quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A Reforma Protestante - Sola Fide

“Vou subir a minha torre de vigia e vou esperar com atenção o que Deus vai dizer e como vai responder à minha queixa. E o Senhor Deus disse: “Escreva em tábuas a visão que você vai ter, escreva com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facilidade. Ainda não chegou o tempo certo para que a visão se cumpra; porém ela se cumprirá sem falta. O tempo certo vai chegar logo;
portanto, espere, ainda que pareça demorar, pois a visão virá no momento exato. A mensagem é esta:
“Os maus não terão segurança, mas as pessoas corretas viverão por serem fiéis a Deus.”
(Habacuque 2:1-4)


3 – Sola Fide (Somente a Fé leva a Salvação)

1 – Introdução

Sola fide é uma das bandeiras defendidas pela teologia reformada desde seu nascedouro. Todos os reformadores se levantaram vigorosamente contra a doutrina da salvação pelas obras, ou pelos méritos, ou da colaboração com Deus na salvação. Todos eles, desde o início de seu ministério reformado, afirmaram que a fé é o único instrumento que Deus nos dá para nos apossarmos da salvação que ele concede graciosamente. Mas essa não foi a única frente na qual os reformadores tiveram que defender a doutrina da fé. Eles também tiveram que sustentá-la em oposição ao formalismo religioso e à secularização da fé.

1 -  Pela Fé, Não Pelas Obras

Muitas doutrinas sustentadas pela igreja romana estavam em aberto desacordo com o ensino da Escritura e houve muita controvérsia sobre muitos temas importantíssimos para a teologia cristã. No entanto, o estopim da Reforma está diretamente relacionado à forma como nos apropriamos da salvação. Na lição passada, vimos uma das formas pelas quais a pessoa podia se apropriar da salvação, segundo a crença romana: pelas indulgências. Também vimos que essa crença não se harmoniza com o ensino bíblico sobre a salvação, motivo pelo qual os reformadores fizeram questão de sustentar: sola gratia. A salvação é somente pela graça.
Havia, porém, uma forte doutrina romana que afirmava que a salvação era obtida por merecimento. Na medida em que a pessoa ia acumulando mérito diante de Deus, sua salvação ia ficando mais próxima. Mesmo que a pessoa não tivesse mérito suficiente para obter a salvação, esse mérito seria levado em conta para abreviar sua passagem pelo purgatório. O modo como o merecimento aumentava era pela prática de boas obras. Entre essas obras estavam as ações de caridade e a piedade religiosa.
·         As Ações de Caridade
Não há dúvida de que a ação em favor do necessitado é uma parte importante da religião cristã (Tg 1.27; 1 Jo 3.17). A teologia reformada não negligencia a importância do socorro ao necessitado e entende que não prestar esse socorro seria negligenciar o claro ensino da Escritura. No entanto, ela rejeita a associação desse dever cristão com a aquisição da salvação.
·         A Piedade Religiosa
Outra forma de boa obra é a piedade religiosa: freqüência às atividades da igreja, prática de orações diárias, devoção aos santos, ajuda ao sacerdote e envolvimento com o calendário eclesiástico, etc. A intensidade e a freqüência com que uma pessoa expressa sua religião era vista como um meio de se obter a salvação. A teologia reformada defende o compromisso do cristão com a comunidade cristã da qual faz parte e ensina a importância do cumprimento dos deveres cristãos. No entanto, entende que atribuir valor salvifico a isso é ir longe demais.
·         Salvos pela graça Mediante a Fé
Contra a doutrina da salvação pelo mérito, a teologia reformada afirma que somos salvos pela graça mediante a fé. Nenhum de nós tem méritos para barganhar com Deus. Somos todos pecadores e, por isso, tudo o que merecemos é a morte, que é o salário devido ao nosso pecado (Rm 6.23). É uma grande bênção o fato de que Deus “não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades” (Sl 103.10).
Mas se não somos salvos pelas indulgências (como vimos na lição anterior), nem pela prática da caridade, nem pela piedade religiosa, nem por qualquer mérito que porventura pudermos imaginar ter, como nos apropriamos da salvação oferecida por Deus? Pela fé (Ef 2.8; Rm 1.17).
É pela fé que nos apropriamos do sacrifício que Jesus realizou na cruz em nosso lugar. A salvação é concedida graciosamente a todo aquele que crê (Jo 3.16).Quando entendemos que não temos mérito nenhum diante de Deus, que tudo o que fazemos sempre será manchado pelo pecado e que somos incapazes, por nós mesmos, de obter nossa salvação, nos refugiamos em Deus e encontramos abrigo seguro. O Catecismo Menor de Westminster (1647) na questão 86, assim define: “Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho”.

3 -  Muito Mais do que o Formalismo

Outra controvérsia a respeito da fé se refere à própria natureza da fé. É comum as pessoas imaginarem que fé e formalismo religioso são a mesma coisa. Esse erro foi cometido na Idade Média, quando as pessoas viam um homem freqüente aos trabalhos da igreja e zeloso no cumprimento de seus deveres religiosos e imaginavam: “Aí está um homem de fé”. No entanto, por mais importante que seja o zelo religioso, a fé é muito mais do que isso. Não devemos desprezar o valor da participação nos cultos e no cumprimento dos deveres religiosos, mas viver pela fé é muito mais do que a prática de atitudes religiosas. Viver pela fé é viver em obediência a palavra do Senhor, é ter comunhão com Deus, é zelar pela vida cristã, é ter motivos e objetivos nobres aos olhos do Senhor.
O que é mais triste nessa história é que esse erro não foi cometido somente na Idade Média. Ele é cometido hoje, inclusive entre os protestantes. Viver pela fé é muito mais do que vestir uma roupa bonita para participar de um culto, muito mais do que se esforçar para estar presente em inúmeras atividades eclesiásticas, muito mais do que levantar a mão e gritar aleluia. Viver pela fé é refletir a luz de Cristo neste mundo mal e confuso em que vivemos, é dar um testemunho fiel de Jesus Cristo, é demonstrar ao mundo, externamente, a mudança que o Espírito Santo realizou dentro de você e a diferença que Cristo faz na sua vida.
4 - A Fé Secularizada

Outro problema com o qual nos deparamos atualmente é o da secularização da fé. Esse é o nome que se dá à fé que é de tal modo influenciado pelos valores e posturas deste mundo caído que acaba ficando irreconhecível. O fenômeno da secularização da fé se apresenta em duas formas distintas: o formalismo religioso e o ateísmo cristão.

·         O Formalismo Religioso
Nesta forma de secularização, os aspectos externos da prática religiosa são preservados, mas seu conteúdo espiritual é esvaziado. A pessoa continua freqüentando os trabalhos da igreja, mantendo suas amizades evangélicas e todo um aspecto de piedade, mas seu coração está vazio e longe de Deus.
A Escritura menciona vários casos desse tipo, mas há dois que são emblemáticos. O primeiro, que já fizemos breve menção, é quando Deus condena o formalismo religioso vazio dos judeus no tempo do profeta Isaías: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os maus átrios?” (Is 1.11-12). O povo mantinha sua prática religiosa, mas todo o seu conteúdo espiritual havia se perdido. Suas ofertas tinham se tornado vão, suas orações não eram ouvidas pelo Senhor e seu culto causava desprazer em Deus.
O segundo é quando o Cristo glorificado, na visão do Apocalipse, dita a carta à igreja de Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”. O vigor espiritual dos crentes de Éfeso não era mais o mesmo. Essa igreja tinha sido muito privilegiada: Paulo visitou essa cidade (At 18.19-21) em sua segunda viagem missionária. Ele deixou ali Priscila e Áquila para que cuidassem da igreja (At 18.19). Apolo também esteve ali (At 18.25). Em sua terceira viagem missionária, Paulo permaneceu três anos em Éfeso (At 20.31) e se tornou muito amigo dos presbíteros daquela igreja. Ao retornar para Jerusalém, sabendo que não mais os veria, despediu-se deles com um discurso comovente (At 20.17-38). Mais tarde, já preso em Roma, escreveu sua carta aos Efésios. Por orientação do próprio Paulo, Timóteo se instalou em Éfeso para cuidar da igreja (1 Tm 1.3) e, mais tarde, por volta do ano 66 d.C., o próprio João esteve em Éfeso e pastoreou aquela igreja.
A igreja de Éfeso foi muito abençoada. Ela foi pastoreada por nada menos que dois apóstolos e quatro evangelistas de grande influência. Que grande privilégio. No entanto, quando João, preso na ilha de Patmos, escreveu a carta à igreja de Éfeso (Ap 2.1-7), pelo menos 30 anos já tinham se passado desde a chegada de Paulo ali. Os primeiros convertidos já tinham uma boa jornada cristã e uma nova geração de crentes havia surgido. Os primeiros cristãos de Éfeso tinham sido edificados na fé e tinham cumprido seu papel de candeeiros do mundo, apresentando seu Senhor a uma nova geração, mas essa nova geração não tinha o mesmo vigor espiritual da primeira. A fé estava em perigo. Porém, tanto para os judeus do tempo de Isaías quanto para os crentes de Éfeso havia uma esperança: arrependimento e fé.

·         O Ateísmo Cristão
A segunda forma pela qual o fenômeno da secularização da fé pode ser percebido é por meio do que podemos chamar de ateísmo cristão. Se no formalismo os aspectos externos da fé podiam ser vistos, no ateísmo cristão nem mesmo esses aspectos externos podem ser vistos com facilidade. Não há mais frequência regular aos cultos, apenas visitas esporádicas totalmente desprovidas de compromisso com a causa do evangelho (ou nem isso); o comportamento social em nada difere do comportamento de um não regenerado e a Bíblia se transformou em amuleto cuidadosamente guardado no fundo de uma gaveta, de onde só sai em momentos de crise, para ser agarrada e beijada de modo supersticioso, geralmente com lágrimas.
Para as duas situações, a teologia reformada apresenta mais uma bandeira dos reformadores: sola fide. Só a fé. Devemos, nos lembrar, contudo, que não há mérito humano na fé. A fé é graça que se materializa em obediência a Deus.

5 - Conclusão
Secularização da fé, formalismo religioso, salvação pelas obras. Nada disso pertence à natureza da fé, da salvação e da vida cristã. A teologia reformada, com sua ênfase na doutrina da fé, convida a igreja de Cristo a olhar para além das circunstâncias religiosas em que vive e manter com Cristo, pela fé, uma doce e estreita comunhão que produz vida eterna e abundante.
6 - Aplicação
Você consegue explicar com suas palavras o que é a secularização da fé? Consegue identificar pelo menos cinco caminhos pelos quais essa secularização penetra na igreja e abate o vigor espiritual dos cristãos?


Leitura Diária

Domingo – Tg 1.19-27 – A fé em ação
Segunda – Rm 6.23 – O que realmente merecemos
Terça– Sl 103.1-22 – Não segundo os nossos pecados
Quarta – Ef 2.1-10 – Pela graça mediante a fé
Quinta – Rm 1.16-17 – A salvação do que crê
Sexta – Is 1.10-20 – A fé secularizada
Sábado – Ap 2.1-7 – A igreja secularizada

A Reforma Protestante - Sola Gratia

2 - Sola Gratia (Somente a Graça Perdoa os Pecados)

“Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la”. (Efésios 2.8-9)

1 – Introdução

A doutrina da salvação pela graça foi fundamental para o restabelecimento da doutrina bíblica no tempo da Reforma. Essa doutrina sempre incomodou o ser humano. Ele sempre se sentiu desconfortável em saber que sua salvação não depende de si mesmo, mas exclusivamente de Deus, que a concede graciosamente, não por mérito. Gostamos de tomar nossos assuntos em nossas próprias mãos. É por isso que essa doutrina nos incomoda tanto. Sempre foi assim, como os intermináveis debates sobre o tema ao longo da história deixam bem claro. Na Idade Média, porém, o abandono dessa doutrina alcançou seu ponto mais alto. Seu resgate foi feito pela teologia reformada.
2 -  Missas em Favor dos Mortos

Na medida em que a igreja foi se distanciando da simplicidade dos tempos apostólicos, em que os cristãos “partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2.46), a Ceia do Senhor foi adquirindo uma interpretação cada vez mais requintada. Na mesma medida em que a simplicidade do evangelho foi sendo perdida, uma ampla variedade de cerimônias foi sendo acrescentada.
Inicialmente, as pessoas que participavam da Ceia tinham que se preparar para ela apenas por meio de um auto exame, como orienta o apóstolo Paulo (1 Co 11.28). Com o passar do tempo, essa preparação começou a envolver o lavar das mãos e das roupas. No começo, cada participante pegava seu bocado de pão com as próprias mãos. Depois, passou a ser servido em um pano de linho ou em um pires de ouro. Mais tarde, no século 11, passou a ser servido diretamente na boca do participante, que aguardava de joelhos diante do altar. O pão consagrado era servido não apenas na igreja, mas também nas casas, às pessoas que estavam às portas da morte, como “alimento para a jornada”, e passou a ser considerado útil para evitar desastres e pestes e para obter benefícios e bênçãos.
A partir daí, o passo seguinte foi estender a eficácia da Ceia do Senhor não somente aos vivos, mas também aos mortos. A essa altura, o costume pagão de fazer ofertas por parentes mortos e orar por sua alma no aniversário de sua morte já havia se estabelecido na crença popular. Quando a doutrina do purgatório foi estabelecida pelo papa Gregório, o Grande, a Ceia passou a ser interpretada como uma oferta do próprio corpo e sangue de Cristo em favor do parente morto. Logo se tornou uma crença estabelecida que a missa realizada em favor de pessoas mortas podia reduzir as penitências e punições temporais, não apenas aos vivos, mas também aos mortos, aliviando sua pena no purgatório.
Observe como há um entrelaçamento de erros aqui. Primeiro, há o desvirtuamento da Ceia do Senhor, que deixa de ser vista como um meio de graça e passa a ser vista como uma cerimônia religiosa cada vez mais elaborada; depois, ela começa a ser servida às pessoas que estavam às portas da morte como uma espécie de alimento para sua jornada; depois, o pão começa a ser visto como uma espécie de amuleto religioso capaz de prevenir pestes e tragédias; a seguir, há o sincretismo da fé cristã com religiões pagãs, o que gera a contaminação dos costumes religiosos do povo; surge, então, a doutrina do purgatório; por fim, a Ceia (e a missa da qual faz parte) passa a ser concebida como tendo importantes efeitos espirituais não apenas para os que participavam dela, mas também para os mortos, em memória de quem as missas eram realizadas. Um erro doutrinário nunca vem sozinho. Ele sempre produz outro ou foi produzido por outro: “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7).
Diante de tudo isso, a teologia reformada anuncia, com vigor e alegria: Sola gratia! Somente a graça salva. Somos salvos não por missas realizadas em nossa memória, nem por sacramentos ministrados a entes queridos, mas pela graça soberana do Senhor.

3 -  A compra da Salvação

Na medida em que o evangelho era anunciado, as pessoas iam se convertendo e sendo discipuladas e batizadas. Isso provocava uma mudança de postura e de hábitos em grande parte dos convertidos, que vinham de religiões politeístas e tinham costumes que não se harmonizavam com a fé cristã. É claro que não se podia esperar que os crentes parassem de cometer pecados depois de terem sido batizados. Os próprios apóstolos haviam ensinado isso muito claramente (Tg 3.2; 1 Jo 1.8).
No entanto, os cristãos sempre alimentaram a esperança de que os novos convertidos se abstivessem de pecados graves e, ao mesmo tempo, se empenhassem em seguir continuamente os caminhos da santidade. Com o passar do tempo, surgiu a necessidade de uma distinção entre pecados maiores (mortais) e menores (veniais), que gradualmente foi colocada em prática.
Na primeira categoria estavam os pecados considerados mais graves e que supostamente tinham conseqüências sociais mais marcantes: assassinato, roubo, adultério, infanticídio, envenenamento, apostasia, idolatria, feitiçaria e assim por diante. Na categoria dos pecados veniais, ou menores, estavam inseridos aqueles considerados menos graves, como falso testemunho, rancor, ira, rixas, fraudes, difamação e pequenas desonestidades nos negócios. É claro que essa divisão é muito subjetiva e totalmente arbitrária. Além disso, não tem o menor embasamento bíblico (Tg 2.10).
Com o passar do tempo, os cristãos começaram a tomar uma posição diferente com relação aos pecados menores. A crença geral era que eles podiam expiar tais pecados, tomando algumas atitudes, enquanto o sacrifício de Cristo ficava “reservado” aos pecados mais graves. Embora esses pecados menores fossem inevitáveis, o crente, em contraste com o incrédulo, tinha a vantagem de ser um membro da igreja e poder apagar pessoalmente esses pecados, recebendo pacientemente a punição estabelecida para eles, por meio da confissão pública ou particular ou pela prática de boas obras (jejuns, esmolas e orações). Isso deu origem às doutrinas católicas romanas da penitência e da confissão auricular.
Imediatamente depois que os pecados eram confessados ao sacerdote, este pronunciava o perdão, mas ainda tinha de impor a penitência proporcional à severidade dos pecados confessados (orações ou boas obras) para que os confessantes, dessa forma, ficassem livres, internamente, do poder do pecado. Como as pessoas que se confessavam continuavam cometendo pecados ao longo da vida, as penitências, via de regra, não podiam ser completamente cumpridas nesta vida e o déficit tinha de ser pago no porvir, por meio do sofrimento no purgatório.
Havia, porém, uma forma muito mais fácil de a pessoa cumprir, total ou parcialmente, suas penitências. A associação dessas três doutrinas (penitências, confissão auricular e purgatório) deu origem à crença de que o tempo da penitência podia ser abreviado e a própria penitência podia ser reduzida se caso o cristão demonstrasse sincero e profundo arrependimento. A partir daí, desenvolveu-se o costume segundo o qual os bispos perdoavam parte da punição ou transformavam uma penitência severa em uma penitência mais leve em favor daqueles que se mostravam zelosos em seu exercício penitencial.
A partir do século 11, porém, esse relaxamento da penitência assumiu a forma de que toda pessoa que cumprisse certa condição (como participar de uma guerra contra os mouros, de uma cruzada ou pagar para que alguém fizesse isso em seu lugar, por exemplo) podia obter perdão parcial ou total (indulgência) de seus pecados, o que reduzia ou eliminava a penitência. Dessa época em diante, com a cooperação do papado, as indulgências se tornaram tão numerosas que, finalmente, foram mais elaboradas e se tornaram uma importante fonte de renda. Sua aquisição foi facilitada e, por fim, as condições sob as quais podiam ser obtidas foram destituídas de toda seriedade.
O maior comerciante de indulgências se chamava João Tetzel. Embora exigisse demonstrações de arrependimento para que a pessoa obtivesse uma indulgência, não via problema em concedê-la a alguém que já havia morrido para que, assim, seu sofrimento no purgatório fosse amenizado. Seu conceito, como ele mesmo dizia, era de que “logo que uma moeda no cofre cai, a alma do purgatório sai”. Por certa quantia, ele emitia cartas de indulgência para serem apresentadas ao padre confessor para que ele concedesse plena absolvição depois que os pecados fossem confessados no confessionário.
A concessão de indulgências em troca de dinheiro acabou se transformando em um comércio de coisas que nunca foram e não podem ser vendidas (perdão, remissão de pecados, expiação). Por meio desse comércio, houve um retorno ao mesmo tipo de comercialização rejeitado veementemente por Cristo, quando revirou as mesas dos cambistas. Essa postura não se harmoniza com o ensinamento de Cristo, que disse aos seus apóstolos: “De graça recebestes, de graça dai”.
No entanto, deve ser observado que esse erro de comercialização da fé não ficou restrito aos tempos medievais. Ele está presente hoje, mas, desta vez, entre os evangélicos. Atualmente, temos visto uma ênfase exacerbada em uma doutrina sobre o dízimo que não tem fundamento na Escritura, segundo a qual o cristão é orientado a dar cada vez mais para receber bênçãos cada vez maiores de Deus. Os católicos medievais vendiam o perdão; muitos evangélicos modernos vendem bênçãos terrenas. Apesar dessa diferença, o princípio é o mesmo: benefícios concedidos por Deus em troca de dinheiro dado à igreja. A ambos os grupos, a teologia reformada afirma: Sola gratia!

4 -  Opondo-se à Doutrina dos Méritos

Antes de falar sobre a salvação graciosa de Deus, precisamos compreender o motivo pelo qual precisamos de salvação e porque não podemos ser salvos pelos nossos próprios méritos e esforços, mas somente pela graça de Deus. Para tanto é necessário que atentemos para a doutrina bíblica sobre o alcance e os efeitos do pecado conhecido como depravação total.
Essa doutrina expressa o ensino bíblico de que o homem está morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1-2). Isso não significa que todos os homens sejam igualmente maus, nem que o homem é tão mal quanto poderia ser, alcançando, assim, o ápice da maldade. Também não significa que o homem esteja completamente destituído de toda e qualquer virtude, nem que a natureza humana seja má em si mesma. Essa doutrina ensina que, uma vez que o homem segue o curso do pecado (Ef 2.1-2), ele está completamente sujeito ao pecado, tendo motivações pecaminosas, inclinações pecaminosas, facilidade para pecar, está espiritualmente morto e, por isso, é incapaz de fazer ou querer qualquer coisa que o conduza à salvação, bem como é totalmente incapaz de merecer a salvação mediante suas próprias obras.
O homem não regenerado, que chamaremos de homem natural, pode, pela aplicação da graça comum de Deus, amar sua família e ser um bom cidadão, cultivando elevadas virtudes e valores morais, tais como a honestidade, a justiça, a bondade, a coragem, etc. No entanto, nada disso está isento da mancha do pecado. Essa mancha está em nossa própria natureza e, por isso, tudo o que fazemos é imperfeito. O que é imperfeito não pode merecer o perdão perfeito de Deus.
Somos todos pecadores e nosso salário, isto é, a recompensa natural por nossos méritos, é a morte (Rm 3.23; 6.23). Para recebermos vida, é preciso que Deus aja conosco de modo que vá além dos nossos méritos, dando-nos aquilo que não merecemos. É justamente esse favor que recebemos de Deus sem merecer que se chama “graça”. A salvação, segundo a Escritura e a teologia reformada, não é fundamentada nos méritos humanos, mas na graça de Deus.
Outro efeito do pecado na vida humana é o de impedir que o pecador compreenda as realidades espirituais necessárias à sua salvação (1 Co 2.14). O homem natural carece de uma capacitação do Espírito para que possa discernir as realidades espirituais. Sem essa capacitação ele jamais compreenderá a extensão e a gravidade de seu pecado e, conseqüentemente, jamais compreenderá a sua necessidade de salvação. O homem natural está cego em seu entendimento e os seus sentimentos estão corrompidos pelo pecado (2 Co 4.3-4).
A natureza humana não é má em si mesma, isto é, em essência, porque foi criada por Deus e vista por ele mesmo como sendo muito boa (Gn 1.31). Contudo sua atual condição é de total corrupção ocasionada pelo pecado. Sendo essa corrupção uma condição da natureza humana, está além de seu poder mudá-la. Isso só pode ser feito pela obra regeneradora de Deus na vida do pecador.
Paulo, escrevendo aos Efésios, dá mais um bom motivo pelo qual o homem natural é incapaz de obter a salvação por seus próprios méritos. Ele diz que Deus “vos deu vida, estando vós mortos em seus delitos e pecados” (Ef 2.1). Um cadáver nada pode fazer neste mundo, nem mesmo em seu próprio favor, no intuito de tirá-lo da morte. O mesmo acontece quando uma pessoa está espiritualmente morta. Ela é totalmente incapaz de fazer ou mesmo de querer qualquer coisa, mesmo que seja para que ela saia da morte.
Por tudo isso, o ser humano é totalmente incapaz de, por si mesmo, livrar-se de seu pecado e dos efeitos que o pecado produz em sua vida, inclusive no que diz respeito à salvação. Diante dessa realidade, sua única possibilidade de salvação está na graça de Deus.
Devemos enfatizar, contudo, que a graça de Deus tem outro lado, que com freqüência nos esquecemos: a obra sacrificial de Cristo. É um erro lamentável julgar toda a verdade considerando apenas a parte que nos compete do todo. A graça de Deus se evidencia nas obras da Trindade. O Pacto da Graça, por meio do qual somos salvos, foi Pacto de Obras para Cristo. A nossa salvação é muito cara, custou o precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18-20; At 20.28; 1Co 6.20). Isso longe de apontar para o suposto valor inerente de nossas almas revela o amor gracioso de Deus que confere valor a nós.

5 - Conclusão
A doutrina das indulgências e a prática da realização de missas em favor dos mortos deram grande vigor à doutrina de salvação com base em méritos humanos. Essa doutrina colocou em xeque a doutrina da salvação pela graça, retomada por Lutero e enfatizada fervorosamente pela teologia reformada. Nada de méritos humanos para a salvação. Nada de colaboração com Deus para a salvação. Somos salvos pela graça. Sola gratia.

6 - Aplicação
Para ter uma boa idéia do efeito devastador causado pela cobrança de indulgências na Idade Média, assista ao filme Lutero. Você consegue perceber algum reflexo dessa prática medieval na igreja contemporânea?




Leitura diária
Domingo  – Tg 3.1-2 – Tropeçamos em muitas coisas
Segunda  – 1 Jo 1.5-10 – Todos temos pecados
Terça  – Tg 2.1-13 – Se tropeçar em um só ponto
Quarta  – Ef 2.1-3 – Mortos em delitos e pecados
Quinta  – 1 Co 6-14 – Discernimento espiritual
Sexta  – 2 Co 4.1-6 – O evangelho encoberto
Sábado  – At 26.16-18 – A ação da graça

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A Reforma Protestante - Sola Scriptura

“Quanto a você, continue firme nas verdades que aprendeu e em que creu de todo o coração. Você sabe quem foram os seus mestres na fé cristã. E, desde menino, você conhece as Escrituras Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus. Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações”. (1 Timóteo, 3:14-17)


1 - Introdução:

Em 1521 Martinho Lutero compôs uma música entitulada “Castelo Forte é o nosso Deus”. E foi composto num momento muito interessante porque em 1517, Martinho Lutero afixou nas portas da Capela de Wittenberg suas 95 teses que convocavam os teólogos da ocasião para um debate a respeito das indulgencias, das penitências, das cobranças financeiras que o Catolicismo Romano da época fazia em troca do perdão para os pecados.
E Martinho Lutero levantou a sua voz e chamou a todos pra conversa. O imperador germânico Carlos V, em 1921, a mando do Papa, convoca a Dieta de Worms (assembléia que julgou Martinho Lutero por crimes contra a Igreja Católica) com a finalidade de Martinho Lutero se retratar com a igreja ou ser excomungado da igreja. Havia uma pena na época para hereges que era, morrer queimado na fogueira, e foi neste contexto que Lutero escreveu esta canção.
Daí surge a Reforma Protestante do século XVI.


2 – Quem foi Martinho Lutero

Martinho Lutero (Martin Luther) foi um padre alemão que, em 1517, fez severas críticas à Igreja Católica quanto à cobrança de indulgências, o protecionismo à Bíblia e a práticas religiosas infundadas. Membro clerical e professor de teologia, Lutero iniciou um manifesto contra a Igreja, chamado Reforma Protestante. Também foi o responsável pela tradução da Bíblia, em latim, para o alemão. Por ser escrito em latim, somente o clero tinha acesso às Sagradas Escrituras e Lutero defendia que a leitura da Bíblia era para todos. Lutero reuniu todas as suas críticas em um documento intitulado “As 95 teses”.
Em 1520, o papa Leão X, incomodado, escreveu um documento exigindo a retratação de Lutero, sob pena de sua excomunhão. Em praça pública, Lutero respondeu ateando fogo ao documento do papa. Foi instaurada uma crise política na Alemanha. Lutero foi convocado a se retratar.
Quando chegou à Assembléia, Lutero foi apresentado a seus livros, expostos sobre uma mesa. Quando perguntado se os livros eram de sua autoria, respondeu que sim. Foi submetido à segunda pergunta: “Concordas com o conteúdo ali escrito ou quer se retratar?”. Lutero, ressabido, pediu um tempo para responder. Foi lhe concedido prazo de 24 horas. No outro dia, Lutero respondeu: “A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é evidente que todos eles freqüentemente erram e se contradizem); estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa à Palavra de Deus: não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência. Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém!”.
Lutero se salvou da pena de morte (veio a morrer em 1546 de morte natural), mas foi excomungado. Suas palavras contra a cobrança de indulgências (salvação) e à simonia (vendas de artigos religiosos falsamente sagrados) abalaram os pilares da Igreja Católica, tornando-a mais humana e menos capciosa, e influenciaram no surgimento da Igreja Protestante. A mesma que, hoje, vende o óleo santo, Barganha o dízimo e julga as pessoas em vão, ao invés de julgar os atos mediante a Palavra de Deus.



3 – OS Fundamentos da Reforma


Na reforma protestante existem dois personagens principais, que foram: Martinho Lutero e João Calvino. Eles estabeleceram algumas bases ou fundamentos para a nossa compreensão do evangelho. Que ficou conhecido como os 5 Solas (palavra latina traduzida por somente).

·         SOLA SCRIPTURA = Somente a Bíblia é a Palavra de Deus
·         SOLA GRATIA = Somente a Graça perdoa os pecados
·         SOLA FIDE = Somente a Fé leva a Salvação
·         SOLUS CHRISTUS = Somente Cristo é o salvador
·         SOLI DEO GLORIA = Somente a Deus seja a Glória.



1 - Sola Scriptura (Somente a Bíblia é a Palavra de Deus)

I. O Papa não tem a palavra final

De acordo com a teologia católica ortodoxa, o papa é o grande líder da igreja e atua como vigário (isto é, substituto) de Cristo na terra. Para atuar como substituto de Cristo, o líder máximo da igreja precisa possuir infalibilidade, pois se Cristo não erra, seu substituto também não pode errar. A teologia romana definiu essa infalibilidade do papa, em linhas gerais, afirmando que, quando o papa fala ex cathedra, isto é, quando trata de assuntos doutrinários, em virtude do auxílio que recebe de Deus, é infalível.
Essa declaração, porém, não é suficiente para esclarecer a natureza e o caráter dessa infalibilidade. Os escritores bíblicos foram preservados do erro na composição de seus escritos porque foram inspirados pelo Espírito Santo. A infalibilidade papal não é assim. De acordo com a teologia católica, o papa é infalível não por inspiração, isto é, não pela mesma obra do Espírito, por meio da qual os escritores bíblicos foram preservados do erro. Sua infalibilidade não consiste no recebimento de novas revelações da parte de Deus e na elaboração do ensino divino, mas apenas no fato de que ele pode explicar fielmente a tradição da igreja e a doutrina dos apóstolos. Ainda de acordo com a teologia católica ortodoxa, a infalibilidade do papa também não significa que as palavras ditas pelo papa em assuntos religiosos sejam a Palavra de Deus, significa apenas que elas são infalíveis, isto é, isentas de erro.
O Concílio Vaticano I diz que o papa é infalível quando fala ex cathedra. Isso, na prática, é inútil como padrão, pois, pela própria natureza da questão, só quem pode dizer se o papa falou ex cathedra é o próprio papa. Assim, um papa é sempre livre para rejeitar seus próprios pronunciamentos ou os pronunciamentos de outros papas, dizendo que não foram feitos ex cathedra, ou declará-los válidos, dizendo que foram. Depois, ele pode até mesmo dizer que ele mesmo, ou um de seus predecessores, pensando que falava ex cathedra, realmente não falou.
Na Dogmática Reformada, o teólogo reformado Herman Bavinck afirma:
“Os teólogos católicos romanos se encarregaram de desenvolver em detalhes as áreas cobertas por essa infalibilidade. Segundo eles, o papa é infalível quando trata das verdades da revelação na Escritura, das verdades das instituições divinas, dos sacramentos, da igreja, de sua organização e governo e das verdades da revelação natural. No entanto, até mesmo com isso estamos longe de esgotar o alcance da infalibilidade papal. Para que o papa seja infalível em todas essas áreas, dizem os teólogos, ele também tem de ser infalível na avaliação das fontes das verdades da fé e na interpretação delas. Isso significa dizer que ele é infalível no estabelecimento da autoridade da Escritura, da tradição, dos concílios, dos papas, dos pais, dos teólogos; no uso e na aplicação de verdades naturais, imagens, conceitos e expressões; na avaliação e rejeição de erros e heresias, até mesmo no estabelecimento de fatos dogmáticos; na proibição de livros, em questões de disciplina, no endosso de ordens, na canonização de santos e assim por diante. Fé e moral abrangem quase tudo, e tudo o que o papa diz sobre isso seria, então, infalível. O termo ex cathedra, de fato, não traça nenhum limite em nenhum lugar”.
Mas afinal, se o verdadeiro fundamento inabalável da fé cristã não é o papa, qual é esse fundamento? Os reformadores foram unânimes em repudiar completamente essa doutrina por não encontrarem, na Escritura, nem uma só palavra que a sustente. Em oposição a ela, afirmaram vigorosamente: Sola Scriptura.

II. A tradição não tem a palavra final

Outra fonte de autoridade espiritual muito forte na teologia católica medieval (e ainda hoje) é a tradição. Deve ser dito que a tradição nunca foi rejeitada pelo simples fato de ser tradição. Na própria Escritura encontramos ênfase e crítica à tradição (Mt 15.2,3,6; Mc 7.3,5,8,9,13 2Ts 2.15). A questão básica é: a que tradição estamos nos referindo? A tradição é rejeitada todas as vezes que entra em choque com a Palavra de Deus. A Reforma revoltou-se quanto à suposta autoridade da tradição independente da Escritura e pretensamente nivelada com ela. Os reformadores sustentavam que a Escritura é a única autoridade infalível dentro da igreja. Deste modo, a autoridade dos Credos (Apostólico, Nicéia, Calcedônia) era indiscutivelmente considerada pelos reformadores, contudo, somente as Escrituras são incondicionalmente autoritativas.

III. A igreja não tem a palavra final

Outra expressão moderna desse ensino católico medieval é a crença de que a denominação religiosa a que pertencemos está sempre certa. Isso é um erro. Nenhuma denominação religiosa está isenta de erros neste mundo. Os concílios são compostos por pessoas e, por melhores que sejam as intenções dessas pessoas e por mais sólido que seja seu conhecimento teológico, elas continuam sendo sujeitas ao erro. Nossos concílios e denominações são falíveis.
É claro que quanto maior for o apego dos nossos líderes às doutrinas cristãs, quanto maior for a vigor de sua piedade cristã e quanto maior for sua capacidade de aplicar o ensinamento bíblico às circunstâncias da vida, mais nítida é a possibilidade de que tomem decisões sábias e governem bem a igreja de Cristo. Mas é importante termos sempre em mente que não há denominações cristãs perfeitas.
Isso é necessário não apenas para exercitar nossa humildade e despertar o interesse pelo estudo rigoroso da Escritura, mas também para nos permitir uma comunhão cristã mais saudável com nossos irmãos de outras denominações cristãs. Embora existam muitas denominações, a igreja de Cristo é composta por todos aqueles que professam sua fé em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal.

IV. A Escritura como única regra de fé e conduta

Mas afinal, se o papa não tem a palavra final, a tradição não tem a palavra final e a denominação cristã a que pertencemos não tem a palavra final, qual é a autoridade normativa segundo a qual a igreja deve moldar sua fé?
Os reformadores e seus herdeiros teológicos deram resposta a essa pergunta. O Catecismo Maior de Westminster afirma, na resposta à pergunta 3: “As Escrituras Sagradas – O Antigo e o Novo Testamentos – são a Palavra de Deus, a única regra de fé e obediência.”
Confissão de Fé de Westminster, por sua vez, afirma: “O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”.
Para os reformados, a autoridade fundamental segundo a qual a igreja deve moldar sua fé não é a opinião de pessoas, por mais ilustres que sejam, nem a história de instituições religiosas, por mais respeitáveis que sejam, nem as preferências dos cristãos, por mais adequadas que possam parecer, mas o “Espírito Santo, falando na Escritura”. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is 8.20).
Conclusão

De acordo com a teologia reformada, nenhuma voz, na igreja de Cristo, pode se elevar acima da Escritura Sagrada, inspirada pelo Espírito Santo para conduzi-la a toda verdade. Cristo é o cabeça da igreja, e ele a governa segundo os preceitos estabelecidos na Escritura. Nenhum líder, nenhuma denominação cristã, nenhum concílio, nenhum costume, nenhuma tradição tem valor normativo para a igreja cristã. Só a Escritura.
Aplicação

Você já reparou como as pessoas, em geral, têm tratado a Escritura nos tempos pós-modernos em que vivemos? Quando a Escritura diz alguma coisa com a qual não concordam, as pessoas simplesmente dizem que os tempos mudaram. Com isso, abandonam o ensino bíblico e seguem seu próprio caminho. À luz da lição de hoje, como você deve reagir a essa tendência?




Leitura diária
Domingo  – Rm 15.1-4 – Escrito para o nosso ensino
Segunda  – Lc 16.19-31 – Ouçam Moisés e os profetas
Terça  – Mt 5.17-20 – Até que tudo se cumpra
Quarta  – At 17.10-11 – A nobreza dos bereanos
Quinta  – Gl 1.10-17 – O evangelho de Paulo
Sexta  – Jo 5.39 – A Escritura testemunha de Jesus
Sábado  – 2 Pe 1.20-21 – Da parte de Deus

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