sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Aula 19: Desvendando o Apocalipse - "Os Sete Flagelos ou as Sete Taças da ira de Deus"


Então recebi a seguinte orientação: “É necessário que profetizes novamente a respeito de muitos outros povos, nações, línguas e reis”. (Ap 10:11 – KJA)

1 - Introdução

Geralmente pressupomos que a bíblia tenha sido escrita numa sucessão de fatos cronológicos e numa sequência exata revelando desde a criação do mundo até o fim do mesmo. Mas a verdade, é que ela não está cronologicamente disposta e nem tão pouco foi elaborada sequencialmente, de modo que seus livros estão completamente fora da ordem dos acontecimentos.
O livro de Apocalipse é ainda mais complexo por conter uma linguagem figurativa,
e por isso, precisa ser estudado minuciosamente como um quebra-cabeça, juntando as peças parecidas para só então visualizarmos o quadro formado.  
Por causa disto tudo, uma das leis da Hermenêutica (a ciência da interpretação) Bíblica é a:

Lei da Recapitulação”: Passagens sucessivas às vezes podem e têm que ser reconhecidas como sendo recapitulações, repetições de um mesmo fato sob diferentes ênfases e diferentes pontos de vista (Por Ex: Deuteronômio é a repetição dos 4 primeiros livros mosaicos, os 4 evangelhos se repetem; Os livros de Reis e Crônicas; Gn 1:1 e os outros relatos da criação em Gn 1:2-31 e 2:4-25 se completam; os 7 selos + 7 trombetas + 7 taças de Apocalipse são complementares).

Se compararmos muito atentamente as descrições dos 7 selos, das 7 trombetas e das 7 taças, no livro de Apocalipse, perceberemos que não são 21 eventos diferentes, um após o outro, mas, sim, paralelos, repetições, visões recapitulando os mesmos fatos sob diferentes abordagens para enfatizá-los.


2 – Recapitulando Mateus 24   
  
Para mostrar esta análise contextual de forma clara, pegamos dois textos paralelos. Um escrito por Mateus em 29 d.C. sobre o sermão profético de Jesus e o outro, escrito por João na ilha de Patmos em 96 d.C.

Pontos de Mateus 24

Vs.1-2 – Jesus diz aos seus discípulos, que estão admirados com as obras do Templo, que ele seria destruído juntamente com a cidade de Jerusalém. O que ocorreu em 70 d.C durante a Revolta Judaica contra o domínio romano.

Vs. 3-6 – Jesus começa a seqüenciar os futuros acontecimentos dizendo que antes do fim, muitas coisas ocorreriam.

Vs. 7-8 – Este período mostra claramente o que ocorreria após a destruição de Jerusalém.

Vs. 9-14 – Aqui Jesus fala sobre o que aconteceria com cada um deles e o propósito destes acontecimentos. Foi exatamente neste período que João teve a revelação e escreveu o livro de Apocalipse.

Vs. 15-28 – Neste texto, Jesus deixa alguns conselhos a respeito de como o cristão deveria proceder durante a grande tribulação.

Vs. 29-35 – Jesus usa uma parábola. A figueira na bíblia é a representação de Israel, e neste texto, fala sobre sua restauração física. Nós sabemos que Israel voltou a ser estado em 1948, e de lá para cá, passaram-se 70 anos. Quando Jesus diz: Aprendam a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, vocês sabem que o verão está próximo. Assim, também vocês, quando virem todas estas coisas, saibam que está próximo, às portas. Em verdade lhes digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”.
Qual geração Jesus está mencionando? A geração que visse Israel florescer. Esta geração assistiria também o inicio da Grande Tribulação.


3 – Comparações




Historiadores e estudiosos da bíblia afirmam que o livro do Apocalipse demorou 33 anos para ser escrito (67 d.C a 100 d.C).
Durante este tempo, era como se João fosse tendo visões da parte de Deus de forma que cada etapa ampliava a visão do mesmo assunto – Fim dos tempos.
Um escritor antigo chamado Carlos Mesters, descreveu o Apocalipse, fazendo este singelo paralelo:
O Apocalipse é como a casa do pobre:
·         Primeira parte: Constrói uma cozinha e quarto.
·         Segunda parte: Nasce um filho, e para ampliar, constrói mais um quarto para o filho.
·         Terceira parte: Para finalizar, constrói área de convivência na Casa – como a varanda e área de lazer.
Com isso, ele quis dizer que o livro de Apocalipse está dividido em 3 partes (Ap 1-4; 5-14 e 15-22) e que cada uma delas, fala a respeito do mesmo assunto, ampliando seu alcance e percepção a fim de mostrar, em cada parte, a revelação de forma mais detalhada.
Em toda bíblia é possível encontrar versículos parecidos, quando na verdade, são os mesmos versículos falados por pessoas diferentes em situações diversas.
Isso só nos confirma que a bíblia é um livro que se completa e que traz a memória cada mandamento e exortação para que ninguém se perca.



Aula 18 - Desvendando o Apocalipse: "As Três Mensagens"


O Filho do Homem é o agricultor que planta as boas sementes.
O campo é o mundo, e as boas sementes são o povo do reino. O joio são as pessoas que pertencem ao maligno, e o inimigo que plantou o joio no meio do trigo é o diabo. A colheita é o fim dos tempos, e os que fazem a colheita são os anjos”. (Mt 13:37-39)


1 – Introdução



O paralelo entre Deus e o Diabo é um assunto comum em Apocalipse, e a partir do capitulo 12, segue mostrando cada lado dos acontecimentos da sequência mostrada até o capitulo 12.

Vale lembrar que o livro de Apocalipse é repleto de simbologia que só é entendida mediante a própria bíblia, ressaltando que nessa época, havia somente o Antigo Testamento e que este livro foi escrito na finalidade de revelar os mistérios de Deus às sete igrejas da Ásia.

No capítulo 13, João relata a imagem da besta que surge da terra e sua influência na terra (13:11-18), agora teremos um paralelo com o Cordeiro de Deus e a multidão dos 144 mil no monte Sião (14:1-5) - número da plenitude de Israel dos que foram selados e que agora se encontram,  na Presença de Deus, simbolizado pelo Monte Sião. (Is 49:3; 61:3; 66:5-18; Ez 20:41; 36:23; 39:27; At 1:6-7; 321; 2 Ts 1:10)





Ap 14:1 –Então vi o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele estavam os 144 mil que tinham o nome dele e o nome de seu Pai escritos na testa”.
O monte Sião é um sinônimo para a Jerusalém, colocando em evidência o local onde o templo foi construído. No entanto, se tratando de uma visão, esse monte está falando da Jerusalém celestial (Hb 12.22). Os cento e quarenta e quatro mil trazem na fronte escritos o nome de Deus, no lugar do nome da besta (Ap 13.17). Em Apocalipse 7.2-4, a proteção para esse grupo é citada como um selo na fronte deles. O objetivo é que seja um contraste à marca da besta (Ap 13.16,17).

Nesse contexto, os 144 mil aparecem como a última geração dos verdadeiros adoradores de Deus (verso 7), que “guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (verso 12), em contraste com aqueles que adoram “a besta e a sua imagem” e recebem “a sua marca na fronte ou sobre a mão” (versos 9-11).

O fato de Apocalipse 7:1-8 mencionar o mesmo grupo de 144 mil como sendo formado “de todas as tribos dos filhos de Israel” (verso 4) tem levado alguns comentaristas a sugerir que esse grupo será formado por judeus literais, em cumprimento a certas promessas do Antigo Testamento para com a nação de Israel. Essa interpretação carece, no entanto, de base bíblica e de fundamentação histórica, pois (1) as tribos mencionadas em Apocalipse 7:1-8 não são exatamente as mesmas que aparecem na promessa de Ezequiel 48:1-8, 23-29 (ver também Gn 49:1-28); (2) seria praticamente impossível reunir ainda hoje “doze mil pessoas de cada tribo de Israel, uma vez que tais distinções tribais desapareceram quase que em sua totalidade, devido à deportação compulsória e miscigenação das tribos do norte (ver II Rs 17); e (3) no Novo Testamento a salvação “em Cristo” desfaz toda e qualquer distinção étnica (ver Gl 3:26-29). Diante disso, somos levados à conclusão de que os 144 mil serão formados pela última geração do povo remanescente de Deus, também chamado de Israel espiritual (ver Rm 9:6-8; I Pe 2:9 e 10).



Ap 14:2-3 –E ouvi um som que vinha do céu, como o som de fortes ondas do mar, como o som de um poderoso trovão. Era como o som de muitos harpistas tocando juntos. Esse grande coral cantava um cântico novo diante do trono de Deus e diante dos quatro seres vivos e dos 24 anciãos. Ninguém podia aprender o cântico, a não ser os 144 mil que haviam sido comprados da terra”.

O cântico novo provavelmente é aquele cantado diante do trono de Deus, em Ap 5.9,10. Aparentemente somente aqueles que já estavam com Cristo poderiam aprender o cântico, já que era um cântico de vitória, e para isso, era preciso já ter vencido por completo a grande tribulação.


Ap 14:4-5 – “Eles se conservaram puros, sem manter relações com mulheres, e seguem o Cordeiro por onde quer que ele vá. Foram comprados dentre os habitantes da terra como oferta especial a Deus e ao Cordeiro. Não mentiram; foram irrepreensíveis”.

Virgindade na bíblia simboliza a pureza espiritual (2 Co 11.2). Mostra que estes redimidos não se comprometeram com o mal; rejeitaram a falsa doutrina e se recusaram a adorar a besta, por isso foram mortos. No Novo Testamento, as primícias são a primeira parte de uma safra, indicando uma colheita muito maior a ser feita posteriormente (1 Co 16.15). Claramente mostrando que o arrebatamento ainda não havia acontecido, mas aqueles que venceram já haviam vencido e aguardavam o seu galardão.



Ap 14:6-7 -  “Vi outro anjo que voava no ponto mais alto do céu, levando as boas-novas eternas para anunciá-las aos habitantes da terra, a toda nação, tribo, língua e povo.“Temam a Deus!” dizia em alta voz. “Dêem glória a ele, pois chegou o tempo em que ele julgará a humanidade. Adorem aquele que fez os céus, a terra, o mar e todas as fontes de água.”

Antes do fim, o Evangelho deve ser pregado a todas as nações: não quer dizer que todas as nações se converterão, mas todas terão a oportunidade de decidir se serão a favor ou contra Cristo. Para isto, Deus enviará mensageiros com três importantes mensagens finais ao mundo.

O primeiro anjo trará mensagem de boas-novas. É chamado de “boas-novas eternas” porque não muda. É o mesmo evangelho da graça de Deus que foi pregado a Adão (Gn 3:15), ao povo de Israel (Hb 4:1, 2), aos gentios (Rm 1:16) e que deve ser proclamado em todo o mundo (Mt 24:14). Isto significa que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, o método de salvação é o mesmo, a salvação pela graça, mediante a fé em Jesus (Ef 2:8)

Serão anjos que farão estas proclamações? A palavra de Deus diz em 1 Pe 1:12 – Quando os profetas falaram a respeito das verdades que vocês têm ouvido agora, Deus revelou a eles que o trabalho que faziam não era para o benefício deles, mas para o bem de vocês. Os mensageiros do evangelho, que falaram pelo poder do Espírito Santo, mandado do céu, anunciaram a vocês essas verdades. Essas são coisas que até os anjos gostariam de entender”. Infelizmente, muitas pessoas interpretam esse texto dizendo que os anjos gostariam de pregar à humanidade, o que não está na bíblia, pois Jo 16:7-15 nos mostra que somente aquele que recebe o Espírito de Deus pode ser transformado e é dessa transformação que o evangelho se trata. Como alguém pregaria o que não experimentou?



Ap 14:8 –Então outro anjo o seguiu, dizendo em alta voz: “Caiu a Babilônia! Caiu a grande cidade que fez todas as nações beberem do vinho da fúria de sua imoralidade!”.

O segundo anjo trazia a mensagem de advertência. Aqui a Babilônia simboliza a igreja prostituta, a grande meretriz (Ap 18:2,23) aquela que se misturou ao mundo e adulterou contra Deus. Neste momento ela será desmascarada e Deus revelará ao mundo quem de fato o pertence (Dt 18:10-12).



Ap 14:9-11 – Um terceiro anjo os seguiu, dizendo em alta voz: “Aqueles que adorarem a besta e sua estátua, ou aceitarem sua marca na testa ou na mão,
beberão do vinho da fúria de Deus, que foi derramado, sem mistura, na taça da ira de Deus. E serão atormentados com fogo e enxofre na presença dos santos anjos e do Cordeiro. “A fumaça de seu tormento subirá para todo o sempre, e não terão alívio de dia nem de noite, pois adoraram a besta e sua estátua e aceitaram a marca de seu nome”.

Um terceiro anjo anuncia com uma grande voz o trágico destino de quem rejeita a oferta do evangelho e adora a besta. Em Romanos, Paulo fala sobre a ira de Deus descendo dos céus (Rm 1.18) contra os infiéis, conforme o Altíssimo permite que eles recebam as justas consequências de seu comportamento pecaminoso.


Ap 14:12 – Isso significa que o povo santo deve ser perseverante, obedecendo aos mandamentos de Deus e permanecendo fiel a Jesus”.

A perseverança dos santos mostrada em Ap 13.10, deve ser ato constante.  Aqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus, mesmo em tempos de muita dificuldade, receberão uma bênção divina especial.



Ap 14:13 - E ouvi uma voz que vinha do céu, dizendo: “Escreva isto: Felizes os que, de agora em diante, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, eles são verdadeiramente felizes, pois descansarão de seu trabalho árduo; porque suas boas obras os acompanharão”.

Descanso espiritual está disponível a qualquer um que se achega a Jesus Cristo pela fé (Mt 11.28). O Senhor falou aos mártires debaixo do quinto selo que repousassem ainda um pouco de tempo (Ap 6.11), até que o plano de Deus estivesse terminado. Aqui também é dito aos crentes que morreram que descansem dos seus trabalhos, sabendo que suas boas obras serão lembradas e recompensadas (1 Tm 5.25).





Ap 14:14-16 – Em seguida, vi uma nuvem branca e, sentado na nuvem, alguém semelhante ao Filho do Homem. Tinha uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão. Então outro anjo veio do templo e gritou bem forte para aquele que estava sentado na nuvem: “Use a foice e comece a ceifar, pois chegou a hora da colheita; a safra da terra está madura!. Assim, aquele que estava sentado na nuvem passou a foice sobre a terra, e toda a terra foi ceifada”.

Chegou o grande momento. O Filho julgará a humanidade como aquele que compartilha a natureza humana. Uma foice aguda de pedra ou ferro era a ferramenta básica para a antiga ceifa de grãos. Como as 144 mil testemunhas foram recebidas por Deus como as primícias (v.4) de Sua colheita, o restante da colheita da terra, com certeza, já está maduro tanto para a salvação (Mt 13.37-43) como para o juízo.



Ap 14:17-18 – Então ainda outro anjo, que tinha poder para destruir com fogo, veio do altar e gritou bem forte para o anjo que segurava a foice afiada: “Agora use sua foice para ajuntar os cachos de uvas da videira da terra, pois estão maduras!”.O anjo passou a foice sobre a terra e encheu de uvas o grande tanque de prensar da fúria de Deus”.

Este texto fala de punição para aqueles que perseguiram o povo de Deus, lembra a passagem de (Mt 13.38-43), quando Deus separa o trigo do joio para queimar.





Ap 14:20 –As uvas foram pisadas no tanque, fora da cidade, e dele correu sangue como um rio de quase trezentos quilômetros de comprimento, com altura que chegava aos freios de um cavalo”.

Um lagar era uma tina na qual os trabalhadores pisavam as uvas com os pés descalços, fazendo com que o suco escoasse para um barril. Esse sinal da ira e juízo de Deus (Is 63.3), comum no Antigo Testamento, aparentemente explica também como o vinho da ira de Deus (v.10) é produzido. A imagem do lagar é simbólica para uma quantidade inacreditável de sangue derramado.  Esse grande derramamento de sangue provavelmente é o resultado da vitória de Cristo sobre o exército humano reunido (Ap 19.17-19), já que Ele retorna na  batalha do Armagedom (Ap 16.16).

Segundo este capítulo do Apocalipse, há no mundo dois tipos de plantações distintas: A seara do Senhor e a vinha de Satanás. O trigo do Senhor e as uvas satânicas.
O lagar onde as uvas eram espremidas e convertidas em vinho, nesta profecia, é um símbolo da destruição dos ímpios como uvas negras da vinha do adversário da justiça. A colheita do trigo e das uvas ocorrerá simultaneamente por ocasião da segunda vinda de Cristo ao mundo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Aula 17: Desvendando o Apocalipse – “As Duas Bestas”


“Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente. Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará. Ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará”.

(Hb 2:2-3 – NVI)



1 - Introdução



Apocalipse 13 descreve o conflito entre a besta que subiu do mar e da terra contra Deus e o seu povo no período a tribulação.

O que significam os dez chifres e os dez diademas (coroas) sobre seus chifres?

A besta que sobe do mar indica que será o último grande governo mundial da história, e que o anticristo terá sob seu controle dez reinos, e o seu poder será sobre muitas nações e Satanás concederá o seu poder para esse governo afim de, usar contra Deus e o seu povo.

O nome de blasfêmia escrito em suas cabeças mostra que o anticristo irá contra Deus, opondo-se a Ele e a tudo que lhe diz respeito de forma enfática, confundindo e enganando a muitos que lhe derem ouvido.



Ap 13:1-2 “Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade”.

As águas do mar simbolizam “povos e multidões” (Ap 17:15). A palavra besta, só existe no livro do Apocalipse e é símbolo de poder dominante, já que se traduz por fera - uma representação da tirania que será utilizada como forma de poder contra as demais nações.

A palavra chifre na bíblia fala de força, poder, autoridade. Já as cabeças, falam de liderança, reis. O que dá a entender que 10 nações ou reinos estarão unidos, mas apenas 7 reis ou líderes terão autoridade. É como se um novo império surgisse a partir de algumas nações onde o poder será dividido entre sete líderes que elegerá apenas um no final (lembrando que esses números podem ser simbólicos e não literais).

Como na profecia anterior relatada em Daniel, fala de quatro reinos. Três destes reinos são identificados por nome em Daniel:

Leão = Babilônia, Urso = Medo-Pérsia, Leopardo = Grécia. O quarto reino visto por Daniel retrata a imagem vista por João em Apocalipse – (Dn 72-8)

João faz referência à besta com as características citadas por Daniel. Isso mostra a união desses antigos impérios no futuro ou as características desses impérios antigos, unidos agora ao novo império que surgirá.



Ap 13:3-4 – “Uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado. O mundo todo ficou maravilhado e seguiu a besta. Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: “Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?”

As cabeças são reis ou líderes. Um deles será golpeado de “morte” (Jr 14:17 usa o mesmo termo para o reino de Judá, mostrando sua derrota e enfraquecimento, e não morte física, extermínio), que atingirá a besta e seu poder de perseguir e destruir os santos. Isso mostrará um enfraquecimento desse império, no entanto, ele ressurgirá com mais poder, o que levará a humanidade a segui-lo cegamente.



Ap 13:5-8 – “À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas e lhe foi dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses. Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam nos céus. Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.”

Diante do que estudamos numa aula passada sobre as duas testemunhas, entendemos que o ressurgimento desse império se dará com a “morte” das duas testemunhas, e que esse tempo de 42 meses fala do tempo em que elas permanecerão mortas (três dias e meio – dia igual a ano). Durante esse tempo, será o momento de maior perseguição contra Deus e aqueles que o servem, por isso a blasfêmia, que quer dizer amaldiçoar uma divindade. Mas a profecia nos garante que ainda haverá um povo que não adorará a besta – “os que têm seu nome no livro da vida”.



Ap 13:9-10 – “Aquele que tem ouvidos ouça: Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém há de ser. Aqui estão a perseverança e a fidelidade dos santos”.

Esta frase aparece oito vezes no livro – em cada uma das cartas às sete igrejas e aqui. Sempre tem o propósito de chamar atenção à mensagem do Senhor, e incentivar os ouvintes a tomarem a decisão certa em resposta à palavra. O versículo que segue contém uma mensagem que oferece consolo para os santos, conforme a conduta deles.



Ap 13:11-15 –Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão. Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado. E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens. Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta que fora ferida pela espada e contudo revivera. Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem”.

Essas ações da besta descritas nos vs 12-17 certificam, na prática, que ela é o falso profeta mencionado em Ap 16:13; 19:20; 20:10.

Esse é o único lugar no Apocalipse onde o cordeiro não se refere a Cristo. Aqui, o cordeiro com dois chifres é um símbolo de dupla autoridade (talvez seja política e religiosa). Esta segunda besta fala como o dragão, assim como a primeira recebeu seu poder e sua autoridade do dragão, a segunda também o receberá (Ap 13:2).

Os sinais, como fazer descer fogo do céu e dar fôlego e fala à imagem da primeira besta, não quer dizer que eles farão milagres ou sinais sobrenaturais, mas que usarão de todas as formas para enganar toda a humanidade (2 Ts 2:8,9).



2 – A Marca da Besta



Ap 13:16-17 – “Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”

Ao longo dos tempos surgiram várias interpretações diferentes sobre o que é a marca da Besta. Isto acontece porque existem diferentes linhas escatológicas. Já foi sugerido, por exemplo, que essa marca seria um tipo de tatuagem, o código de barras ou um microchip. Também há quem afirme que receber a marca da Besta é observar o domingo ao invés do sábado.

Basicamente as diferentes interpretações podem ser classificadas em dois grupos: aqueles que interpretam a marca da Besta no sentido literal e aqueles que interpretam a marca da Besta no sentido simbólico.

·         O primeiro grupo interpreta a marca da Besta como um sinal visível e literal que será implantado nas pessoas num determinado momento da história. Normalmente os defensores dessa linha de interpretação adotam um estilo de leitura futurista do Apocalipse e acreditam que a marca da Besta será implantada pelo governo do Anticristo durante o período da grande tribulação.

·         O segundo grupo interpreta a marca da Besta como um sinal simbólico. Esse sinal não está restrito apenas a uma determinada geração futura, mas está presente em cada etapa da História. Isto significa que os adoradores de Satanás sempre existiram, e eles carregam a sua marca. Essa é a interpretação mais tradicional dentro do Cristianismo histórico.



Para entender o que é a marca da besta, é preciso observar que o livro do Apocalipse foi escrito numa linguagem predominantemente simbólica, que é comum em textos proféticos. Por isto o Apocalipse possui tantas semelhanças com alguns livros do Antigo Testamento, como Daniel, Ezequiel, Malaquias e Zacarias.

Considerando o cap 13 onde a marca da Besta é mencionada, o uso da linguagem simbólica é evidente. Um exemplo disto é que o texto fala de monstros com chifres e várias cabeças numa descrição simbólica. Então por que o trecho que fala da marca da Besta seria literal?

·         O livro do Apocalipse não é o primeiro a falar de pessoas sendo marcadas. Deuteronômio falava de um povo que recebeu uma marca na fronte e na mão. No caso de Deuteronômio, a marca era a Palavra de Deus que deveria estar atada como sinal na mão e na fronte de seu povo (Dt 6:4-8).

·         O livro do profeta Ezequiel também fala sobre uma marca na testa (Ez 9:4). Nesse texto o Senhor ordenou que todos os homens que reprovavam as abominações que aconteciam em Jerusalém fossem marcados com um sinal na testa de forma simbólica.

·         Esse mesmo princípio continua no Novo Testamento, onde lemos que a Igreja do Senhor é marcada por Ele (Ef 4:30; Ap 7:4). O próprio apóstolo Paulo explica que Deus selou o seu povo (2 Co 1:22) e que os redimidos são selados com o Espírito Santo da promessa (Ef 1:13).



Só há dois grupos de pessoas: os que são selados por Deus, e os que são marcados pela Besta. Quem não possui o selo de Deus possui a marca da Besta. Isso significa que o ímpio que persiste em iniqüidades, e se satisfaz em sua vida de pecado, pertence à Besta e adora a Satanás.

O significado da marca da Besta é muito mais profundo do que um simples sinal externo. A marca da besta atravessa os séculos e pode ser vista nitidamente em qualquer lugar da História. Dia após dia a Besta recruta seus súditos a uma oposição a Deus e rejeição a Cristo. A mensagem do Apocalipse é tão atual para nós hoje como foi para os cristãos do primeiro século.

A marca da Besta é colocada na mão direita e na fronte. A mão direita é uma referência às obras e as ações de uma pessoa, em todos os âmbitos de sua vida. Já a fronte simboliza a mente, isto é, a vida em termos de pensamento e filosofia.

Portando, receber a marca da Besta na mão direita e na fronte significa agir e pensar contrário aos ensinamentos de Cristo, ser inimigo de Deus e perseguidor de seu povo.

Uma pessoa que possui a marca da Besta tem suas ações e pensamentos dedicados a Satanás. Tudo o que ela pensa, diz, escreve ou faz, reflete o espírito anticristão que a governa. De uma forma ou de outra, suas ações ou filosofias perseguem a Igreja de Cristo.

Um sinal externo como um carimbo, código ou chip, colocado na mão e na testa, é fácil de tirar. Mas arrancar a ideologia de Satanás dos pensamentos e das ações de alguém, homem nenhum é capaz de fazer.



Pergunta:

·         Seria justo alguém perder a salvação simplesmente porque implantaram nela um chip contra a sua vontade?



O livro do Apocalipse foi escrito numa época de turbulência, de muita perseguição e morte. Foi diante desse pano de fundo sombrio que Cristo confortou sua Igreja através da mensagem dada ao apóstolo João. A Igreja não estava desamparada, pois Cristo estava vendo suas lágrimas e o sangue derramado dos mártires. Nada daquilo estava fora de Seu controle, pois o livro da História está em Suas mãos (Ap 5:9,10).

Então, os verdadeiros cristãos foram convidados a perseverar. Eles foram exortados a não aceitar a marca da besta e não adorar a Satanás. Por conta disso, muitos morreram, mas ficaram firmes na certeza de que reinariam com Cristo eternamente (Ap 20:4).

O fato da marca da Besta definitivamente não ser um chip, um carimbo, um cartão ou qualquer outra coisa, não significa que o Anticristo não usará recursos tecnológicos como ferramentas para perseguir o povo fiel ao Senhor. Ele possivelmente utilizará tudo o que tiver ao seu alcance para fazer com que todos os homens da terra o adorem.

Portanto, utilizar a tecnologia será apenas uma de suas facetas. De qualquer forma, embora não saibamos os detalhes de tudo o que acontecerá, o importante é saber que o Anticristo se levantará para ser destruído (2 Ts 2:2-4, 8-12).

A mensagem sobre a marca da Besta deve servir de alerta para todo cristão verdadeiro. Satanás está marcando as pessoas, imprimindo nelas o pensamento e o padrão deste mundo. Suas práticas orgulhosamente afrontam os mandamentos de Deus.

O resultado disso é que os homens estão vivendo de forma tranquila e satisfeita (Mt 24:37-39). Eles estão maravilhados com tudo o que o presente século os oferece. Eles estão adorando a imagem da Besta e dedicando seus pensamentos e ações às causas dela.

Mas nós devemos viver em santidade, mesmo que isso custe a nossa própria vida. Nós temos o selo de Deus e não podemos nos conformar com o mundo. Nós não podemos ser confundidos com os adoradores da Besta, com aqueles que carregam sua marca (Rm 12:1,2).



Ap 13:18 –Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

Depois da descrição anterior da tirania da besta, é feito um comentário explicativo destinado a transmitir sabedoria e entendimento ao leitor. O número da besta é seiscentos e sessenta e seis, descrito também como o número de homem. A besta é simplesmente um homem, não um deus, como os sinais poderiam sugerir. O número 6, logo abaixo do número 7 (número da perfeição – representação de Deus), é intensificado na repetição do  6 — três na bíblia simboliza a totalidade, ou seja, 666 quer dizer que ele será totalmente imperfeito como homem.

O próprio texto bíblico informa que o número 666 é o número da Besta, um homem representará o poder maligno na terra.

O que o autor do Apocalipse fez neste texto foi usar uma técnica que gregos e judeus costumavam usar naquela época.

Nos tempos antigos, as letras do alfabeto também serviam como numerais, além de símbolos fonéticos. Devido a esse duplo uso das letras, era comum o emprego de números escondendo nomes em enigmas. Essa técnica era chamada pelos gregos de Isopsefia, e pelos judeus de Gematria. Em nossos dias ela é normalmente conhecida como Criptografia.

Essa expressão não se refere a um estudo matemático ou a uma pesquisa cientifica. João fala que aqueles que são iluminados pelo Espírito Santo são capazes de entender a mensagem principal por trás do número 666, mesmo que desconheça sua aplicação primária. Com base no contexto do livro, essa mensagem principal não pode ser outra, a não ser um tipo de contraste entre Satanás e Cristo, entre o vencido e o vencedor.

Ao longo dos anos, vários nomes foram sugeridos na tentativa de decifrar o significado de 666 no Apocalipse. A tarefa é bastante complexa, pois é necessário pegar um determinado nome em grego, transliterar para o hebraico, para só então aplicar o valor numérico das letras e chegar ao somatório 666.

Nero César e Tito Flávio Domiciano são exemplos de nomes transliterados que davam o úmero 666.

Olhando por este esse aspecto, pode significar a natureza do homem iníquo que surgirá no final da presente era. Nero e outros governantes ímpios apenas tipificaram o futuro anticristo, que será mais poderoso e perverso que todos eles juntos. Mas por mais que ele pareça ser poderoso e invencível, jamais passará de um simples homem. O homem mais temido que o mundo conheça, será um “6”, e nunca será um “7”, número de Deus.
3 - Conclusão

O livro do apocalipse tem dois propósitos:

O primeiro nós encontramos no capítulo 1 - “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer.”

E o segundo está embutido em todo livro na convocação de seu povo a obediência, perseverança e fidelidade a Deus, apesar das provações (Ap 2:10, 25; 3:15; 21:8)

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