos do Gênesis tem conotações simbólicas e espirituais fortíssimas.
Caim acreditava em si mesmo, pensava que era o Cristo (prometido por Deus) e quanto mais confiava na sua própria força, mais se tornava escravo de si mesmo. Imagine Caim crescendo, sendo ensinado por sua mãe de que ele traria a redenção ao pecado do jardim. Por isso, em sua oferta Caim traz vegetal.
Há uma tradição muito antiga, no meio Judaico, de que na “era messiânica”, não seria mais necessário o sacrifício de animais. E se Caim era o Messias, então o único tipo de oferta a ser oferecida seria a de vegetal.
Portanto, a oferta de Caim era a confissão da sua autossuficiência, de sua autoconfiança, de se declarar o Enviado de Deus. Mas como tudo isso não era verdade, ele não foi aceito. (Gn 4:3-4)
Já Abel, seguiu o exemplo do próprio Deus e sacrificou uma ovelha, remindo seus próprios pecados e foi aceito.
“Todavia, não se agradou de Caim e de sua oferenda; e, por esse motivo, Caim ficou muito irado e seu semblante assumiu uma expressão maligna. Então o Senhor abordou Caim: Por que estás furioso? E por qual motivo teu rosto está transtornado? Se procederes bem, não serás aceito? Entretanto, se assim não fizeres, sabe que o pecado espreita à tua porta e deseja destruir-te; cabe a ti vencê-lo!” (Gn 4:5-7)

4 – O Sinal de Caim

O que se segue todos conhecem. Caim, ao invés de repensar seu modo de vida, mata o irmão.
O sentimento aqui não era o de ciúme, mas de inveja. Ciúme deseja o que a outra pessoa tem, enquanto a inveja cria ódio contra quem tem o que você deseja. 
Quem cultiva esses sentimentos, cultiva também uma família marcada por eles. A família de Caim alcança as alturas da perversidade em sua época. Em Gn 4:19 nós vemos a primeira descrição de poligamia, uma perversidade sexual que volta a nos assombrar nos dias atuais. Foi Lameque, da linhagem de Caim, que iniciou essa aberração. O mesmo Lameque se gaba de ser um assassino ainda maior que seu pai (Gn 4:23-24). Há um simbolismo macabro nessa passagem (Gn 4:24). Lameque diz que se Caim foi ‘vingado’ sete vezes, ele deveria ser ‘vingado’ setenta e sete vezes.
Sete é o número da Aliança com Deus. Ao usar esse simbolismo, Lameque admite uma deformidade, uma caricatura macabra da Aliança divina. Ou seja, Lameque promove uma aliança demoníaca.
Esse tipo de aliança é muito mais grave do que o chamado “pacto com o demônio”. Não é algo imediatista, para ganhar algo (e perder tudo). Mas é uma relação profunda e sem volta com Satanás. Uma servidão escolhida e abraçada por ele livremente.
“E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse”. (Gn 4:15)
Aqui o texto em Hebraico diz, “E colocou o Senhor em Caim um sinal“. Há muita especulação sobre o que seria esse sinal, mas o que podemos dizer é que geralmente na Bíblia, “um sinal“ significa algo que é miraculoso, que aponta para o futuro. A marca de Caim não era algo físico, não era a cor da pele, não era a raça, não era algo no DNA, era o pronunciamento de Deus a respeito da sua descendência, dizendo que ninguém o mataria e que ele frutificaria na terra, deixaria uma geração.
O fato é que Deus poderia ter acabado com Caim, ali mesmo, pois ele era merecedor de um castigo capital por tentar enganar o Criador, o dono da vida. Mas a misericórdia do Eterno foi muito grande.
5 - Conclusão
Nos dias atuais, as coisas não são muito diferentes. O diferencial é que, ao contrário daquele tempo, em que a linhagem de Caim é praticamente deixada de lado como uma insignificante parte da humanidade, as atitudes do mundo moderno não deixam dúvidas: a linhagem de Caim hoje é numerosa e poderosa, dominando os meios de comunicação e cultura, e se espalhando pelo povo com poucas barreiras pelo caminho.
É fácil comprovar essa afirmação. Pelas ações reconhecemos a quem a pessoa serve.
O que mais tem acontecido nos tempos modernos, senão a mais completa degradação?
A história de Lameque, sua poligamia e violência, confirma o que a Tradição sempre afirmou: a luxúria, quando desmedida e sem limites, vem sempre acompanhada de violência.
A quem vamos servir? Que caminho escolheremos para a nossa vida? Qual é o impacto dessa escolha para a nossa vida e para o próximo? Esse é o tipo de pergunta que não fazemos, pois queremos viver de prestígio, cobiça, e prazer. Sintomas compatíveis com a marca de Caim.


sábado, 7 de julho de 2018

O Jugo de Cristo


“Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.”. (Mateus 11:28-30 - NTLH)

1 - Introdução

Jugo éuma peça feita de madeira que é utilizada para unir dois bois, para que ande no mesmo compasso enquanto puxam um arado ou uma carroça.
Mas também era uma espécie de forca, por baixo da qual os romanos faziam passar os inimigos vencidos nas batalhas.
No sentido figurado, jugo significa submissão, obediência, autoridade, domínio, opressão, sujeição.
E no original da palavra em hebraico (tsé·medh) ou no grego (zy·gós, zeú·gos), significa juntar, unir, amarrar, parelhar.
Outro termo hebraico (moh·táh, pau de jugo) é associado com jugos (Lv 26:13; Is 58:6, 9;  Ez 30:18; 34:27), e em 1 Crônicas 15:15 refere-se aos varais usados para carregar a Arca, ou como barra carregada nos ombros das pessoas com fardos suspensos em ambas as pontas (Is 9:4;  Je 27:2; 28:10,12 e13)







2 - Contexto Histórico

Esta fala de Jesus a respeito do jugo era uma fala muito comum e conhecida naquele tempo no contexto das escolas rabínicas de sua época, onde cada rabino tinha seu próprio jugo.
Eles viviam de discutir, interpretar e de oferecer recomendações práticas de como guardar a lei.
A este conjunto de regras dava-se o nome de jugo, onde cada rabino tinha o seu.
E funcionava da seguinte maneira:

Sobre a guarda do sábado, a lei de Moisés dizia:
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou”. (Êx 20:8-11)
Os rabinos interpretavam esta lei da seguinte maneira:

1 - Caminhar mais de 5 km no sábado era considerado trabalho
2 – Outro, dizia não, trabalhar no sábado é caminhar mais do que 8 km.
3 – E o terceiro dizia: Não, 8 km sem peso se forem com peso só podem caminhar 5 km.

Da mesma forma acontecia em assuntos coditianos:

Se a sua casa pegar fogo no sábado, você poderia retirar as coisas pra livrar do incêndio ou você teria que deixar tudo lá?
E um dizia: Você só pode tirar da sua casa aquilo que você puder carregar no seu corpo, tipo vestir 4, 5túnicas. Mas não pode carregar nada com as mãos. Porque vestir não é trabalho, mas carregar com as mãos é.

Então, as discussões eram as mais inusitadas e os rabinos iam aos extremos do detalhamento para a observação da lei.

Como foi mencionado por Jesus em Mateus 12:11 sobre livrar um animal do abismo no dia de sábado.

Uma das questões mais interessantes que estão presentes e relatas no NT é, por exemplo, a questão do divórcio.
Em Mateus 19:3-9 - Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe:


"É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? "

Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu ninguém o separe". Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma carta de divórcio à mulher e mandá-la embora? " Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio.Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério".

Mas o que eles queriam saber era se Jesus era favor do divórcio por qualquer motivo ou não.
Por trás dessa pergunta pra Jesus estava um debate em sua época entre duas grandes escolas rabínicas: a do rabino Hillel, um rabino liberal que dizia:.
Se sua mulher não fizer a comida que lhe agrade, você pode se divorciar dela.
E a do rabino Shamai, que dizia, não, o divórcio só é permitido em caso de pornéia. Apenas na violação da unidade de uma só carne (quer dizer, do adultério)
Aí Jesus quis dizer que concordava com Shamai, pois Hillel era muito liberal.
Em outras palavras eles queriam saber de qual jugo, de qual rabino, Jesus pertencia.
Então isso de ter um jugo era algo muito comum entre os judeus, pois significava que a pessoa estava debaixo de uma recomendação da Torá, de uma interpretação da lei de Moisés, de uma autoridade.

Então Hillel tinha seu jugo e seus seguidores, Shamai tinha seu jugo e seus seguidores, e agora Jesus vem e diz assim: “Tomem sobre vocês o meu jugo”.
Ele estava dizendo que os rabinos tinham as suas interpretações da lei, mas que ele  também tinha a Sua interpretação da lei.
Jesus não estava dizendo que os fariseus ensinavam errado, pelo contrário, havia muitos ali fiéis a Torá, mas que também havia ensinamentos errados.

Em Mateus 23:2-4 diz: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”.

3 - Jesus não foi Reconhecido como um Rabino Oficial.

Em Israel, as crianças iam para as escolas aos 6 anos de idade.  Aos 10 anos já conheciam de cor a Torá (Gênesis, êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio).
Alguns, depois de 10 anos, iam pra casa aprender uma função com o pai, outros, eram escolhidos para continuar os estudos até os 14 anos, quando aprendiam os livros históricos, poéticos e proféticos, tornando-se um talmidim (discípulos de um rabino) e aprendendo um pouco da tradição oral de Israel.

Por isso, quando Jesus estava no templo debatendo com os rabinos com apenas 12 anos, não era uma cena impressionante em Israel, pois fazia parte do costume judaico que perdura até hoje, chamado de bar-mitzvah.
O impressionante foi que Jesus os deixou em uma situação delicada, pois lhes fazia perguntas das quais ele também respondia deixando-os maravilhados (Lc 2:41-47)

Mas o estranho, era que Jesus não foi convidado a continuar na escola.
Lemos em Lucas que ele só estava no templo porque havia subido a Jerusalém com seus pais para comemorar a páscoa.  E na sua fase adulta era conhecido como filho carpinteiro.

Então Jesus não era um rabino oficial, ele não tinha esse título conquistado pela escola rabínica, mas muitas pessoas o chamavam assim: (Mc 4:38; 5:35; 9:5; 9:17; 10:17; 10:35; 12:14; 12:32; Lc 7:40; 9:38; Jo 1:38; 3:2; 9:2;  13:13)

Um outro exemplo de rabino e seus talmidins que vemos no Novo testamento está na história de  Paulo e de como foi instruído por Gamaliel, um rabino que era neto de Hillel, e que dava aulas na escola rabínica de seu avô.
A perseguição de Paulo aos cristãos era devido ao zelo com as escrituras e em querer fazer o certo, achando que mais uma seita herética havia surgido em Israel.
Por isso, Gamaliel se levantou para defender os apóstolos, dizendo: Deixem que eles preguem não os matem, pois se de fato falam de Deus, não poderemos matá-los e trazer sobre nós juízo, mas se for mais uma seita que surgiu, por si só acabará como tantas outras acabaram (At 5:33-34 e 38-39)

Para se tornar um rabino eram usados critérios selecionados, e para ter discípulos também.
Quando surgia alguém oferecendo uma interpretação diferente da lei de Moisés,os rabinos se reuniam, faziam questionamentos, e decidiam se essa pessoa podia ser rabino ou não, se ele poderia ter seu jugo ou não. Para isso, também existia o Sinédrio (assembleia judia de anciãos da classe dominante à qual diversas funções políticas, religiosas, legislativas, jurisdicionais e educacionais foram atribuídas).

Quando um rabino recebia essa autoridade, que lhe era conferida por no mínimo três outros rabinos, se dizia que um novo rabino, que agora tinha seu próprio jugo, havia recebido  as chaves do reino, e autoridade pra ligar e desligar, proibir e permitir,

Em Mateus 16:19, Jesus diz a Pedro, depois que este afirma que Cristo era o filho de Deus...

“Eu darei a ti as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra haverá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, haverá sido desligado nos céus”.

Aqui Jesus está dizendo que Pedro continuaria pregando a Sua mensagem, repassando o Seu jugo aos outros e formando outros discípulos, depois que Ele partisse. Que Pedro havia sido aprovado.
Aqui Jesus não lhe passa a autoridade rabínica, mas a autoridade apostólica.


4 - Então, o que acontecia no tempo de Jesus?

Vamos supor que existissem três rabinos: Hillel, Shamai e Isaque, e eu estivesse caminhando num sábado com uma sacola.
Então uma pessoa dissesse:
Ei, você está quebrando a lei do sábado.
E eu respondesse: Não estou não, porque o meu rabino Isaque disse que eu posso caminhar até 3 km com peso.

Então ele pergunta: Quem é esse rabino Isaque aí?
E ele iria se certificar quem era esse rabino e se ele de fato tinha autorização para ter seu jugo e formar discípulos.

Jesus foi chamado de Rabi pelo povo, Nicodemos, um farizeu o chamou de rabi.
Por isso, os farizeus rodeavam Jesus e o interrogavam a toda hora tentando achar falhas Nele perante a lei.
E também por isso o povo o seguia, pois achava que Jesus era um rabino mais liberal.
Pois Jesus conversava com prostitutas (Lc 7:36-50), tocava em leprosos (Mc 1:40-45), freqüentava casa de publicanos (Mc 2:15), abençoava estrangeiros (Mc 7:24-30), curava cegos de nascença (Jo 9:1-10:21), permitia que os discípulos comessem sem lavar as mãos (Mt 15:2-11)...

Até que eles começam perceber algumas diferenças na pregação de Jesus;


“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento

Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. “Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”. (Mt 5:21-28)



E eles começam a ver que as interpretações de Jesus não eram tão suaves como pensavam, e começam deixá-lo (Jo 6)
É quando Pedro diz: “Mestre, dura é sua palavra...”

Trocar o jugo com Jesus implicava em deixar ensinamentos e conceitos do tempo e passar a seguir os mandamentos de Deus segundo a interpretação de cristo, à maneira que Ele vivia. E isso não era tão fácil.
A forma com que os fariseus eram exortados por Jesus mostrava o quanto suas interpretações da lei eram falhas e o quanto seus ensinamentos se equivocavam com suas atitudes.
Jesus queria mais de seus discípulos.
Jesus queria que eles vivessem a plenitude daquele evangelho (boas novas de salvação).
Jesus queria direcionar o povo de forma que não mais fossem conduzidos por pesados fardos de engano, mas agora pelo fardo suave da verdade que os levassem a uma vida reta e justa. Mas esse jugo lhes causou comichões nos ouvidos (2Tm 4:3)



5 - Conclusão

Hoje nós temos encontrado muitas interpretações das escrituras.
Versículos isolados que tem trazido heresias para o meio da igreja, trazendo conceitos mundanos e transformando a Palavra de Deus em um livro de múltiplas interpretações.
Precisamos continuar seguindo o nosso mestre Jesus Cristo.
Lendo as instruções deixadas por Ele nas escrituras e rebatendo toda hipocrisia gospel que tem surgido.
Precisamos parar de procurar mestres, pois já possuímos um e já temos sobre nós o Seu jugo que é a nossa referência de direção, autoridade, a ferramenta que nos deixa no caminho certo.
Não tire o jugo e nem se deixe acreditar nas teorias que dizem que Cristo já levou o jugo embora.
Ele não levou o jugo, Ele mandou tomar o Dele e carregar, pois é suave, e o fardo, que seria a bagagem, também é leve.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Evangelismo Criativo

Vivemos no tempo onde versículos foram transformados:


Vinde 

mundo,

ouvir o evangelho

pregado nos púlpitos.


(NVB 2018)

Ao invés de:


”Ide 

por todo o mundo e

 pregai o evangelho 

a toda criatura”.
(Marcos 16:15)





Evangelizar não é opção, é ordem.

" Eu não tenho o direito de ficar orgulhoso por anunciar o evangelho.
Afinal
de contas,
fazer
isso é minha obrigação.
Ai
de mim se não anunciar o evangelho!  

(1 Coríntios 9:16)




O que Ele mandou você fazer, ninguém pode fazer em seu lugar, nem Ele.
“Se Eu disser que um homem mau vai morrer, mas você não
o avisar para que mude o seu modo de agir e assim salve a sua vida, aí ele morrerá, sendo ainda pecador. Nesse caso, Eu considerarei você como responsável pela morte dele”. (Ezequiel 33:8)


A obediência gera bônus

"Portanto, todo aquele que Me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de Meu Pai, que está nos céus." (Mateus 10:32)

A desobediência gera castigo

Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam”.

(Mateus 5:13)





Todos fomos chamados e capacitados pelo Espírito Santo para pregar o evangelho.
Seja pra um, dez, cem, mil ou milhares de pessoas.
A nossa missão é cumprir o IDE, não importa como

Mas não é porque
temos de fazer
que faremos
de qualquer jeito.

1 - Não devemos ser inconvenientes na pregação do evangelho.

2 - Use seu testemunho como base da sua pregação.

3 - Pregar o evangelho de ser tão natural quanto seu bom dia.

4 - Esteja preparado para confrontos.

Agora, se você quer algo criativo,
existem várias formas
de EVANGELIZAR.
Vamos ver algumas delas?



“Porquanto não me envergonho
do Evangelho, porque é o poder
de Deus para a salvação de todo aquele que Nele crê...”
(Rm 1:16)



“Pregue a Palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina”. (1 Tm 4:2)




“Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação, que diz a Sião: Teu Deus reina!” (Is 52:7)



Dinâmica: CASA, MORADOR E TERREMOTO
(Tipo Coelhinho sai da Toca)
  

Descrição: 

O ANIMADOR pede para que se formem os trios, sendo que em cada trio ficam duas pessoas, uma de frente para outra, de mãos dadas e a terceira pessoa no meio das duas.
Depois de formado todos os trios têm que ficar sobrando uma pessoa (somente uma
pessoa).
O ANIMADOR vai descrevendo os papéis de cada um.
Aqueles que estão no trio no meio das duas pessoas serão os MORADORES, os que estão de mãos dadas serão as CASAS e aquele que sobrou deverá, após o comando, fazer parte de uma CASA ou ser um MORADOR .

Os comandos:

1) Quando o ANIMADOR falar MORADOR, aí os MORADORES de cada trio deverão sair de suas CASAS e procurar outra, aquele que estava de fora aproveitará e procurará uma nova
CASA
.

2) Quando o ANIMADOR falar CASA, as CASAS deverão deixar seus MORADORES e procurar outro MORADOR mas só pode sobrar uma pessoa, se sobrar duas pessoas os integrantes da CASA poderão virar um MORADOR .

3) Quando o ANIMADOR falar TERREMOTO aí vai ser uma bagunça geral, tanto os MORADORES
quanto as CASAS deverão se desmanchar por completo e formarem novas CASAS e novos MORADORES .


Possíveis questionamentos:

- Quem só entendeu a dinâmica depois de participar?
Muitas pessoas só entenderão o evangelho à medicada que forem participando, convivendo com a fé. Nem todo mundo é igual, da mesma forma que a forma de evangelizar também não será.

- Alguém percebeu algum tipo de predileção, vantagem ou combinação, tipo panelinha, para que um amigo mais próximo não sobrasse?
Não podemos escolher pra quem devemos pregar. A ordem é “por todo mundo”, não é justo escolher quem deve ser alcançado pela graça de Deus.

- Alguém ajudou algum amigo tímido a participar da dinâmica?
É louvável ajudar os mais fracos na fé, assim como ir a lugares ou pessoas aparentemente difíceis, é uma atitude bendita.

VideoBar

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