sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Aula 03 - Desvendando o Apocalipse: "Simbologias"



“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe concedeu para mostrar a seus servos os acontecimentos que em breve devem se realizar, e que Ele, por intermédio do seu anjo, expressou ao seu servo João,  o qual comprovou tudo quanto viu da Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo.  Bem-aventurados os que lêem, bem como os que ouvem, as palavras desta profecia e obedecem às orientações que nela estão escritas, porquanto o tempo desses eventos está às portas. Saudação às sete igrejas da Ásia”. (Ap 1:1-3 – KJA)

1 – Introdução

O Apocalipse é um livro que utiliza muitos símbolos, porém, todos eles são explicados pela própria Palavra de Deus. Para compreender o Apocalipse é preciso ter em mente que ele é um resumo de toda a Bíblia. Portanto, para entendê-lo é preciso consultar o Antigo Testamento, inclusive os livros proféticos, e também o Novo Testamento.
Eis aqui uma pequena tabela de conversão dos símbolos usados no Apocalipse, para você usar toda vez que lê-los no livro profético: 


Virgem = povo de Israel (1 Rs 1:15; Is 23:12; 37:22; Jr 14:17; 31:431:21)
Animal = rei ou Reino (Dn 7:17, 17 e 23)
Mulher = igreja (Ef 5:23 e 32)
Água = povos (Ap 17:15)
Um dia = 1 ano (Ez 4:6 e 7; Nm 14:34)
Ventos = guerras (Jr 51:1-5)
Chifres = poder, rei ou reino (Ap 17:12; Dn 8:21 e 22; 7:14)
Tempos = anos (Dn 11:13)
Dragão = diabo (Ap 12:9)
Cordeiro = Jesus Cristo (Jo 1:29)
Cauda = falso profeta (Isaías 9:15)
Estrelas = mensageiros (Ap 12:4 - anjos; Dn 12:3 - pregadores)
Apocalipse = revelação (Ap 1:1) 

2 - Sobre o Autor

Por que João foi escolhido para escrever o Apocalipse? João tinha 85 anos quando começou a escrever o livro. Estava preso e isolado em Patmos, uma ilha árida e rochosa no mar Egeu, na Grécia, escolhida pelo governo romano para banimento de criminosos. 
João tinha 17 anos quando viu Jesus pela primeira vez. Mateus 4:18 a 21
Os irmãos Tiago e João eram pescadores e estavam consertando o barco do pai, provavelmente para saírem em mais uma viagem ao mar. Porém, quando ouviram o chamado de Jesus para O acompanharem, largaram tudo e O seguiram. 
Os relatos bíblicos seguintes confirmam que João esteve presente nos momentos mais importantes da vida de Jesus. 
·         João foi consultado sobre o desaparecimento do corpo de Jesus. (Jo 20:1 e 2)
·         João estava presente quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo. (Lucas 8:49-51)
·         João foi um dos escolhidos para subir ao monte com Jesus onde contemplou Sua transfiguração. (Mt 17:1-2)
·         João foi levado junto ao Getsêmani enquanto Jesus orava. (Mt 26:36-37)
·         João estava presente no momento em que Jesus era julgado na corte. (Jo 18:15-16)
·         João estava aos pés da cruz quando Jesus foi crucificado. (Jo 19:25-27)
Não foi por acaso que João foi chamado de o apóstolo amado. Ele esteve presente nos momentos mais importantes da vida de Jesus. Estava sendo preparado para algo muito maior. 

Ele não era um homem perfeito. Amava a Deus de todo o coração, mas tinha uma personalidade forte. A própria Bíblia se refere a isto em Marcos 3:17

Depois que Cristo foi crucificado, começaram as perseguições contra os apóstolos. Alguns foram mortos cruelmente, mas a vida de João foi sendo preservada. Foi aí, então, que João começou a entender que o reinado de Jesus não era deste mundo. Entendeu também qual era seu papel e ministério. 
Aos 85 anos, João foi escolhido para ser o mensageiro de revelações, não por acaso. Ele foi sendo moldado por Jesus durante toda sua vida, para que pudesse compreender o real significado do ministério de Cristo. Ele foi escolhido por causa do relacionamento íntimo que tinha com o Mestre.

3 - Explicando Apocalipse 1

Deus deu a Jesus Cristo uma revelação, que entregou a mensagem ao anjo Gabriel e este notificou ao servo João. Essa foi à ordem dos acontecimentos. 
O próprio Deus deu a revelação para Jesus, para que através de Gabriel chegasse a João, o qual foi escolhido para transmitir a mensagem a seus servos, que na época compunham as Sete Igrejas da Ásia, e, por conseguinte, chegasse até nós. Esta mensagem era sobre as coisas futuras, revelações do fim.
Apocalipse 1:2: "O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto." Essa passagem confirma porque João, com quase cem anos, foi escolhido para escrever o livro. Ele escreveu sobre tudo aquilo que viu. 

Apocalipse 1:3: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo."
Creio que essa seja uma das poucas, senão a única passagem bíblica em que é oferecida uma benção tríplice. Os versos também mostram que existem três estágios espirituais para todo o servo que queira conhecer as revelações do Apocalipse. 

·         Primeiro nível: aqueles que lêem – são os servos que lêem a Palavra, a conhecem, dedicam tempo para seu estudo.
·         Segundo nível: aqueles que ouvem – são os servos que se permitem ficar em silêncio para ouvir a voz de Deus falar-lhes ao coração. 
·         Terceiro nível: aqueles que guardam – são os que já leram, já ouviram e agora praticam o que aprenderam na vida.

Apocalipse 1:4-6: "João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e dos sete espíritos que estão diante do Seu trono. E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados. E nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém." 

Quem são os sete espíritos que estão diante do trono? Sabemos que o número sete, na Bíblia, representa a perfeição divina, a plenitude. Aqui o sete é usado de maneira simbólica. 

Sete = número simbólico que representa a perfeição.
Espíritos = A totalidade de Deus mencionada em Isaias 11:2
O verso declara Jesus como o primogênito dentre os mortos. A referência é para afirmar que Jesus foi a pessoa mais importante que já experimentou a morte. 

Apocalipse 1:7: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém."
Primeira promessa em Apocalipse sobre a volta de Jesus. Indicação de como será Sua vinda. Afirmação de que todas as pessoas que estiverem vivas O verão. Também ressuscitarão no dia da volta do Senhor aqueles que O transpassaram (todos que tiveram participação direta ou indiretamente em Sua morte). Os mortos em Cristo também se levantarão dos túmulos na Sua volta. 

Apocalipse 1:8: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso."
Alfa é a primeira letra do alfabeto grego, ômega a última. Isso quer dizer que Deus Se intitulou como sendo o início e o fim de tudo. Que promessa maravilhosa Deus faz aqui; que esperança é saber que por maior que sejam os problemas pelos quais passamos ou vamos enfrentar, eles têm uma data certa para acabar. 

Ap 1:9: "Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo." 
João confessa que é nosso irmão, que foi como um de nós, cheio de problemas e provações. Aliás, ele estava preso e isolado em  idade avançada na ilha de Patmos justamente por causa da Palavra de Deus. Ele, que andava com Jesus, que foi chamado de apóstolo amado, não foi poupado das injustiças deste mundo. Muitos acreditam que seguir a Jesus é assinar uma "apólice de seguro", porém, aqui fica claro que mesmo João foi alvo de injustiças e provações. Porém, ele seguiu em frente, olhando para o alto, pois sabia que havia de cumprir o propósito pelo qual fora criado. 

Ap 1:10: "João diz: Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta." 
A real explicação para essa afirmação é que em momento de revelação, o Espírito Santo de Deus levou a mente de João para um estado onde pudesse compreender a visão e a mensagem que iria receber. Sua "alma" não saiu do corpo e foi para algum lugar do "além". Não. A Bíblia é enfática em afirmar que a vida (alma) não existe se corpo e espírito (fôlego) não estiverem juntos. O Espírito Santo impressionou a mente do apóstolo a fim de que ele pudesse ver. 

João disse que sua visão foi no dia do Senhor, ou seja, no sábado (Is 58:12-14;  Êx 20:10-11; Lc 4:16)


Ap 1:10-14: "E ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta. Que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodiceia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro." 
João viveu com Jesus durante anos. Tinha um íntimo relacionamento com o Senhor. Por que, então, o verso menciona que ele precisou se virar para ver quem falava com ele?
Jesus esteve na terra como homem, assim como João. O apóstolo não O reconheceu de imediato porque a voz de Jesus havia mudado. Jesus apareceu a João glorificado, como o próprio Deus. Com uma voz cheia de poder.
Que sete igrejas são essas? Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
O que são os sete castiçais de ouro? Um símbolo usado para descrever as sete igrejas. "O mistério dos sete castiçais de ouro que viste, são as sete igrejas" (Ap 1:20).
O texto trata da primeira revelação que João teve. E sua tradução é a seguinte: João ouviu Jesus falando com ele, afirmando ser o início e o fim. Jesus deu ordem para que João escrevesse tudo aquilo que visse e então mandasse para as sete igrejas, ou seja, para todas os seus servos na Terra. João disse que, ao se virar, viu sete castiçais de ouro, ou seja, as sete igrejas. E no meio dessas igrejas estava Jesus Cristo.

Ap 1:13-15: "No meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os Seus olhos como chama de fogo. E os Seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a Sua voz como a voz de muitas águas." 
As vestes usadas por Jesus eram as mesmas que os sacerdotes do Antigo Testamento usavam quando estavam oficiando no santuário. O relato da descrição das roupas deixa claro que assim como existia um santuário terrestre, existe também o celestial, no qual Jesus está ministrando como sacerdote. 
Cabelos Brancos como lã = Alto grau de sabedoria, Onipresente.
Olhos como chama de fogo = Justiça e Onisciência
Pés semelhantes a latão reluzente = Força e Onipotência
Voz de muitas águas = Poderoso, imponente.

Apo 1:16: "E ele tinha na Sua destra sete estrelas; e da Sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o Seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece." 

Sete estrelas = "O mistério das sete estrelas que viste na minha destra são os anjos das sete igrejas" (Ap 1:20). Mensageiros das Igrejas, fala da responsabilidade de se pregar a Palavra de Deus. Jesus tem em Sua mão direita os mensageiros da Sua Palavra e os sustenta com ela. 

O que é a espada aguda de dois fios que saia da boca de Jesus? "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4:12). 
Logo, o significado do verso é o seguinte: Jesus sustenta em Sua mão direita os mensageiros de Sua Palavra; de Sua boca sai toda palavra de Deus que é tão penetrante que, quando temos um coração receptivo, entra no íntimo da nossa mente e é capaz de mudar as intenções do coração. 



Ap 1:17-18: "E eu, quando vi, caí a Seus pés como morto; e Ele pôs sobre mim a Sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último. E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno." 

Todo e qualquer ser humano, no estado de pecador, não pode ver a Deus. Com João não foi diferente. Não conseguia enxergar a glória de Deus e então desmaiou. Mas Jesus o levantou com Sua mão direita e disse-lhe: "Não temas, Eu sou o primeiro e o último." Jesus também  refere a Si como aquele que morreu, mas que hoje está vivo para todo o sempre. Jesus é o único que tem a chave da morte e das sepulturas ("inferno"), só Ele pode dar vida aos mortos. 

Apocalipse 1:19: "Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer."
Jesus chama a atenção de João para que ele continue escrevendo tudo que diante dele tem se revelado, pois é chegada a hora de mostrar a todos os servos de Deus tudo o que há de acontecer. Para que ninguém seja enganado. 


Apocalipse 1:20: "O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas."

O capítulo termina com Jesus revelando o significado das sete estrelas e dos sete castiçais.








Aula 02 - Desvendando o Apocalipse : "Entendendo as Dispensações"

“Estão chegando os dias, declara o Senhor, quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; visto que eles não permaneceram fiéis à minha aliança, eu me afastei deles", diz o Senhor. "Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o Senhor. "Porei minhas leis em suas mentes e as escreverei em seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados". (Hb 8:8-12 – NVI)


1 - Introdução

O dispensacionalismo é uma doutrina teológica e escatológica cristã que afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do reino de Deus na Terra.
A palavra "dispensação" deriva-se de um termo latino que significa "administração" ou "gerência", e se refere ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo.
Inicialmente elaborada por John Nelson Darby, o dispensacionalismo é um sistema teológico que apresenta duas distinções básicas: 1 - Uma interpretação consistentemente literal das Escrituras, em particular da profecia bíblica, vista em várias séries de "dispensações" de Deus na história e a 2 - A distinção entre Israel e a Igreja no programa de Deus.
A teologia dispensacionalista acredita que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. Os dispensacionalistas acreditam que a salvação foi sempre pela fé
Os dispensacionalistas afirmam que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja. Eles crêem que as promessas que Deus fez a Israel no Velho Testamento serão cumpridas no período de 1000 anos de que fala Ap 20, e que da mesma forma que Deus concentra sua atenção na igreja nesta era, Ele novamente, no futuro, concentrará Sua atenção em Israel (Rm 9-11). A maioria dos dispensacionalistas é contra acordos de paz, pois segundo eles, só adiaria o inevitável que é a volta de Jesus.

2 – A Origem do Dispensacionalismo

John Nelson Darby (18/11/1800 a 29/04/1882) foi um pregador anglo-irlandês, figura muito influente em grupos cristãos adenominacionais com origem em reuniões entre protestantes em Dublin na Irlanda por volta de 1825.
Foi considerado o pai do moderno Dispensacionalismo e do Futurismo. A teologia do arrebatamento pré-tribulacional foi popularizada extensivamente na década de 1830 por ele e pelos Irmãos de Plymouth, e se tornou ainda mais conhecida nos Estados Unidos no início do século XX pela vasta circulação da Bíblia de Estudo Scofield.
Charles Spurgeon, pastor contemporâneo de Darby, publicou uma crítica a ele e ao movimento dos irmãos. Sua crítica principal foi que Darby e os Irmãos de Plymouth rejeitaram o propósito vicário da obediência de Cristo, assim como a sua justiça imputada ao crente. Spurgeon acreditava que tais noções eram tão importantes e centrais para o evangelho que o levou a adotar uma postura crítica em relação a todas as crenças dos Irmãos.
James Grant escreveu: “Por causa das heresias mortais mantidas e ensinadas pelos Irmãos de Plymouth em relação a algumas das mais importantes doutrinas do evangelho, contra as quais já tenho advertido com alguma intensidade, e por mais anti-bíblicos e perniciosos que possam ser, estou certo de que meus leitores não ficarão surpresos com nenhum outro ponto de vista, dos quais os Darbistas têm adotado e zelosamente tentado propagar”.

3 - As Dispensações ou Períodos Bíblicos

O Dispensacionalismo é um método de interpretação histórico que divide a obra de Deus e Seus propósitos para a humanidade em diferentes períodos de tempo.
Geralmente há sete dispensações identificadas, embora alguns teólogos acreditem que haja nove. Outros contam de três até mesmo 37 dispensações. Neste artigo, vamos nos limitar às sete dispensações básicas encontradas nas Escrituras.
Em cada dispensação observamos quatro situações que se repete: Deus convida o homem pra uma parceria, o homem se rebela, Deus trás juízo e faz uma promessa de redenção dando um novo recomeço a humanidade.

· A primeira é chamada de Dispensação da Inocência (Gn 1:28-30 e 2:15-17). Esta dispensação abrangeu o período de Adão e Eva no Jardim do Éden. Onde o principal mandamento de Deus era não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Convite a Parceria: Deus criou o home a Sua imagem e semelhança, e o visitava todos os dias no jardim do Éden (Gn 1:26) – Rebeldia: Desobedeceu ao único mandamento que Deus deixou comendo do fruto proibido (Gn 3:6-11) – Juízo: Expulsou Adão e Eva do Jardim amaldiçoando-os (Gn 3:7-240) – Promessa de Redenção: Um descendente que aniquilaria o mal (Gn 3:15)

· A segunda é chamada de Dispensação da Consciência, e durou cerca de 1.656 anos a partir do momento da expulsão de Adão e Eva do jardim até e o dilúvio (Gn 3:8-8:22). Esta dispensação demonstra que a consciência humana por si só é falha e é facilmente influenciada pelo mal. Os descendentes de Adão e Eva cresceram muito e se dividiram em duas gerações: os que serviam a Deus e os que se rebelaram contra Ele. No entanto, o mal cresceu assustadoramente a ponto de Deus decidir destruir a humanidade e deixar somente um remanescente, Noé e sua família. Convite a Parceria: Deus propõe a Caim o arrependimento (Gn 4:6-7) – Rebeldia: Com o crescimento da humanidade cresceu também a perversidade humana (Gn 6:5-6) – Juízo: Dilúvio (Gn 6:7) – Recomeço: Noé, sua família e alguns animais foram poupados para um novo começo (Gn 6:8,13,18).

· A terceira é a Dispensação do Governo Humano, a qual começou em Gn 8. Deus tinha destruído a vida na terra com um dilúvio, salvando apenas uma família para reiniciar a raça humana. Deus fez as seguintes promessas e comandos para eles: 1) Não amaldiçoar a terra novamente (promessa); 2) Deveriam povoar a terra com pessoas; 3) Exercer domínio sobre a criação animal; 4) São autorizados a comer carne; 5) A lei da pena de morte é estabelecida; 6) Nunca haveria outro dilúvio mundial (promessa); 7) Deixou um sinal e Sua no céu, o arco-íris. Os descendentes de Noé não se espalharam enchendo a terra como Deus havia ordenado, assim falhando em sua responsabilidade nesta dispensação. Cerca de 325 anos depois do dilúvio, os habitantes da terra começaram a construir uma torre, um grande monumento idólatra e de rebeldia contra Deus, revelando a falta de confiança em Suas promessas (Gn 11:7-9). Como resposta, Deus deu um fim à construção, criando diferentes idiomas e reforçando o Seu comando de encher a terra. O resultado foi o surgimento de diferentes nações e culturas. Convite a Parceria: Recomeço após o dilúvio (Gn 9: 9-17) – Rebeldia: Construiram uma torre (Gn 11:3-6) – Juízo: Confusão das línguas (Gn 11:7-9) – Recomeço: Dispersou o povo para recomeçarem a vida (Gn 11:8-9)

· A quarta é a Dispensação da Promessa, começou com o chamado de Abraão, continuou através das vidas dos patriarcas e terminou com o Êxodo do povo judeu do Egito, um período de aproximadamente 430 anos. Durante esta dispensação, Deus desenvolveu uma grande nação que Ele havia escolhido como o Seu povo (Gn 12:1-Êx 19:25). Essa dispensação encerrou com a escravidão do povo de Israel no Egito, dando a eles a oportunidade de crescer como nação separada, já que os egípcios não se misturavam a outras raças e os considerava uma raça inferior. José também, influenciado por Deus, soube separá-los geograficamente do Egito. Convite a Parceria: Chamado de Abraão (Gn 11:31-19:9) – Rebelião: Os filhos de Jacó se tornam traiçoeiros (Gn 34,37,38) – Juízo: Fome em Canaã e escravidão no Egito (Gn 41 a Ex 1) – Recomeço: Deus estabelece uma grande nação (Gn 46: 2-4)

· A quinta é a Dispensação da Lei. Durou quase 1.500 anos, do Êxodo até ser suspensa após a morte de Jesus Cristo. Durante esta Dispensação que Deus firmou uma Aliança com a nação de Israel, conhecida como Lei, encontrada em Êx 19-23, mas devido à desobediência do povo à esta aliança, as tribos de Israel perderam a Terra Prometida e foram submetidas à escravidão, exilados separadamente – Israel na Assíria e depois dispersa pelo mundo, e Judá na Babilônia, voltando depois como remanescente de Deus a Jerusalém com a finalidade de preparar a chegada do Messias. Convite a Parceria: A Aliança de Deus com o povo (Ex 19:5-6) – Rebeldia: Esqueceram-se de Deus e se tornaram idólatras (Is 50:1 e Jr 2:1-17:6) – Juízo: Divisão do reino, exílio e dispersão de 10 tribos (Am 2:4-16) – Promessa de Redenção: Jesus Cristo (Is 9:6-7; Jo 3:16-18 )

· A sexta é a Dispensação da Graça. Ela começou com a ressurreição de Cristo (Lc 22:20). Esta "Dispensação da Graça" é mencionada em Dn 9:24-27, como as semana entre a 62 e 70 de sua visão. Ela começa com a morte de Cristo e termina com volta de Jesus. Esta dispensação é mundial e inclui tanto os judeus quanto os gentios. A responsabilidade do homem durante a Dispensação da Graça é crer em Jesus, o Filho de Deus (Jo 3:18). Nesta dispensação, o Espírito Santo habita como o Consolador (Jo 14:16-26). Esta dispensação tem durado mais de 2.000 anos, e ninguém sabe quando vai acabar. Sabemos, no entanto, que acabará com a volta de Cristo. Convite a Parceria: Chamou-nos de amigos (Jo 15:15) – Rebelião: A Humanidade não o aceitou (Jo 3:19) - Juízo: A grande tribulação (Rm 3:5-6; Jo 12:48) – Redenção: Salvação eterna (Mt 24:13).

· A sétima dispensação é a do Reino Milenar de Cristo e terá a duração de 1.000 anos enquanto o próprio Cristo reinar sobre a terra. Este Reino cumprirá a profecia para a nação judaica de que Cristo voltará e será o seu rei. As únicas pessoas autorizadas a entrar no Reino serão aqueles que morreram em Cristo na Dispensação da Graça e os sobreviventes justos dos sete anos de tribulação. Satanás será preso durante os 1.000 anos e este período terminará com o julgamento final (Ap 20:11-14). O velho mundo será purificado pelo fogo, e virão Novos Céus e a Nova Terra Apocalipse 21 e 22. Convite a Parceria: Reinar com Cristo (Ap 20:6) – Rebelião: Haverão opositores ao reino de Cristo (Ap 20:7-9) – Juízo: O grande Trono Branco (Ap 20:11-15) – Redenção: Novos Céus e nova Terra (Ap 21)



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