sexta-feira, 15 de março de 2019

Recapitulando


Contexto do Livro 

Era o final do reinado do Imperador Domiciniano, um dos maiores perseguidores dos cristãos.
A mensagem era de Deus, mas a linguagem usada era humana. João era judeu, criado no judaísmo, e por isso, conhecia muito bem os profetas Isaías, Ezequiel, Daniel e Habacuque, suas mensagens e a linguagem usada por eles (v.2 e 3)
Este livro foi criptografado aos judeus para que os romanos não o entendessem.
Somente quem conhecesse e entendesse as escrituras da época ( leis e profetas) podiam interpretar aquela simbologia.

Observação: O Novo Testamento só foi escrito depois do ano 45 d.C e encerrado o ano 100 d.C. Jesus morreu entre o ano 29 a 31 a.C

Capitulo 1

Vs. 1 a 3 – Faz a apresentação do livro de apocalipse, mostrando quem é o autor e o tema do livro.

·Autor: João, filho de Zebedeu, primo de JESUS.

·Idade: Tinha 85 a 86 anos quando recebeu estas revelações da parte de Deus.

·Local: Ilha de Patmos (atual Turquia Moderna) - exilado político. Esta ilha era rochosa,
sem vida e sua extensão era de 16x10 Km no meio do Mar Egeu.

·Ano do acontecimento: 95 d.C

·Tema do Livro: Revelação da parte de Deus a Jesus Cristo sobre as últimas coisas.

Vs. 4 a 8 – É a saudação de João às sete igrejas da Ásia, as quais eram endereçadas aquelas cartas, e mostrando que vinha da parte da Trindade Santa.

Vs. 9 – João se apresenta como participante dos seus sofrimentos e perseverante na fé em Cristo, motivos pelo qual aquelas igrejas também eram perseguidas pelo Império Romano.

Vs 10 a 11 - Fala sobre a sua experiência com Deus e conta o motivo pelo qual estava escrevendo aquela carta. Também revela em qual dia da semana ele havia recebido aquela revelação – no sábado.
Shabbat – significa, o dia que Deus reina, o dia da Sua plenitude, o dia do Mover de Deus.

Vs. 12 a 20 – Relata a visão que teve de João, que é a mesma que Daniel teve (Dn 10:5-6)
Nesta visão, João vê Cristo no meio de 7 castiçais – MENORAH (peça que ficava no santuário do templo, entre o átrio e o Santo dos santos. Essa peça era composta por sete pontas unidas formando um único candelabro, que deveria ficar aceso 24h por dia, e era função do sacerdote cuidar que isso acontecesse.
Então, todos os dias o sacerdote limpava aquela peça, via se o pavio estava funcionando e depois abastecia com óleo para que o seu fogo nunca se pagasse.
Essa revelação de João mostra que o próprio Cristo estava atuando como sacerdote no céu, cuidando daquelas igrejas. E por serem judeus, eles conheciam as escrituras e enxergavam naquelas palavras o cumprimento de (Lv 26:11-12)

Capitulo 2

Os capítulos 2 e 3, relatam o teor das cartas ditadas por Cristo a João. Eram sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sárdis, Filadélfia e Laodicéia.

Éfeso – (vs. 1 a 7)  

A maior e mais importante cidade da Província Romana, muito conhecida pelo centro comercial que possuía com o maior porto marítimo daquela região e também como centro religioso, com o  templo de Diana, a “deusa da fertilidade”.
Os fundadores desta igreja foram Áquila e Priscila. (Ef 19)
Paulo a visitou e escreveu uma carta que ficou conhecida como a carta aos Efésios.
João também viveu ali algum tempo. Na época que João escreve esta carta, Timóteo provavelmente fosse o seu pastor.
A carta de Cristo dirigida à igreja de Éfeso representa a mensagem que Ele tinha para o primeiro período da igreja cristã... a igreja apostólica. O período relacionado à igreja de Éfeso vai do ano 31 d.C. ao ano 100 d.C. – (Morte de Cristo a morte de João)
A estrutura das cartas possuía: Saudação, elogio, exortação, conselho e promessa.
Foi elogiada por sua perseverança e fidelidade a Deus, por ser uma igreja missionária e por não terem permitindo falsas doutrinas no meio dela. Mas foi exortada por ter abandonado o primeiro amor e aconselhada a retornar para que sua luz não fosse extinta, ou seja, Cristo a privaria de suas bênçãos.
A palavra Éfeso significa “desejável”. Essa palavra descreve o caráter e as condições espirituais da igreja cristã em sua primeira etapa.


Esmirna – (vs.8 a 11)

A cidade ficava a 55 km de Éfeso, era rica e também possuía porto marítimo. Era centro de adoração ao imperador e a única sede do templo em adoração ao Imperador Tibério. Naquela época, os líderes eram considerados deuses.
Esta é a única carta que não possui reprovação da parte de Cristo. Ele a elogia e fala sobre a perseguição que esta igreja (período) sofreria, mas também a incentiva a perseverar até o fim.
A carta de Cristo dirigida à igreja de Esmirna representa o segundo período profético da igreja, que vai do ano 100 a 313 d.C.

v. 10 – Perseguição
10 dias = 10 anos (Lv 25:1-7, Nm 14:34 e Ez 4:4-6) nos mostram a base desta interpretação.
A regra clássica de interpretação é “sola scriptura”, a própria bíblia se interpreta.
Essa perseguição aconteceu no ano 303 d.C com imperador Diocleciano e terminou com o edito de Milão do imperador Constantino em 313 d.C dando liberdade religiosa a toda população. Isso aconteceu após a sua conversão ao Cristianismo.


Pérgamo – (vs. 12 a 17)

Pérgamo significa altura. Isto se dá devido a sua localização, 300m acima do nível do mar.
Foi fundada em 539 a.C, mais ou menos, quando os babilônicos perderam para os persas, e alguns sacerdotes então, fugiram e fundando neste local uma cidade onde continuaram suas práticas politeístas e místicas.
Principal centro da cultura helenista desde o III século a.C., era muito próspera e centro principal dos intelectuais da época, onde se adorava o deus Asclépio, deus grego da cura, representado pela serpente, e famosa pelo grande altar de Zeus hoje no museu de Berlim.
Em suma, era uma cidade pagã com influência babilônica e com a cultura romana que exigia a adoração ao imperador.
Foi elogiada, mas também foi reprovada por ser conivente a cultura dos nicolaitas e de Balaão, ou seja, estavam permitindo que a cultura pagã influenciasse seus costumes coisas inaceitáveis a Deus.
Esse período se dá em 313, ano que Constantino termina com a perseguição aos cristãos a 538 com início da supremacia papal.


Aula 04 - Desvendando o Apocalipse: "As Sete Igrejas da Ásia" (Parte I)


“...Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida... de maneira alguma sofrerá a punição da segunda morte, e proporcionarei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedra branca, e sobre essa pedra estará grafado um nome nome, o qual ninguém conhece, a não ser aquele que o recebe.”
(Ap 2:7, 11e17 - KJA)

Introdução

Os capítulos 2 e 3 de Apocalipse revelam o conteúdo das cartas que o próprio Jesus ditou ao apóstolo João para serem enviadas às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
Essas sete igrejas representam os períodos pelos quais a Igreja de Deus passou. Nas cartas, encontramos o retrato da relação de Cristo com as diferentes fases da Igreja ao longo da era Cristã.

1ª Igreja - Éfeso

Éfeso era uma importante cidade na província romana da Ásia. O que fazia da cidade uma atração mundial era o famoso templo de Diana, a denominada “deusa da fertilidade” dos efésios, conhecida hoje como Templo de Ártemis. A maioria das pessoas que viviam na cidade adorava deuses pagãos. Paulo fundou esta igreja e João viveu ali algum tempo. A carta de Cristo dirigida à igreja de Éfeso representa a mensagem que Ele tinha para o primeiro período da igreja cristã.
O período relacionado à igreja de Éfeso vai do ano 31 d.C. ao ano 100 d.C. A palavra Éfeso significa “desejável”. Essa palavra descreve o caráter e as condições espirituais da igreja cristã em sua primeira etapa.

Ap 2:1 “Ao anjo da igreja de Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na mão direita as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:”

Anjos = mensageiros
Sete estrelas = anjos (mensageiros ou emissários) das sete igrejas
Sete candeeiros = sete igrejas
Jesus faz menção sobre Ele mesmo ser o autor das mensagens o apóstolo João escreveu.

Ap 2:2 “Conheço as tuas obras e o teu trabalho e a tua perseverança, e que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são e os achastes mentirosos.”

Elogio de Jesus aos Seus seguidores; um incentivo para se apegarem às boas obras e renunciarem as más. Nada passa despercebida por Ele.

Ap 2:3 “Tens perseverança e por causa do Meu nome sofreste e não desfaleceste.”

A igreja apostólica foi muito perseguida pelos judeus e pelos romanos. Nero incendiou Roma em 19 de julho de 64. Os historiadores falam com indignação da crueldade de Nero para com os cristãos incessantemente perseguidos. A perseguição implacável durou quatro anos, até a morte de Nero.
Embora perseguidos, os cristãos eram pacientes e conformados, pois sabiam em Quem criam. Outro elogio de Jesus diz respeito ao trabalho missionário desta igreja, que foi o mais grandioso de toda a história da Igreja. Os apóstolos percorreram os quatro cantos do mundo pregando o evangelho.

Ap 2:4 “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.”

Jesus, em seu amor, repreende Seu povo sempre que necessário. A gloriosa igreja que em apenas 30 anos evangelizou o mundo é, por fim, acusada da perda do primeiro amor. Não é o caso que a igreja não amasse mais a Deus, a Jesus e Sua verdade. Mas já não era como no princípio de sua fundação.
A discussão de assuntos sobre doutrinas sem importância ocupou o tempo que devia ser usado para pregar o evangelho. Foi nessa hora crítica da Igreja que João foi isolado na ilha de Patmos. Quase todos os outros apóstolos já estavam mortos.

Ap 2:5 “Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te e pratica as primeiras obras. Se não te arrependeres, brevemente virei a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.”
Se a Igreja não voltasse às primeiras obras, o candeeiro seria retirado. Isso significava que Jesus privaria a Igreja da luz e das bênçãos do evangelho, para confiá-las a outras mãos.

Ap 2:6 “Tens, porém, a teu favor, que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio.”
Os nicolaitas faziam parte de uma seita fundada por Nicolau, da Antioquia. Diziam-se cristãos, mas consideravam normal o adultério e outras práticas odiadas por Deus. Eles achavam que a fé em Jesus os liberava da obediência aos Dez Mandamentos.

Ap 2:7 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe–ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.”
A promessa ao vencedor é bem clara: o direito de comer “da árvore da vida”. Benefício que nem Adão e Eva tiveram no jardim do Éden. Deus o guarda somente àqueles que vencerem o mal nesta vida, permanecendo fiel a Ele.
Era uma igreja doutrinariamente sólida e ativa, ainda que seu amor tivesse ficado frio. É perigoso permitir que nosso serviço a Deus se torne mecânico e ritual; o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas. Quando uma igreja deixa de amar a Deus ela prejudica sua relação com Ele.

2ª Igreja - Esmirna

Esmirna é uma das cidades mais antigas do mundo. Atualmente é chamada Izmir, e é a terceira maior cidade da Turquia. Fica ao norte de Éfeso, numa linha da baía do Mar Egeu, Grécia. O Período relacionado à igreja de Esmirna vai do ano 100 d.C ao ano 313 d.C.
A palavra esmirna significa “mirra”, “perfume” ou “cheiro suave”. Compreendemos que a igreja, no segundo período de sua história, seria esmagada por perseguições de seus adversários; porém, na opressão, liberaria o suave perfume da fidelidade e do amor a Jesus.

Ap 2:8 “Ao anjo da igreja de Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, o que foi morto e reviveu.”
Jesus faz menção sobre Ele mesmo como sendo o autor das mensagens que Seu apóstolo João escreveu.

Ap 2:9 “Conheço a tua tribulação e a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são sinagoga de Satanás.”
A pobreza que enriquece – Jesus diz à igreja que sabia de sua pobreza material, mas que ela era rica, pois tinha muita fé.

Falsos judeus – A acusação de Cristo de que na igreja de Esmirna havia falsos judeus, equivale a dizer que havia nela falsos cristãos. Afirmou Jesus que esses pertenciam à “sinagoga de Satanás”.

Ap 2:10 “Não temas as coisas que estás para sofrer. Escutai: o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais provados, e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, a dar-te-ei a coroa da vida.”
Sabemos que nas profecias das Sagradas Escrituras um dia equivale a um ano. Em vez de dias literais, temos aqui dez anos proféticos de perseguição contra a igreja do período de Esmirna. Essa perseguição sem trégua durou dez anos (de 303 a 313), durante o governo do imperador Diocleciano. Foi a maior perseguição que a igreja cristã recebeu durante o domínio da Roma pagã, o Imperador não queria apenas matar todos os cristãos, mas acabar com o Cristianismo na face da Terra.

Ap 2:11 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dano da segunda morte.”
Pela primeira vez no Apocalipse é feita menção à segunda morte. Só o cristão vencedor não passará pela experiência da segunda morte. Mas o que é a segunda morte? É a condenação eterna, já que a primeira morte é física, e todos ressuscitarão para um julgamento, a segunda será eterna.
Esses irmãos estavam sofrendo perseguição e dificuldades econômicas, mas Deus estava orgulhoso deles. O mito que a fidelidade a Deus sempre traz prosperidade e termina o sofrimento é falso.

3ª Igreja - Pérgamo

Pérgamo era uma cidade universitária, famosa pelos seus mestres na arte de curar. Tinha uma biblioteca com 200 mil rolos. Esses rolos eram feitos de pelica, uma forma refinada de couro. Pérgamo é uma modificação da palavra "pelica". O rei de Pérgamo recebia o título de “Pontífice Máximo”, que significa o "edificador da grande ponte".
Nisto vemos uma semelhança com a torre de Babel, cujo propósito era alcançar o céu por esforços humanos. Quando o rei de Pérgamo entregou seu reino aos romanos, todo esse culto foi transferido para Roma. E o título “Pontífice Máximo” foi absorvido pelo cristianismo romano. Pérgamo tornou-se, assim, um elo entre a antiga Babilônia e a moderna Roma.
O período relacionado à igreja de Pérgamo foi de 313 d.C a 538 d.C. A palavra Pérgamo significa “exaltação”, “elevação”, porque a própria cidade estava edificada mil pés acima do nível do mar. Esse significado descreve o caráter e a vida espiritual da igreja em seu novo período.

Ap 2:12 “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes.”
Jesus Se apresenta à igreja deste período com uma espada de dois gumes. Espada é a “palavra de Deus que penetra até a medula”, diz Paulo, “que interpreta os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12). A palavra de Deus tem duas funções, trazer bênção e maldição, recompensa e juízo.
Ap 2:13 “Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás. Contudo, reténs o Meu nome, e não negaste a Minha fé, mesmo nos dias de Antipas, Minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.”
Esta carta é uma veemente denúncia. Jesus sabia que a igreja estava se aliando ao mundanismo, dando início à apostasia. Deste período da igreja de Pérgamo, de 313 a 538, de Constantino a Justiniano, a igreja foi considerada Igreja Imperial, ou seja, lugar de autoridade política. Foi quando doutrinas e normas foram implantadas mudando a essência do evangelho de Cristo.

Ap 2:14 “Todavia, tenho algumas coisas contra ti; Tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, levando-os a comer das coisas sacrificadas aos ídolos, e praticar a prostituição.”
A doutrina de Balaão pode ser resumida como idolatria pagã. Como o paganismo não podia vencer a igreja, então fez amizade com ela. Assim, paulatinamente, as práticas e cerimônias pagãs foram sendo introduzidas aos poucos no cristianismo, para amenizar as perseguições. Dessa forma, o cristianismo passou a freqüentar as cortes e palácios dos imperadores, trocando a simplicidade de Cristo e de Seus apóstolos pela pompa e orgulho dos sacerdotes; em lugar dos mandamentos de Deus, entraram teorias e tradições humanas.
Assim como fez com Balaão, Satanás corrompeu a igreja por meio de uma aliança com o mundo. Na pessoa de Constantino, a igreja subiu ao trono dos Césares e reinou como uma rainha. Houve uma mútua transigência e tolerância entre o cristianismo e o paganismo. Por causa da influência pagã, o cristianismo mudou tanto que se tornou um "paganismo batizado".

Ap 2:15 “Assim tens também alguns que seguem a doutrina dos nicolaítas.

Ap 2:16 “Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.”

A igreja foi chamada ao arrependimento, ao abandono das doutrinas pagãs – ou seja, a idolatria e a prostituição da verdade.

Ap 2:17 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.”
Quando qualquer pessoa entre os gregos era acusada de crimes contra o Estado e era julgada pelos cidadãos, eles votavam por absolvição com uma pedra branca; e por condenação, com uma pedra preta. Por isso, Cristo, o único juiz do Seu povo, ao prometer dar aos vencedores uma pedra branca, está lhes dando a certeza da absolvição.
Esse grupo permanecia fiel mesmo quando um membro foi martirizado, mas tinha um grande problema: tolerava o ensino de falsas doutrinas que encorajavam idolatria e imoralidade. O Senhor ameaçou fazer guerra contra ele.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Aula 03 - Desvendando o Apocalipse: "Simbologias"



“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe concedeu para mostrar a seus servos os acontecimentos que em breve devem se realizar, e que Ele, por intermédio do seu anjo, expressou ao seu servo João,  o qual comprovou tudo quanto viu da Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo.  Bem-aventurados os que lêem, bem como os que ouvem, as palavras desta profecia e obedecem às orientações que nela estão escritas, porquanto o tempo desses eventos está às portas. Saudação às sete igrejas da Ásia”. (Ap 1:1-3 – KJA)

1 – Introdução

O Apocalipse é um livro que utiliza muitos símbolos, porém, todos eles são explicados pela própria Palavra de Deus. Para compreender o Apocalipse é preciso ter em mente que ele é um resumo de toda a Bíblia. Portanto, para entendê-lo é preciso consultar o Antigo Testamento, inclusive os livros proféticos, e também o Novo Testamento.
Eis aqui uma pequena tabela de conversão dos símbolos usados no Apocalipse, para você usar toda vez que lê-los no livro profético: 


Virgem = povo de Israel (1 Rs 1:15; Is 23:12; 37:22; Jr 14:17; 31:4, 21)
Animal = rei ou Reino (Dn 7:17, 19 e 23)
Mulher = igreja (Ef 5:23 e 32)
Água = povos (Ap 17:15)
Um dia = 1 ano (Ez 4:6 e 7; Nm 14:34)
Ventos = guerras (Jr 51:1-5)
Chifres = poder, rei ou reino (Ap 17:12; Dn 8:21 e 22; 7:14)
Tempos = anos (Dn 11:13)
Dragão = diabo (Ap 12:9)
Cordeiro = Jesus Cristo (Jo 1:29)
Cauda = falso profeta (Isaías 9:15)
Estrelas = mensageiros (Ap 12:4 - anjos; Dn 12:3 - pregadores)
Apocalipse = revelação (Ap 1:1) 

2 - Sobre o Autor

Por que João foi escolhido para escrever o Apocalipse? João tinha 85 anos quando começou a escrever o livro. Estava preso e isolado em Patmos, uma ilha árida e rochosa no mar Egeu, na Grécia, escolhida pelo governo romano para banimento de criminosos. 
João tinha 17 anos quando viu Jesus pela primeira vez. Mateus 4:18 a 21
Os irmãos Tiago e João eram pescadores e estavam consertando o barco do pai, provavelmente para saírem em mais uma viagem ao mar. Porém, quando ouviram o chamado de Jesus para O acompanharem, largaram tudo e O seguiram. 
Os relatos bíblicos seguintes confirmam que João esteve presente nos momentos mais importantes da vida de Jesus. 
·         João foi consultado sobre o desaparecimento do corpo de Jesus. (Jo 20:1 e 2)
·         João estava presente quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo. (Lucas 8:49-51)
·         João foi um dos escolhidos para subir ao monte com Jesus onde contemplou Sua transfiguração. (Mt 17:1-2)
·         João foi levado junto ao Getsêmani enquanto Jesus orava. (Mt 26:36-37)
·         João estava presente no momento em que Jesus era julgado na corte. (Jo 18:15-16)
·         João estava aos pés da cruz quando Jesus foi crucificado. (Jo 19:25-27)
Não foi por acaso que João foi chamado de o apóstolo amado. Ele esteve presente nos momentos mais importantes da vida de Jesus. Estava sendo preparado para algo muito maior. 

Ele não era um homem perfeito. Amava a Deus de todo o coração, mas tinha uma personalidade forte. A própria Bíblia se refere a isto em Marcos 3:17

Depois que Cristo foi crucificado, começaram as perseguições contra os apóstolos. Alguns foram mortos cruelmente, mas a vida de João foi sendo preservada. Foi aí, então, que João começou a entender que o reinado de Jesus não era deste mundo. Entendeu também qual era seu papel e ministério. 
Aos 85 anos, João foi escolhido para ser o mensageiro de revelações, não por acaso. Ele foi sendo moldado por Jesus durante toda sua vida, para que pudesse compreender o real significado do ministério de Cristo. Ele foi escolhido por causa do relacionamento íntimo que tinha com o Mestre.

3 - Explicando Apocalipse 1

Deus deu a Jesus Cristo uma revelação, que entregou a mensagem ao anjo Gabriel e este notificou ao servo João. Essa foi à ordem dos acontecimentos. 
O próprio Deus deu a revelação para Jesus, para que através de Gabriel chegasse a João, o qual foi escolhido para transmitir a mensagem a seus servos, que na época compunham as Sete Igrejas da Ásia, e, por conseguinte, chegasse até nós. Esta mensagem era sobre as coisas futuras, revelações do fim.
Apocalipse 1:2: "O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto." Essa passagem confirma porque João, com quase cem anos, foi escolhido para escrever o livro. Ele escreveu sobre tudo aquilo que viu. 

Apocalipse 1:3: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo."
Creio que essa seja uma das poucas, senão a única passagem bíblica em que é oferecida uma benção tríplice. Os versos também mostram que existem três estágios espirituais para todo o servo que queira conhecer as revelações do Apocalipse. 

·         Primeiro nível: aqueles que lêem – são os servos que lêem a Palavra, a conhecem, dedicam tempo para seu estudo.
·         Segundo nível: aqueles que ouvem – são os servos que se permitem ficar em silêncio para ouvir a voz de Deus falar-lhes ao coração. 
·         Terceiro nível: aqueles que guardam – são os que já leram, já ouviram e agora praticam o que aprenderam na vida.

Apocalipse 1:4-6: "João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e dos sete espíritos que estão diante do Seu trono. E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados. E nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém." 

Quem são os sete espíritos que estão diante do trono? Sabemos que o número sete, na Bíblia, representa a perfeição divina, a plenitude. Aqui o sete é usado de maneira simbólica. 

Sete = número simbólico que representa a perfeição.
Espíritos = A totalidade de Deus mencionada em Isaias 11:2
O verso declara Jesus como o primogênito dentre os mortos. A referência é para afirmar que Jesus foi a pessoa mais importante que já experimentou a morte. 

Apocalipse 1:7: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém."
Primeira promessa em Apocalipse sobre a volta de Jesus. Indicação de como será Sua vinda. Afirmação de que todas as pessoas que estiverem vivas O verão. Também ressuscitarão no dia da volta do Senhor aqueles que O transpassaram (todos que tiveram participação direta ou indiretamente em Sua morte). Os mortos em Cristo também se levantarão dos túmulos na Sua volta. 

Apocalipse 1:8: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso."
Alfa é a primeira letra do alfabeto grego, ômega a última. Isso quer dizer que Deus Se intitulou como sendo o início e o fim de tudo. Que promessa maravilhosa Deus faz aqui; que esperança é saber que por maior que sejam os problemas pelos quais passamos ou vamos enfrentar, eles têm uma data certa para acabar. 

Ap 1:9: "Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo." 
João confessa que é nosso irmão, que foi como um de nós, cheio de problemas e provações. Aliás, ele estava preso e isolado em  idade avançada na ilha de Patmos justamente por causa da Palavra de Deus. Ele, que andava com Jesus, que foi chamado de apóstolo amado, não foi poupado das injustiças deste mundo. Muitos acreditam que seguir a Jesus é assinar uma "apólice de seguro", porém, aqui fica claro que mesmo João foi alvo de injustiças e provações. Porém, ele seguiu em frente, olhando para o alto, pois sabia que havia de cumprir o propósito pelo qual fora criado. 

Ap 1:10: "João diz: Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta." 
A real explicação para essa afirmação é que em momento de revelação, o Espírito Santo de Deus levou a mente de João para um estado onde pudesse compreender a visão e a mensagem que iria receber. Sua "alma" não saiu do corpo e foi para algum lugar do "além". Não. A Bíblia é enfática em afirmar que a vida (alma) não existe se corpo e espírito (fôlego) não estiverem juntos. O Espírito Santo impressionou a mente do apóstolo a fim de que ele pudesse ver. 

João disse que sua visão foi no dia do Senhor, ou seja, no sábado (Is 58:12-14;  Êx 20:10-11; Lc 4:16)


Ap 1:10-14: "E ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta. Que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodiceia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro." 
João viveu com Jesus durante anos. Tinha um íntimo relacionamento com o Senhor. Por que, então, o verso menciona que ele precisou se virar para ver quem falava com ele?
Jesus esteve na terra como homem, assim como João. O apóstolo não O reconheceu de imediato porque a voz de Jesus havia mudado. Jesus apareceu a João glorificado, como o próprio Deus. Com uma voz cheia de poder.
Que sete igrejas são essas? Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
O que são os sete castiçais de ouro? Um símbolo usado para descrever as sete igrejas. "O mistério dos sete castiçais de ouro que viste, são as sete igrejas" (Ap 1:20).
O texto trata da primeira revelação que João teve. E sua tradução é a seguinte: João ouviu Jesus falando com ele, afirmando ser o início e o fim. Jesus deu ordem para que João escrevesse tudo aquilo que visse e então mandasse para as sete igrejas, ou seja, para todas os seus servos na Terra. João disse que, ao se virar, viu sete castiçais de ouro, ou seja, as sete igrejas. E no meio dessas igrejas estava Jesus Cristo.

Ap 1:13-15: "No meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os Seus olhos como chama de fogo. E os Seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a Sua voz como a voz de muitas águas." 
As vestes usadas por Jesus eram as mesmas que os sacerdotes do Antigo Testamento usavam quando estavam oficiando no santuário. O relato da descrição das roupas deixa claro que assim como existia um santuário terrestre, existe também o celestial, no qual Jesus está ministrando como sacerdote. 
Cabelos Brancos como lã = Alto grau de sabedoria, Onipresente.
Olhos como chama de fogo = Justiça e Onisciência
Pés semelhantes a latão reluzente = Força e Onipotência
Voz de muitas águas = Poderoso, imponente.

Apo 1:16: "E ele tinha na Sua destra sete estrelas; e da Sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o Seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece." 

Sete estrelas = "O mistério das sete estrelas que viste na minha destra são os anjos das sete igrejas" (Ap 1:20). Mensageiros das Igrejas, fala da responsabilidade de se pregar a Palavra de Deus. Jesus tem em Sua mão direita os mensageiros da Sua Palavra e os sustenta com ela. 

O que é a espada aguda de dois fios que saia da boca de Jesus? "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4:12). 
Logo, o significado do verso é o seguinte: Jesus sustenta em Sua mão direita os mensageiros de Sua Palavra; de Sua boca sai toda palavra de Deus que é tão penetrante que, quando temos um coração receptivo, entra no íntimo da nossa mente e é capaz de mudar as intenções do coração. 



Ap 1:17-18: "E eu, quando vi, caí a Seus pés como morto; e Ele pôs sobre mim a Sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último. E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno." 

Todo e qualquer ser humano, no estado de pecador, não pode ver a Deus. Com João não foi diferente. Não conseguia enxergar a glória de Deus e então desmaiou. Mas Jesus o levantou com Sua mão direita e disse-lhe: "Não temas, Eu sou o primeiro e o último." Jesus também  refere a Si como aquele que morreu, mas que hoje está vivo para todo o sempre. Jesus é o único que tem a chave da morte e das sepulturas ("inferno"), só Ele pode dar vida aos mortos. 

Apocalipse 1:19: "Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer."
Jesus chama a atenção de João para que ele continue escrevendo tudo que diante dele tem se revelado, pois é chegada a hora de mostrar a todos os servos de Deus tudo o que há de acontecer. Para que ninguém seja enganado. 


Apocalipse 1:20: "O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas."

O capítulo termina com Jesus revelando o significado das sete estrelas e dos sete castiçais.








Aula 02 - Desvendando o Apocalipse : "Entendendo as Dispensações"

“Estão chegando os dias, declara o Senhor, quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; visto que eles não permaneceram fiéis à minha aliança, eu me afastei deles", diz o Senhor. "Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o Senhor. "Porei minhas leis em suas mentes e as escreverei em seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados". (Hb 8:8-12 – NVI)


1 - Introdução

O dispensacionalismo é uma doutrina teológica e escatológica cristã que afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do reino de Deus na Terra.
A palavra "dispensação" deriva-se de um termo latino que significa "administração" ou "gerência", e se refere ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo.
Inicialmente elaborada por John Nelson Darby, o dispensacionalismo é um sistema teológico que apresenta duas distinções básicas: 1 - Uma interpretação consistentemente literal das Escrituras, em particular da profecia bíblica, vista em várias séries de "dispensações" de Deus na história e a 2 - A distinção entre Israel e a Igreja no programa de Deus.
A teologia dispensacionalista acredita que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. Os dispensacionalistas acreditam que a salvação foi sempre pela fé
Os dispensacionalistas afirmam que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja. Eles crêem que as promessas que Deus fez a Israel no Velho Testamento serão cumpridas no período de 1000 anos de que fala Ap 20, e que da mesma forma que Deus concentra sua atenção na igreja nesta era, Ele novamente, no futuro, concentrará Sua atenção em Israel (Rm 9-11). A maioria dos dispensacionalistas é contra acordos de paz, pois segundo eles, só adiaria o inevitável que é a volta de Jesus.

2 – A Origem do Dispensacionalismo

John Nelson Darby (18/11/1800 a 29/04/1882) foi um pregador anglo-irlandês, figura muito influente em grupos cristãos adenominacionais com origem em reuniões entre protestantes em Dublin na Irlanda por volta de 1825.
Foi considerado o pai do moderno Dispensacionalismo e do Futurismo. A teologia do arrebatamento pré-tribulacional foi popularizada extensivamente na década de 1830 por ele e pelos Irmãos de Plymouth, e se tornou ainda mais conhecida nos Estados Unidos no início do século XX pela vasta circulação da Bíblia de Estudo Scofield.
Charles Spurgeon, pastor contemporâneo de Darby, publicou uma crítica a ele e ao movimento dos irmãos. Sua crítica principal foi que Darby e os Irmãos de Plymouth rejeitaram o propósito vicário da obediência de Cristo, assim como a sua justiça imputada ao crente. Spurgeon acreditava que tais noções eram tão importantes e centrais para o evangelho que o levou a adotar uma postura crítica em relação a todas as crenças dos Irmãos.
James Grant escreveu: “Por causa das heresias mortais mantidas e ensinadas pelos Irmãos de Plymouth em relação a algumas das mais importantes doutrinas do evangelho, contra as quais já tenho advertido com alguma intensidade, e por mais anti-bíblicos e perniciosos que possam ser, estou certo de que meus leitores não ficarão surpresos com nenhum outro ponto de vista, dos quais os Darbistas têm adotado e zelosamente tentado propagar”.

3 - As Dispensações ou Períodos Bíblicos

O Dispensacionalismo é um método de interpretação histórico que divide a obra de Deus e Seus propósitos para a humanidade em diferentes períodos de tempo.
Geralmente há sete dispensações identificadas, embora alguns teólogos acreditem que haja nove. Outros contam de três até mesmo 37 dispensações. Neste artigo, vamos nos limitar às sete dispensações básicas encontradas nas Escrituras.
Em cada dispensação observamos quatro situações que se repete: Deus convida o homem pra uma parceria, o homem se rebela, Deus trás juízo e faz uma promessa de redenção dando um novo recomeço a humanidade.

· A primeira é chamada de Dispensação da Inocência (Gn 1:28-30 e 2:15-17). Esta dispensação abrangeu o período de Adão e Eva no Jardim do Éden. Onde o principal mandamento de Deus era não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Convite a Parceria: Deus criou o home a Sua imagem e semelhança, e o visitava todos os dias no jardim do Éden (Gn 1:26) – Rebeldia: Desobedeceu ao único mandamento que Deus deixou comendo do fruto proibido (Gn 3:6-11) – Juízo: Expulsou Adão e Eva do Jardim amaldiçoando-os (Gn 3:7-240) – Promessa de Redenção: Um descendente que aniquilaria o mal (Gn 3:15)

· A segunda é chamada de Dispensação da Consciência, e durou cerca de 1.656 anos a partir do momento da expulsão de Adão e Eva do jardim até e o dilúvio (Gn 3:8-8:22). Esta dispensação demonstra que a consciência humana por si só é falha e é facilmente influenciada pelo mal. Os descendentes de Adão e Eva cresceram muito e se dividiram em duas gerações: os que serviam a Deus e os que se rebelaram contra Ele. No entanto, o mal cresceu assustadoramente a ponto de Deus decidir destruir a humanidade e deixar somente um remanescente, Noé e sua família. Convite a Parceria: Deus propõe a Caim o arrependimento (Gn 4:6-7) – Rebeldia: Com o crescimento da humanidade cresceu também a perversidade humana (Gn 6:5-6) – Juízo: Dilúvio (Gn 6:7) – Recomeço: Noé, sua família e alguns animais foram poupados para um novo começo (Gn 6:8,13,18).

· A terceira é a Dispensação do Governo Humano, a qual começou em Gn 8. Deus tinha destruído a vida na terra com um dilúvio, salvando apenas uma família para reiniciar a raça humana. Deus fez as seguintes promessas e comandos para eles: 1) Não amaldiçoar a terra novamente (promessa); 2) Deveriam povoar a terra com pessoas; 3) Exercer domínio sobre a criação animal; 4) São autorizados a comer carne; 5) A lei da pena de morte é estabelecida; 6) Nunca haveria outro dilúvio mundial (promessa); 7) Deixou um sinal e Sua no céu, o arco-íris. Os descendentes de Noé não se espalharam enchendo a terra como Deus havia ordenado, assim falhando em sua responsabilidade nesta dispensação. Cerca de 325 anos depois do dilúvio, os habitantes da terra começaram a construir uma torre, um grande monumento idólatra e de rebeldia contra Deus, revelando a falta de confiança em Suas promessas (Gn 11:7-9). Como resposta, Deus deu um fim à construção, criando diferentes idiomas e reforçando o Seu comando de encher a terra. O resultado foi o surgimento de diferentes nações e culturas. Convite a Parceria: Recomeço após o dilúvio (Gn 9: 9-17) – Rebeldia: Construiram uma torre (Gn 11:3-6) – Juízo: Confusão das línguas (Gn 11:7-9) – Recomeço: Dispersou o povo para recomeçarem a vida (Gn 11:8-9)

· A quarta é a Dispensação da Promessa, começou com o chamado de Abraão, continuou através das vidas dos patriarcas e terminou com o Êxodo do povo judeu do Egito, um período de aproximadamente 430 anos. Durante esta dispensação, Deus desenvolveu uma grande nação que Ele havia escolhido como o Seu povo (Gn 12:1-Êx 19:25). Essa dispensação encerrou com a escravidão do povo de Israel no Egito, dando a eles a oportunidade de crescer como nação separada, já que os egípcios não se misturavam a outras raças e os considerava uma raça inferior. José também, influenciado por Deus, soube separá-los geograficamente do Egito. Convite a Parceria: Chamado de Abraão (Gn 11:31-19:9) – Rebelião: Os filhos de Jacó se tornam traiçoeiros (Gn 34,37,38) – Juízo: Fome em Canaã e escravidão no Egito (Gn 41 a Ex 1) – Recomeço: Deus estabelece uma grande nação (Gn 46: 2-4)

· A quinta é a Dispensação da Lei. Durou quase 1.500 anos, do Êxodo até ser suspensa após a morte de Jesus Cristo. Durante esta Dispensação que Deus firmou uma Aliança com a nação de Israel, conhecida como Lei, encontrada em Êx 19-23, mas devido à desobediência do povo à esta aliança, as tribos de Israel perderam a Terra Prometida e foram submetidas à escravidão, exilados separadamente – Israel na Assíria e depois dispersa pelo mundo, e Judá na Babilônia, voltando depois como remanescente de Deus a Jerusalém com a finalidade de preparar a chegada do Messias. Convite a Parceria: A Aliança de Deus com o povo (Ex 19:5-6) – Rebeldia: Esqueceram-se de Deus e se tornaram idólatras (Is 50:1 e Jr 2:1-17:6) – Juízo: Divisão do reino, exílio e dispersão de 10 tribos (Am 2:4-16) – Promessa de Redenção: Jesus Cristo (Is 9:6-7; Jo 3:16-18 )

· A sexta é a Dispensação da Graça. Ela começou com a ressurreição de Cristo (Lc 22:20). Esta "Dispensação da Graça" é mencionada em Dn 9:24-27, como as semana entre a 62 e 70 de sua visão. Ela começa com a morte de Cristo e termina com volta de Jesus. Esta dispensação é mundial e inclui tanto os judeus quanto os gentios. A responsabilidade do homem durante a Dispensação da Graça é crer em Jesus, o Filho de Deus (Jo 3:18). Nesta dispensação, o Espírito Santo habita como o Consolador (Jo 14:16-26). Esta dispensação tem durado mais de 2.000 anos, e ninguém sabe quando vai acabar. Sabemos, no entanto, que acabará com a volta de Cristo. Convite a Parceria: Chamou-nos de amigos (Jo 15:15) – Rebelião: A Humanidade não o aceitou (Jo 3:19) - Juízo: A grande tribulação (Rm 3:5-6; Jo 12:48) – Redenção: Salvação eterna (Mt 24:13).

· A sétima dispensação é a do Reino Milenar de Cristo e terá a duração de 1.000 anos enquanto o próprio Cristo reinar sobre a terra. Este Reino cumprirá a profecia para a nação judaica de que Cristo voltará e será o seu rei. As únicas pessoas autorizadas a entrar no Reino serão aqueles que morreram em Cristo na Dispensação da Graça e os sobreviventes justos dos sete anos de tribulação. Satanás será preso durante os 1.000 anos e este período terminará com o julgamento final (Ap 20:11-14). O velho mundo será purificado pelo fogo, e virão Novos Céus e a Nova Terra Apocalipse 21 e 22. Convite a Parceria: Reinar com Cristo (Ap 20:6) – Rebelião: Haverão opositores ao reino de Cristo (Ap 20:7-9) – Juízo: O grande Trono Branco (Ap 20:11-15) – Redenção: Novos Céus e nova Terra (Ap 21)



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