quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Lição 11: Profetas Maiores - Jeremias

Autor: Jeremias
Data: 630 e 580 AC.
Alvo: Povo de Judá
Contemporâneos: Habacuque, Sofonias, Ezequiel e Daniel.

“E Deus continuou: — Jeremias, se você me chamar, eu responderei e lhe contarei coisas misteriosas e maravilhosas que você não conhece”. (Jeremias 33:3 – NTLH)

1 – Introdução

Jeremias é um dos poucos livros do Antigo Testamento que podemos ter informações completas sobre sua composição. Deus o mandou registrar suas profecias depois de vinte anos (36:1-3) em 605 a.C, o ano que a Babilônia leva cativa o primeiro grupo de judeus. Jeremias convoca Baruque como secretário para ajudá-lo na redação do livro (36:4), que depois foi lido diante do rei Jeoaquim. Em virtude de o rei ter queimado a primeira versão outra cópia do livro foi feita (36:32), e provavelmente tratava-se dos capítulos 1 a 25 de Jeremias. Esta parte do livro está redigida em primeira pessoa e é geralmente chamado de Livro 1. Há ainda outras duas coleções de palavras de Jeremias, chamadas de Livro 2 (capítulos 30 e 31) e Livro 3 (capítulos 46 a 51).
Entre os livros um, dois e três há trechos biográficos citando Jeremias na terceira pessoa, enfatizando o final do seu ministério. Estes trechos são considerados adições posteriores realizadas por Baruque, tal qual o capítulo 52, que também é uma adição posterior, uma vez que Jeremias 51:64 afirma: “Aqui terminam as palavras de Jeremias”.

2 – Quem foi Jeremias

Jeremias aparece no cenário histórico 53 anos depois de Isaías ter morrido.
Era um jovem de vinte e dois anos quando começou seu ministério, e tão relutante em se tornar porta-voz de Deus quanto Moisés havia sido antes dele (Êx 3.10--4.17). Era Benjamita (habitava na tribo de Benjamim) e membro de uma família sacerdotal de Anatote (Anate), uma localidade que ficava alguns poucos quilômetros ao norte de Jerusalém.
Jeremias nasceu no ano 650 a.C., e foi chamado para ser profeta de Deus em 628 a.C (2 Rs 22--25; 2Cr 34—36) fornecem o contexto histórico das profecias de Jeremias.
Mas de uma coisa ele não tinha dúvida. Sua mensagem era uma palavra do próprio Deus. "A mim veio a palavra do Senhor" é um refrão que se repete no livro, do início ao fim. Nisto se baseava sua certeza e era isto que o impelia em sua missão.
Jeremias logo recebeu uma visão (11-19). Deus mostrou e explicou ao profeta o que Ele iria fazer e como Jeremias deveria dizer ao povo. Eles não estariam dispostos a ouvir. Estariam contra Jeremias desde o início. Mas Deus o protegeria.
Pelo fato da mensagem de Jeremias ser extremamente pessimista ele foi acusado de ser um falso profeta. Isto foi ainda mais agravado em virtude de existirem outros muitos profetas que anunciavam paz e prosperidade (14:11-26; 23:9-40; 28:1-17). Jeremias nos dá a entender que cria nesta acusação (20:7-10) e reclamou com Deus que seria uma injustiça se o mentiroso não fosse castigado e a falsa profecia ganhasse destaque, uma vez que o povo não tinha condições de saber qual era de fato a verdadeira profecia. Por causa desta atitude Deus repreendeu Jeremias convocando-o ao arrependimento e prometendo segurança contra seus inimigos (15:15-21).
Jeremias, freqüentemente chamado de “o profeta das lágrimas”, ou “profeta chorão”, era um homem com uma mensagem severa, mas de coração sensível e quebrantado (8.21—9.1). Seu espírito sensível tornou mais intenso o seu sofrimento, à medida que a palavra de Deus ia sendo repudiada por seus familiares e amigos, pelos sacerdotes e reis, e pela totalidade do povo de Judá. Embora fosse solitário e rejeitado durante toda a sua vida, Jeremias não deixou de ser um dos mais ousados e corajosos profetas. Apesar da grande oposição, cumpriu fielmente sua chamada profética para advertir seus concidadãos de que o juízo divino estava às portas. Resumindo a vida de Jeremias, certo escritor disse:
“Nunca foi imposto sobre um homem mortal fardo mais esmagador. Em toda a história da raça judaica, nunca houve semelhante exemplo de intensa sinceridade, sofrimento sem alívio, proclamação destemida da mensagem de Deus e intercessão incansável de um profeta em favor do seu povo como se observa no ministério de Jeremias. Mas a tragédia de sua vida foi esta: pregava a ouvidos surdos e só recebia ódio em troca do seu amor aos compatriotas” (Farley).
Jeremias não foi o único profeta da sua época. Entre seus contemporâneos estavam Habacuque e Sofonias, bem como Ezequiel, que se encontrava entre os exilados na Babilônia. (A história de Daniel se passa na corte da Babilônia, começando em 605 a.C.) Mas Jeremias se destaca. Era uma figura solitária, alguém que ficou isolado por trazer uma mensagem de Deus que o tornava cada vez menos popular e que foi rotulado de traidor por defender a submissão à Babilônia. Ele foi preso e, muitas vezes, foi ameaçado de morte. Mas este homem sensível e inseguro jamais transigiu no que dizia respeito à mensagem de Deus. Ele não conseguia deixar de declarar o terrível destino que previa para o seu povo, e lamentou sua obstinada recusa em dar ouvidos.
Depois de profetizar durante vinte anos a Judá, Jeremias foi ordenado por DEUS a deixar a sua mensagem por escrito. Assim o fez ao ditar suas profecias a seu fiel secretário, Baruque (36.1-4). Visto que Jeremias estava proibido de comparecer diante do rei, enviou então Baruque para ler as profecias no templo. Depois disso, Jeudi as leu diante do rei Jeoaquim. 
O monarca demonstrou desprezo a Jeremias e à palavra do Senhor ao cortar e queimar o rolo (36.22,23). Jeremias voltou a ditar suas profecias a Baruque, e dessa vez incluiu até mais do que estava no primeiro rolo. 
Assim como Ezequiel, Jeremias pratica várias ações simbólicas a fim de ilustrar de modo claro a sua mensagem profética:
·         O cinto podre (13.1-14) – Simbolizava que o orgulho de Judá seria ferido.
·         A proibição divina de não se casar ou ter filhos naquele lugar (16.1-9) – Deus resguardou Jeremias e sua descendência da tragédia pela qual o povo de Judá passaria.
·         O oleiro e o barro (18.1-11), o vaso do oleiro, que se fragmentou (19.1-13) – Simbolizava o trabalho de Deus para com o povo de Israel na história da nação.
·         Os dois cestos de figos (24.1-10) – Simbolizavam os remanescentes de Judá, os quais Deus guardaria da morte, da seca e das pragas e os faria retornar do exílio (Jr 21:8-10; 29:5-7; 52:28-30)
·         O jugo no seu pescoço (27.1-11) – Simbolizava a ordem de Deus ao povo de Judá, que era de submissão à Nabucodonozor e a Babilônia para o seu próprio bem.
·         A compra de um terreno na sua cidade natal (32.6-15) – Simbolizava a volta de Jerusalém como centro comercial.
·         E as grandes pedras colocadas no pavimento de tijolos de Faraó (43.8-13) – Simbolizava o forte alicerce do Império Babilônico e seu crescente governo.



A compreensão clara que Jeremias tinha da sua chamada profética (1.17), juntamente com as freqüentes reafirmações de Deus (3.12; 7.2, 27,28; 11.2, 6; 13.12,13; 17.19,20), capacitaram-no a proclamar com ousadia e fé a palavra profética a Judá, apesar de esta nação sempre reagir com hostilidade, rejeição e perseguição (15.20,21). Após a destruição de Jerusalém,
Jeremias recebeu a oferta de uma vida confortável na corte, mas em vez disso preferiu permanecer em Judá. Quando Gedalias (o governador designado por Nabucodonosor) foi assassinado, o povo fugiu para o Egito, levando Jeremias consigo. Pelo que sabemos, ficou no Egito até o final da vida, ainda anunciando as palavras de Deus àqueles que se recusavam a ouvir (caps. 43 e 44).
Seu ministério durou 41 anos.

3 - Contexto Histórico

Josias era o rei de Judá na ocasião. Começou reinar com oito anos de idade e em 628 a.C, quando tinha vinte anos de idade, iniciou a  reforma religiosa (2 Cr. 34:3-7). O chamado de Jeremias ocorreu neste período, que também foi marcado pela morte de Assurbanipal, o último grande imperador assírio. Com a morte de Assurbanipal, o império assírio se enfraqueceu e a Babilônia começou a ganhar destaque no cenário internacional. De acordo com os oráculos de Jeremias a Babilônia representava o perigo iminente que vinha do norte (Jr. 4). Por isso, em virtude da reforma religiosa de Josias e o fortalecimento da Babilônia no Antigo Oriente Médio a mensagem de Jeremias foi de esperança  e de perigo respectivamente.
A esperança da reforma religiosa morreu com Josias na batalha contra o Egito e os filhos de Josias, nos 25 anos seguintes, apenas pioraram a situação do reino do Sul, Judá. A Babilônia conquistou a Assíria e colocou Judá sob seu controle. A primeira fase da conquista babilônica aconteceu em 597 a.C. em virtude da rebelião do rei Jeoaquim. Seu filho Joaquim foi deportado à Babilônia, junto com o profeta Ezequiel. Neste ínterim alguns falsos profetas começaram a proclamar melhorias na situação vivida por Judá, entretanto Jeremias afirmou que o pior ainda estaria por vir.
Após a rebelião de Zedequias contra o domínio babilônico em 589 a.C, após 3 anos de cerco a Jerusalém a conquista e destruição final ocorreu em 586 a.C. Nabucodonosor era o imperador da Babilônia nesta ocasião. Depois da destruição e deportação de parte da população, Jeremias permaneceu em Judá junto com os pobres e o povo da terra.
Já o contexto religioso em que viveu o nosso profeta é particular. O povo pensava que a presença de Deus garantisse a própria proteção contra todas as catástrofes. De fato muitos acreditavam que, enquanto Samaria foi destruída, Deus tinha livrado milagrosamente Jerusalém da guerra (2 Reis 19,35; Isaias 36,37), pois nela estava o seu templo. Por isso, no tempo de Jeremias, o povo tinha a convicção que a presença de Deus no seu meio lhe protegeria de seus inimigos. Jeremias anuncia que tal confiança, sem nenhuma atitude pessoal, será a destruição de Jerusalém.

Estes foram os reis de Judá no tempo de Jeremias

4 - Propósito e conteúdo

O objetivo primário do livro de Jeremias era transmitir os oráculos de julgamento e consolação de Javé, mas também narrar um pouco dos conflitos internos do profeta e seu relacionamento conturbado com o povo de Israel e com Deus. Embora os capítulos 11 a 20 tratem sobre o profeta Jeremias podemos observar a forma com a qual Deus interage com as reclamações humanas. Logo, os problemas de Jeremias são destacados para mostrar como Judá respondeu às profecias e como a rejeitaram. Esta rejeição à mensagem de Jeremias aumentou a culpa do povo diante de Deus.
Em Jeremias encontramos quatro tipos de oráculos:

·         Acusação - Os oráculos de acusação estão descritos nos capítulos 5 a 9 e a acusação mais grave é que o povo de Judá havia abandonado a Deus e adorado ídolos (Jr. 2:5 – 3:5). A injustiça e o uso inadequado do templo e dos sacrifícios também são citados como desvios graves da      aliança (5:20-31; 7:8-31)
·         Julgamento - Os oráculos de julgamento são os mais abundantes em todo livro. Estes oráculos são dirigidos a toda nação e não apenas a uma parcela da sociedade. Podemos perceber certa conformidade entre estes oráculos e as maldições descritas em Deuteronômio 28:15-68 (Jr. 11:8).
·         Instrução - Há poucos oráculos de instrução, menos de dez, pois o povo sabia o que era requerido em relação à Aliança firmada entre os hebreus e Deus. Portanto estes oráculos eram um convite ao arrependimento e retorno para o Senhor (3:12-13), além da mudança de procedimentos (7:3-7). Nestes trechos de instrução Jeremias inclui comparações entre a soberania de Deus e os ídolos que os israelitas haviam adorado (10:2-16).
·         Conseqüências - Os oráculos de conseqüência e seu objetivo está sintetizado em Jr 29:11 com a mensagem de retorno do exílio (29:10) e a nova aliança (31:31-34). Jerusalém seria reconstruída (30:18), o povo retornaria a Deus (29:12-14) e um rei descendente de Davi estaria no governo (33:15-26).

 

5 - A maldição de Jeconias (ou Joaquim)


Visto que o decreto de Deus em Jeremias 22:30 impedia que algum descendente de Joaquim (Jeconias, ou Conias – dependendo da versão) jamais ocupasse o trono de Davi, não anularia isso qualquer direito de José de conferir a Jesus o direito legal ao Reino? O decreto de Deus concernente a Joaquim:
“ Inscrevei este homem como sem filhos, como varão vigoroso que não terá bom êxito nos seus dias; pois, dentre a sua descendência, nem um único será bem sucedido, sentado no trono de Davi e governando ainda em Judá.”
Este decreto impedia qualquer descendente de Joaquim de algum dia governar no trono de Davi em Judá. Mas não impedia a linhagem real e os privilégios hereditários de passar por Joaquim e seus descendentes até José, e daí a Jesus. Não impediria Jesus de cumprir outro decreto de Deus com respeito à coroa de Davi: “Certamente não virá a ser de ninguém, até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.” (Ezequiel 21,27) Por quê? Porque Jesus, que recebeu “o direito legal”, não reinaria num trono em Judá, mas nos céus.
Durante o cativeiro em Babilônia, Joaquim tornou-se pai de sete filhos, inclusive Sealtiel e Pedaías. Mas, visto que nenhum descendente de Joaquim jamais se sentou no trono de Davi para governar em Judá, foi como se ele fosse cancelado como “sem filhos”. Contudo, Mateus inclui Jeconias (Joaquim), Selatiel e Zorobabel, entre outros, ao alistar a genealogia de Jesus. Não importava se eles pessoalmente estavam impedidos de reinar em qualquer trono terrestre. Além disso, não representou problema para Lucas e outros judeus do primeiro século o fato de que a genealogia de Maria também podia remontar a Joaquim, por meio de Selatiel. — Mateus 1,11-12; Lucas 3,27.
Ao se estabelecer as credenciais de alguém que afirmasse ser o Messias, ou o Ungido de Deus, seria muito importante os judeus poderem remontar sua genealogia à linhagem real dos reis da casa de Davi. (Veja João 7,40-42; Atos 2,30) A linhagem legal através de José (compilada por Mateus) e a linhagem natural (compilada por Lucas), cada uma remontando a Davi por rotas diferentes, servem ambas para corroborar que Jesus possui claramente as credenciais genealógicas para ser o Messias, Aquele que herdaria o trono de Davi.
Lucas achou importante registrar que Maria foi “prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi”, e que ele era “membro da casa e família de Davi” (Lucas 1,27; 2,4) É significativo, portanto, que o anjo de Deus, ao dar orientações a José, dirigiu-se a ele com as palavras: “José, filho de Davi.” Informou-lhe o seguinte a respeito do filho que Maria daria à luz: “Terás de dar-lhe o nome de Jesus”, indicando que se esperava que José adotasse o menino e o circuncidasse como seu próprio filho adotivo. (Mateus 1,20-21) E a Maria, Gabriel declarou com respeito a Jesus: “o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Lucas 1,32-33.
Quando na terra, Jesus foi aclamado como o “Filho de Davi”, mas ele não tentou iniciar seu reinado enquanto estava na terra. (Mateus 9,27; 21,9.15) Herdou tudo o que o reinado terrestre de Davi chegou a abranger, no que tange a privilégios reais, súditos e território, mas ele herdou muito mais de seu Pai celestial. O reino terrestre de Davi era apenas um pequeno modelo do que seria o reino celestial de Jesus ao governar a terra inteira. (Daniel 2,44; 7,13-14) Após sua morte e ressurreição, Jesus foi enaltecido ao trono de Deus nos céus. E, embora sua genealogia terrestre, tanto por meio de José como por meio de Maria, possa remontar a Joaquim, reinar Jesus num trono celestial não viola de maneira alguma o decreto de Deus. Pedro confirmou isto por mencionar o que Davi escreveu sob inspiração:
“Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono. Prevendo isso, falou da ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição. Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato. Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem. Pois Davi não subiu ao céu, mas ele mesmo declarou: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos como estrado para os teus pés’. "Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês cruscificaram, Deus o fez Senhor e Cristo". (Atos, 2:30-36)

“O Senhor disse ao meu Senhor: "Senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um estrado para os teus pés". O Senhor estenderá o cetro de teu poder desde Sião, e dominarás sobre os teus inimigos!” (Salmo,110: 1-2)

6 – Um Breve Resumo de Lamentações

O livro de Lamentações foi atribuído ao profeta Jeremias desde tempos antigos, e reflete a profunda tristeza de uma série de cantos fúnebres ao ver Jerusalém castigada por Deus pelas mãos dos babilônios. Jeremias dedicou a sua vida ao trabalho de avisar os judeus do julgamento iminente em conseqüência de séculos de rebeldia contra Deus, mas não sentiu nenhum prazer no cumprimento de suas profecias. Ele sofreu com o povo, chorando pela dor de uma nação que se tornou indefesa diante do castigo severo.
Alguns fatos ajudarão na leitura deste livro. Em termos históricos, devemos lembrar que a queda de Jerusalém aconteceu por etapas. Em 605 a.C., o primeiro grupo de cativos foi levado para a Babilônia. Em 597 a.C., a segunda leva foi tirada da sua terra e levada para a Babilônia. Por final, em 586 a.C., a cidade (incluindo o templo de Salomão) foi destruída e os sobreviventes, com exceção de Jeremias e alguns pobres, foram levados ao cativeiro. Algumas observações sobre o vocabulário do livro podem esclarecer o sentido. Sião se refere ao monte principal de Jerusalém e se torna sinônimo de Jerusalém. A filha de Sião, expressão que aparece oito vezes nestes cinco capítulos, identifica o povo de Judá ou Israel.
Na tradução deste livro do hebraico a outros idiomas, facilmente se perde uma das suas características interessantes. Os primeiros quatro capítulos contêm 22 estrofes cada. Nos capítulos 1, 2 e 4, correspondem aos 22 versículos de cada capítulo. No capítulo 3, são 22 estrofes de três versículos cada, dando um total de 66 versículos. Estes quatro capítulos são poemas acrósticos, onde cada estrofe inicia com uma letra do alfabeto hebraico. Em nossas Bíblias, por coincidência, o capítulo 5 também contém 22 versículos, mas este último capítulo não segue o formato acróstico, pois facilitava a memorização, já que o povo hebreu tinha uma forte tradição oral, e este método ajudava no processo de disseminação da histórica catástrofe que abateu Jerusalém.
Lamentações deve ser lido todos os anos no nono dia do mês de Abe (entre 26/08 a 26/09), como recordação da destruição do Templo de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a.C. e por Tito em 70 d.C.
O livro é uma reação da alma sobre a destruição de Jerusalém pelo exército babilônico em 587 a.C. O registro histórico dessa destruição está em 2 Rs. 24 e 25 e 2 Cr. 36. Durante dois séculos os profetas procuraram alertar a nação de Israel sobre o julgamento iminente, entretanto os ouvidos do povo se acostumaram com as ameaças e seu coração endureceu-se. Em virtude da demora no julgamento, o povo ficou com uma falsa impressão de segurança (Jr. 6:13-14; Jr. 7:1-4). O livro mostra de maneira poética o horror que a invasão babilônica representou para o povo hebreu e como Deus tornou-se como um inimigo de Israel (Lm. 2:2-5).


7 – Conclusão

O livro de Jeremias explica e valida a causa do exílio de Judá, pela sua própria recusa pecaminosa em ouvir e retornar para Deus, e anuncia o esperançoso destino futuro daqueles que estão na Babilônia, baseado em uma nova aliança.
A bíblia nos afirma, o tempo da graça tem o seu final. Na vida da humanidade como um todo, e na vida de cada pessoa, individualmente.
No capitulo 18:4, aprendemos que um vaso pode ser remodelado, enquanto o barro ainda está molhado. Todavia depois de seco, só presta para ser quebrado e enterrado (19: 10-11). Aproveitemos o tempo da graça enquanto podemos ser remodelados. Haverá um tempo que isso não mais será possível. Tomemos como exemplo a experiência de Esaú – “E tome cuidado também para que ninguém se torne imoral ou perca o respeito pelas coisas sagradas, como Esaú, que, por causa de um prato de comida, vendeu os seus direitos de filho mais velho. Como vocês sabem, depois ele quis receber a bênção do seu pai. Mas foi rejeitado porque não encontrou um modo de mudar o que havia feito, embora procurasse fazer isso até mesmo com lágrimas”. (Hb 12:16-17)



Debate em Grupo:

1 - O que quer dizer o texto de Jeremias 31:29-30?

A epístola aos hebreus ensina que Cristo estabeleceu a nova aliança através do Seu sacrifício perfeito e final pelo pecado (Hb. 7:22; 8:7-13; 10:15-22; cons. II Co. 3:5-14).

2 – O que quer dizer Jeremias 3:16-17?

A presença do Senhor entronizado não vai requerer nenhum símbolo adicional da sua presença (a arca como o trono de Deus) ou da sua lei (v. 15, 17); que prefigura o novo Israel com a nova Jerusalém (G. 4.26; 6.16; Hb 12.22; Ap 21.12,14,22). A glória de Deus vai ser um testemunho evidente atraindo todas as nações (3.17; 4.2).

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Lição 10: Profetas Maiores - Isaías

Autor: Isaías
Data: 740 a 680 a.C
Escreveu para: Reis e Povo de Judá antes do Exílio.
Contemporâneos: Oséias e Miquéias

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Isaías 6:8)

1 – Introdução

O livro de Isaias é considerado uma mini bíblia haja vista que como a bíblia possui 66 livros o livro de Isaias tem 66 capítulos. Nos primeiros 39 capítulos falam exclusivamente da lei de juízo e castigo divino e é essencialmente dirigido aos judeus já nos 27 capítulos finais falam de graça salvação e da volta do Messias e também atinge aos gentios assim como a bíblia no antigo testamento falam de juízo e no novo fala de graça.
Pode-se afirmar que Isaías é o profeta quem mais fala sobre a vinda do Messias, descrevendo-o ao mesmo tempo como um servo sofredor que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça. Por isso, um dos capítulos mais marcantes do livro seria o de número 53 que menciona o martírio que aguardava o Messias:
"Mas ele foi ferido pelas nossas, transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5).
O Novo Testamento faz mais de 400 citações de seu conteúdo. 

2 - Quem foi Isaías

O profeta Isaías, nasceu em 765 a.C. e foi martirizado em 681 a.C, vivendo assim nos reinados de Uzias (ou Azarias), Jotão, Acaz e Ezequias e Manassés, em Jerusalém, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria (721 a.C) e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C (2 Rs, 19: 35-36; 32:2122; Is, 37:36-37)
Isaías, cujo nome significa Iavé salva ou Deus é salvação, exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma mulher conhecida como a profetisa que foi a mãe de seus dois filhos: Sear-Jasube “Um remanescente voltará” e Maer-Salal-Hás-Baz “Rápido à presa, veloz ao despojo”.
Era considerado o mais ilustre dos profetas, pois conforme a tradição, tinha sangue real, pois seu pai Amoz era irmão do rei Amazias, e assim ele foi primo legítimo do rei Uzias (ou Azarias), e neto do rei Joás. Sendo então um príncipe de Judá.
Isaías serviu ao Senhor por mais de 40 anos em liberdade e continuou servindo, mesmo sob perseguição, por mais 20 anos. A Bíblia nos diz que ele começou seu ministério no ano da morte de Uzias (ou Azarias) em 740 a.C, e ainda era vivo quando Senaqueribe morreu assassinado em 681 a.C, tendo registrado no seu livro, capítulo 37.37,38.
O ministério do profeta Isaías foi centrado em Jerusalém e abrangeu os reinados de quatro reis: Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés (1.1).
.
A bíblia em ordem cronológica nos mostra claramente que a experiência de Isaías do capítulo 6 aconteceu antes das profecias dos capítulos 1 a 5. Em 754 a.C, o rei Uzias (ou Azarias) Pecou contra o Senhor sendo este punido com lepra até a sua morte, e devido a esta enfermidade, foi afastado do governo e seu filho Jotão, ficou como regente em seu lugar até a sua morte em 748 a.C (2 Cr, 26: 16-21 e 1 Rs, 15:5), provando assim, que o ministério de Isaías foi posterior a sua morte.
A tradição judaica afirma que Isaías morreu cerrado ao meio por ordens do filho do rei Ezequias, o ímpio rei Manassés. Possivelmente, foi à este fato que o escritor da epístola aos Hebreus tenha se referido em Hebreus 11.37.

UZIAS
799 – 748 A.c
52 anos
2 Cr, 26:1-5
JOTÃO
747 – 732 a.C
16 anos
2 Cr, 27: 1-2
ACAZ
732 – 717 a.C
16 anos
2 Cr, 28:1-8
EZEQUIAS
717 – 698 a.C
29 anos
2 Cr,  29: 1-2
MANASSÉS
697 – 642 a.C
55 anos
2 Cr, 33:1-9

ISAÍAS
765 – 681 a.C
84 anos
Bíblia em Ordem Cronológica

Isaías começou o seu ministério em 748 a.C aos 17 anos, provavelmente.



3 - Contexto Histórico:

Os dias gloriosos dos reis Davi e Salomão já estavam 200 anos no passado. O reino do Sul, Judá, e o reino do Norte, Israel, haviam coexistido razoavelmente bem. Israel resistia consistentemente a um relacionamento genuíno com Deus, enquanto que Judá vacilava entre reis bons e reis maus. Os reis bons proporcionavam encorajamento espiritual positivo, embora não chegasse ao nível de seu pai, Davi.
Isaías foi enviado a uma nação cuja fé havia se tornado fria. Amazias, que reinou durante 29 anos, é descrito como um rei bom, que “fez o que era reto perante o Senhor, ainda que não como Davi, seu pai; fez, porém, segundo tudo o que fizera Joás, seu pai. Tão somente os altos não se tiraram; o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos” (2Rs 14.3-4). Uzias (também chamado Azarias), que reinou durante 52 anos, e Jotão, que reinou durante 16 anos, são descritos com palavras praticamente idênticas (2 Rs 15.3-4,34-35).
Então veio Acaz, que reinou durante 16 anos:“Não fez o que era reto perante o Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai. Porque andou no caminho dos reis de Israel e até queimou a seu filho como sacrifício, segundo as abominações dos gentios, que o Senhor lançara de diante dos filhos de Israel” (2 Rs 16.2-3).
Em contraste, Ezequias, provavelmente devido em parte ao ministério piedoso de Isaías, foi um rei justo:
Fez ele o que era reto perante o Senhor, segundo tudo o que fizera Davi, seu pai. Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã. Confiou no Senhor, Deus de Israel, de maneira que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele” (2 Rs 18.3-5).
Estes foram tempos de prosperidade para Judá. O Senhor abençoava os reis de Judá quando caminhavam de acordo com Ele, mas os punia quando, por orgulho, se voltavam contra Ele.
Cada ciclo de punição e bênção parece ter produzido uma espiral cumulativa que levava para baixo a saúde espiritual da nação. Conforto pessoal geralmente produz negligência. O pecado, mesmo depois de ter sido perdoado, deixa conseqüências duradouras em todos aqueles em que toca.
Durante os 150 anos antes de Isaías, a Assíria desenvolvia e anexava nação após nação ao seu território. E durante o tempo de Isaías, Deus usou a Assíria para disciplinar seu povo.
Quando Isaías nasceu, fazia meio século que Israel pagava tributo a essa nação. Com Isaías ainda jovem, ela levou as dez tribos para o cativeiro. Alguns anos depois os assírios invadiram Judá, destruíram 46 cidades de Judá e levaram 200 mil cativos (2 Rs, 18:13-37; 2 Cr, 29:1-2; 31:1). Foi pela oração de Isaías, já mais velho, e por seu conselho ao rei Ezequias, que Senaqueribe foi vencido, e o anjo do Senhor feriu 185 mil assírios em uma só noite (2 Cr, 32: 21-22) e dali em diante a Assíria declinou como nação,  aponto de sofrer total derrota por parte da Babilônia, em 625 a.C.

4  - Estrutura do Livro

livro de Isaías está centralizado em um dos períodos mais turbulentos e trágicos da história judaica. Nos dias de Isaías, o reino de Judá esteve sob o governo de cinco reis, dos quais alguns eram bons e outros maus - Uzías, Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés. Era uma nação pecadora. Embora fosse o povo de Deus, eles eram apóstatas e sem dúvida mereciam ser castigados. Durante o período da vida de Isaías, em um momento ou outro, vários inimigos poderosos estiveram inclinados à destruição de Jndá; O Reino do Norte de Israel, governado por Peca; a Síria, cujo rei era Rezim; e a Assíria, sob reis guerreiros como Tiglate-Pileser III, Sargão II e Senaqueribe. Além disso, outros vizinhos, como os filisteus, os moabitas e os edomitas, de vez em quando atacavam o pequeno reino.
O Egito era apenas uma “cana quebrada” sobre a qual tentavam apoiar-se em busca de ajuda contra o invasor assírio. Foi predito que a Babilônia, com quem Ezequias fez uma aliança, tomar-se-ia o futuro destruidor. Por meio de revelação, Isaías previu dois libertadores por vir: Ciro, como um libertador distante; e o Messias, como um libertador mais distante ainda. O profeta observou que tudo e todos seriam instrumentos de Deus tanto para o castigo quanto para a redenção de seu povo escolhido.

Divisão do Livro

I Seção: Cap. 1-39 – passado

a) Cap. 1-1 - Exortações e Advertências, vinda do Messias
b) Cap. 13-23 – Profecia acerca das nações vizinhas (Assíria, Babilônia, Moabe, Egito, Filistia, Síria, Edom e Tiro)
c) Cap. 24-27 – Pecados e sofrimento do povo, promessa de salvação, um cântico de confiança em Deus
d) Cap. 28-31 – Maldições contra Efraim (Israel) e Jerusalém, especialmente por confiar em alianças estrangeiras
e) Cap. 32-35 – Promessas de um rei justo e do derramamento do espírito, transformação de deserto em jardim do Senhor
f) Cap. 36-39 – Libertação de Ezequias das mãos dos assírios e a prolongação de sua vida

II Seção: Cap. 40-66 – futuro
Predições, advertências e promessas de eventos posteriores ao cativeiro. Profecias muito ricas em referências messiânicas
O livro é um porta-jóias e o capítulo 53 a jóia.

5 - O Texto, o Contexto e seu Duplo Cumprimento

Gostaria de analisar um texto muito conhecido da bíblia: Isaías 7:14
Temos aqui um controvertido problema textual da Bíblia - a palavra almah. Traduções da Bíblia como a SeptuagintaKing James Almeida, tanto a Revista e Corrigida como a Atualizada, a traduzem por “virgem”. Outras mais fiéis ao original hebraico, como a Nova Tradução da Linguagem de Hoje, a Bíblia Judaica, a Tanach e a Bíblia de Jerusalém traduziram por “jovem” ou “mulher jovem”.
Diante destas declarações, a primeira pergunta que se levanta é esta:
Qual é a tradução certa para almahVirgem ou jovem?
O traduzir de forma errada às vezes pode cria alguns problemas.
Tradicionalmente sempre se defendeu a tradução para virgem, por ser aparentemente, a única a predizer claramente o nascimento virginal de Cristo. Mas se esta passagem é uma profecia referente a uma criança que deveria nascer como sinal para o rei Acaz, a mãe desta criança não poderia ser virgem porque criaria um problema de ordem teológica. Sendo que outras traduções trazem “mulher jovem”, alguns críticos intervêm declarando que este procedimento eliminaria uma doutrina fundamental da Bíblia, o maravilhoso nascimento virginal de Cristo.
A palavra “almah” no hebraico designa simplesmente a “mulher jovem” em idade de casamento, quer noiva ou não, casada ou não, virgem ou não. Denota idade e não condição.
O vocábulo hebraico para virgem é bethulah, que aparece 50 vezes no Antigo Testamento. O que não é o caso de Isaías 7:14.
Então, a única tradução coerente é: “Eis que uma mulher jovem conceberá, e dará à luz um filho; eles o chamarão Emanuel”.
Então quem seria esta mulher a que Isaías se refere?
Baseada no contexto bíblico (Isaías 8:3) vê que a jovem era a própria esposa de Isaías. Conferindo Isaías 1:1 com 6:1 concluiremos que o profeta estava no início de seu ministério, que se estendeu por meio século após este evento.
Isaías tinha ido até o rei Acaz para lhe dar uma mensagem a respeito do que Deus iria fazer quanto aos reis da Síria e o rei de Israel, que haviam se levantado contra Jerusalém para guerrear. Acaz estava abalado, mas Deus disse que não aconteceria nada e que ele poderia lhe pedir um sinal como prova dessa promessa. Mas Acaz não quis pedir essa prova. Então, Isaías disse: “Por isso, o próprio Adonai vos dará um sinal: uma jovem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão Immano’el .” (Tanach) O nascimento da criança seria o sinal para o povo de Judá e para o rei Acaz de que Deus iria destruir os inimigos, e por isso o chamariam de Emanuel “Deus está conosco”. E completa: “E quando a criança tiver doze anos de idade, já capaz de tomar decisões morais, a ameaça de guerra terá passado” (Isaías 7:15 - B.L.Contemporânea)

A verdade do nascimento virginal de Cristo está implícita através das Escrituras, portanto não precisa ser confirmada exatamente por uma palavra hebraica de Isaías 7:14.
Se a tradução de almah por virgem cria um problema de natureza teológica, por não poder ser aplicável no tempo de Isaías; outro problema nada inferior a este seria se Isaías houvesse usado a palavra bethulah para outra ocorrência além do nascimento virginal de Cristo.
Se os analistas bíblicos defendessem que Isaías 7:14 profetizava um nascimento virginal milagroso naquele tempo, teriam também de aceitar que esta criança teria a mesma natureza divino-humana e o mesmo poder que Jesus possuía.
O estudo atento do texto hebraico e das várias interpretações propostas nos leva à conclusão de que em Isaías 7:14 temos uma profecia messiânica.
Este texto deve ser incluído entre as profecias messiânicas pelo princípio do duplo cumprimento comum a muitas profecias bíblicas, como nos confirma outro exemplo de Isaías.
A origem e queda de Lúcifer são descrita apenas duas vezes na bíblia. A primeira por Isaías, contra a Babilônia (Is 14.11-23), e, a segunda, por Ezequiel, quando ele repreende duramente o rei de Tiro (Ez 28.11-19). Essas duas passagens, apesar de também existir um contexto histórico, contam-nos a maior parte do que sabemos sobre a queda de Satanás.
Da mesma forma, a promessa a respeito do Emanuel teve uma aplicação imediata e primária na libertação temporária de Judá nos dias de Acaz, mas, depois de 730 anos, teve uma aplicação secundária de livramento perpétuo de outro inimigo - Satanás, que através da encarnação de Cristo, iniciou o período da graça para a salvação espiritual e reconciliação do homem com Deus.

6 – Algumas de suas Profecias

O cumprimento das inúmeras profecias bíblicas a respeito dos reis Nabucodonosor, Ciro e Alexandre — o Grande, das nações do Egito, Assíria e Babilônia, das cidades de Tiro e Sidom e especificamente acerca de Israel e Jerusalém, constitui-se uma prova incontestável da origem, inspiração e autenticidade divinas dos oráculos dos antigos profetas hebreus. Isso sem falar no tema principal das profecias do Antigo Testamento — o Senhor Jesus Cristo, em seus dois adventos — do qual uma grande parte teve cumprimento na vida, obra e ministério terreno do Filho de Deus. Devido à relevância de tal assunto, vamos analisar as profecias registradas em Isaías e seus respectivos cumprimentos.

Isaías 1: 10-31
Sentença de Judá
2 Reis 25: 1-26
Isaías 7:14
O nascimento do Emanuel
Mateus 1:18-23
Isaías 8:14
Pedra de Tropeço
Romanos 9: 31-33
Isaías 9: 6-7
Descendente de Davi
Mateus 1:1
Isaías 22:22
Ele terá a Chave de Davi, Reinado Eterno
Apocalipse 3:7;
Lucas 1:31-33
Isaías 25:8
Vencerá a morte
Lucas 24: 1-12;
1 Coríntios 15:54
Isaías 28:16
Pedra angular
1 Pedro 2:6-8;
1 Coríntios 3:11
Isaías 35:5-6
Os doentes serão curados
Mateus 11:5
Isaías 44:26
Libertação de Israel
Esdras 1:1
Isaías 53:1
Não teria crédito
João 7:5, 46; 12:37-38; Romanos 10:16;
Mateus 3:21
Isaías 53:2-3
Seria desprezado
Lucas 2:7;
João 1:10-11
Isaías 53:5-6
Levaria os nossos pecados
1 Pedro 2:24-25
Isaías 53:9
Sepultado entre os ricos
Mateus 27:57-60
Isaías 53:12
Tratado como criminoso
Marcos 15:27-28
Isaías 61:1
Enviado de Deus
Lucas 4:21

7 – Uma Pequena Análise de Isaías 53

Deve-se pedir a todo judeu que afirma crer em Isaías como profeta de Deus, mas nega que Jesus é o Messias, que explique Isaías 53.  De quem o profeta estaria falando senão de Jesus?  Ao longo dos séculos, os judeus que rejeitaram a Jesus não procuraram um salvador sofredor, mas Isaías claramente descreve um Messias que seria sacrificado pelos nossos pecados. 
Ao lermos Isaías 53, devemos ser levados a chorar de gratidão por compreendermos melhor o amor de Deus manifesto no dom de seu Filho.
Isaías profetizou dizendo que seria "mui desfigurado, mais do que... outro qualquer" (Isaías 52:14).  Quando refletimos em algumas das atrocidades da guerra de nossos dias, essa declaração pode parecer questionável à primeira vista.  Mas, quando nos recordamos de sua vida na terra do começo ao fim, não pomos em dúvida que as infâmias sofridas pelo Filho de Deus ultrapassaram o que qualquer outro homem jamais sofreu.
"Não tinha aparência nem formosura" (Isaías 53:2).  Isso não trata simplesmente de seu aspecto físico, pois o Novo Testamento não nos diz nada a esse respeito.  Mas ele abandonou a glória que tinha junto ao Pai por uma vida sem nada do que normalmente atrai as pessoas a seguir alguém, como riquezas e notoriedade política. 
"De Nazaré pode sair alguma cousa boa?" (João 1:46).  "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens" (Isaías 53:3).  Nem mesmo o seu próprio povo o recebeu (João 1:11).  A cruz não foi a primeira tentativa para matá-lo.  As autoridades judaicas tentaram várias vezes, mas não poderiam matá-lo até que sua hora chegasse (João 12:23-28). 
Era "homem de dores" (Isaías 53:3-4).  Ele chorou por causa de Jerusalém, que escondeu assim seu rosto dele.  Na noite em que foi traído, ele disse como sua alma era "profundamente triste" (Mateus 26:36-41). 
"Por juízo opressor foi arrebatado" (Isaías 53:8).  Buscaram falsas testemunhas; três vezes Pilatos declarou sua inocência; e mesmo o ladrão na cruz disse:  "Este nenhum mal fez".

8 – A Profecia da Restauração de Jerusalém

Esta profecia está em Isaías 44:28, que diz o seguinte: “Quem diz de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao Templo: Funda-te. Eu despertarei a Ciro na minha retidão: Endireitarei todos os seus caminhos. Ele reedificará a minha a minha cidade, e soltará os meus cativos não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos exércitos”.
Esta profecia foi feita por Isaías aproximadamente no ano de 712 a.C. Esta data é muito importante porque Ciro só veio a existência 150 anos depois. Deus já havia revelado ao profeta o nome do libertador de Israel do cativeiro Babilônico um século e meio antes do próprio libertador nascer.
Acredita-se que Ciro nasceu em torno do ano 600 a.C. Ele é conhecido por ser o grande conquistador da Babilônia, que nessa época era o maior império do mundo.  Ciro governou Babilônia de 539 a.C até a sua morte, em 530 a.C. Foi o fundador do império Persa.
Xenofonte, escritor moralista grego, que viveu em torno dos anos 430 a 335 a.C escreveu um livro
sobre Ciro que recebeu o nome de Ciropédia, onde Ciro aparece como um soberano modelo. Ciro é descrito por Xenofonte como o primeiro imperador a lançar bases para um império mundial. Há um documento conhecido como “O cilindro de Ciro”. Este cilindro foi descoberto no século 19, e retrata Ciro como um político politeísta, um homem benévolo, que tinha misericórdia dos cativos.
Na profecia feita por Isaías Deus o chamou de “o meu pastor”.
Por que Deus o chamou de o “meu pastor”? A Ciro cabia realizar uma grande obra, libertar o povo de Israel, que estava cativo em Babilônia e permitir que o local de adoração do verdadeiro Deus em Jerusalém fosse restaurado.
Ciro estava conquistando o mundo tendo juntado com ele os exércitos da Média e da Pérsia. A história nos relata o seguinte:
 “No ano 539 a.C. Ciro II (também conhecido como Ciro, o Grande), capturou Babilônia. Ele entrou na cidade quando a população inteira, dependendo das muralhas impenetráveis que a cercavam, entregava-se à festividade e ao deboche, durante um período de festejos. Heródoto informa-nos que Ciro havia anteriormente feito secar o Palacopas, um canal que atravessava a cidade de Babilônia, levando as águas supérfluas do Eufrates para o lago de Nitocris, a fim de desviar o rio para ali. Assim o rio baixou de nível, e os soldados puderam penetrar na cidade através do leito quase seco” (Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia vol.1 pg.424).
Numa noite Belsazar, o líder dos caldeus, estava dando uma festa e depois de beber muito vinho, ordenou que os vasos sagrados que seu avô havia trazido de Jerusalém para Babilônia fossem levados a sua presença, porque ele queria beber vinho nestes vasos. Enquanto praticava este ato profano, uma mão começou a escrever algo misterioso na parede do palácio. O riso acabou, todos pararam de beber. A mão continuava a escrever. Daniel foi chamado e a sentença foi dada. Acabara-se o reino babilônico.
Foi bem aí que os soldados invadiram o palácio e Belsazar foi morto. Ciro começou a reinar em Babilônia. Daniel foi convidado a permanecer no palácio. Eu creio que num momento qualquer Daniel levou os escritos sagrados de Isaías e leu para o novo rei. Ali estava profetizada a sua ascendência ao poder, 150 anos atrás.
Daniel deve ter destacado que além de na profecia mencionar o nome do rei, também indicava o que deveria fazer em favor do povo de Deus que estava preso em Babilônia e pela cidade de Jerusalém.
Ciro iria proporcionar o retorno dos Judeus a Jerusalém e que criaria meios para que a cidade e o Templo fossem reconstruídos. Os judeus receberam, então, uma primeira autorização para retornarem a Palestina, mas infelizmente nessa ocasião poucos desejaram retornar.
O que deve ocupar a nossa atenção, é que Deus está no controle das nações.  Se nós observarmos na história vamos ver a queda de uma nação e o surgimento de outra. Quem está produzindo isto?
O objetivo desta profecia é mostrar que Deus está no comando das nações. Foi dado as Nações o privilégio de cumprir com os propósitos de Deus ou não. Elas existem como servas de Deus. Quando deixam de cumprir o seu papel, elas caem.

9 - Conclusão

O Livro de Isaías revela o juízo e salvação de Deus. Ele não pode permitir a impunidade do pecado (Isaías 1:2; 2:11-20; 5:30; 34:1-2; 42:25).
Ao mesmo tempo, Isaías compreende que Deus é um Deus de misericórdia, graça e compaixão (Isaías 5:25; 11:16; 14:1-2, 32:2, 40:3, 41:14-16). A nação de Israel (Judá e Israel) é cega e surda aos mandamentos de Deus (Isaías 6:9-10, 42:7). Judá é comparado a uma vinha que deve ser, e será, pisoteada (Isaías 5:1-7). Só por causa de Sua misericórdia e promessas a Israel, Deus não permitirá que Israel e Judá sejam completamente destruídos. Ele vai trazer tanto a restauração e perdão quanto a cura (43:2, 43:16-19, 52:10-12).
Mais do que qualquer outro livro no Antigo Testamento, Isaías concentra-se na salvação que virá através do Messias. O Messias um dia governará com justiça e retidão (Isaías 9:7; 32:1). O reino do Messias trará paz e segurança a Israel (Isaías 11:6-9). Através do Messias, Israel será uma luz para todas as nações (Isaías 42:6; 55:4-5). O reino do Messias sobre a terra (Isaías 65 e 66) é o objetivo para o qual aponta o Livro de Isaías. É durante o reinado do Messias que a justiça de Deus será plenamente revelada para o mundo.
Em um aparente paradoxo, o Livro de Isaías também apresenta o Messias como aquele que vai sofrer. Isaías capítulo 53 descreve vividamente o Messias sofrendo pelo pecado. É através de Suas feridas que a cura é alcançada. É através de Seu sofrimento que as nossas iniqüidades são removidas. Esta aparente contradição é resolvida na Pessoa de Jesus Cristo. Em Sua primeira vinda, Jesus foi o servo sofredor de Isaías capítulo 53. Em Sua segunda vinda, Jesus será o Príncipe da Paz e ocupará o Seu cargo de Rei (Isaías 9:6).


Curiosidade:
* Isaías também descreve a terra como circular (Is 40:22), o que gerou interpretações modernas sobre o significado. Porém, um círculo não é uma esfera. Os católicos acreditavam que a terra era achatada, de formato redondo.

* o capítulo  66 de Isaías é considerado o Apocalipse do Antigo Testamento.

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